Aline Thuller é assistente social há 14 anos e desde que começou escuta relatos de pessoas que chegam ao Rio de Janeiro sonhando com uma vida mais digna, um deles foi o congolês Moïse Kabagambe.

O jovem Moïse, de 24 anos, foi brutalmente assassinado na última segunda-feira (24), ao sofrer agressões num quiosque na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Um dia após seu enterro, Aline deu uma entrevista ao G1 e fez um desabafo comovente sobre a morte do rapaz.

Foto: Reprodução

A assistente conheceu Moïse em 2011, quando ele ainda era adolescente. “Quando eu vi na TV o que aconteceu, a sensação que tive é de que era mentira, que não era verdade. Era um menino muito próximo da gente. Até o ano passado, ele participou de atividades com a gente de orientação para o mercado de trabalho”, lamentou a coordenadora do Cáritas.

Nos registros da Cáritas, Moïse Kabagambe chegou ao Brasil em 2011, aos 14 anos. O menino chegou junto de seus dois irmãos e era o do meio.

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“Como eram muito jovens, a gente acaba dedicando muito tempo. Tem que acompanhar como vai na escola, o que está estudando, o trabalho para o irmão mais velho… (…) Eles sempre foram meninos muito educados, muito cordiais. E chegaram bem novinhos. É muito difícil de acreditar”, diz Aline.

Moïse vivia há quase 11 anos no Rio de Janeiro e era praticamente carioca, falava português fluentemente e sempre demonstrou interesse em aprender.

Depois da tragédia, Aline conta que tem feito contato com a família do rapaz. A mãe do jovem foi a única pessoa com quem a assistente social, até segunda-feira (31) à noite, não havia conseguido falar.

“Mãe perder um filho já é difícil. E na cultura africana, filho é a riqueza maior. Tanto é que ela tem muitos filhos porque quanto mais filhos, mais riqueza, mais bênçãos você tem. E enterrar um filho tão jovem, dessa forma tão cruel…”, explicou.

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Sobre a situação do Congo,  a coordenadora do Cáritas explicou: “Hoje, é um dos países que mais mata no mundo. Existe uma guerra há muitos anos. Também existe estupro como arma de guerra, violações dos direitos humanos de toda ordem… Então, muita gente do Congo sai. E muitos vieram para o Brasil.”

“Eles chegam aqui com traumas muito graves. Meninos jovens são cooptados pra guerra, forçados a ir pra guerra. Não estou dizendo que foi o caso do Moïse, mas é muito comum que os pais tirem os meninos jovens do país com medo deles serem obrigados a ir pra guerra.”, contou.

Além de todas as dificuldades do país de origem, os imigrantes também sofrem muito quando chegam ao Brasil e a adaptação é extremamente complexa.

“É muito difícil. Eles enfrentam a xenofobia. Ouvem que o refugiado está vindo pra roubar nossas vagas de trabalho, pra roubar nosso lugar no hospital, no SUS [Sistema Único de Saúde]. Eles vivem a xenofobia.”, explica Aline.

E, além da xenofobia e do preconceito, Aline conta que, no Brasil, os congoleses passam a sofrer o racismo pela cor da pele, que até então, era uma coisa desconhecida para eles. “Crianças que perguntam: ‘por que me chamam de macaca, tia? Estão me chamando de macaca’.”, finaliza.

 

Com informações de G1

 

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