Poucos segundos podem separar uma apresentação diante de milhares de pessoas de uma situação em que cada minuto passa a ser decisivo. Foi o que aconteceu com o toureiro espanhol Iván Fandiño em junho de 2017, durante uma corrida em Aire-sur-l’Adour, no sudoeste da França.
A queda aconteceu de maneira rápida. Fandiño estava realizando um movimento com o capote quando perdeu o equilíbrio, caiu na arena e acabou sendo atingido pelo touro. O ferimento foi tão grave que, mesmo recebendo atendimento quase imediatamente, ele não resistiu.
O que tornou o episódio ainda mais doloroso foi o relato de suas últimas palavras. Segundo pessoas que estavam próximas ao toureiro, Fandiño percebeu a gravidade do que havia acontecido e pediu que o levassem rapidamente ao hospital.
“Que se apressem em me levar ao hospital, porque estou morrendo.”
A queda que mudou tudo
Iván Fandiño tinha 36 anos e era natural de Orduña, no País Basco. Profissional desde 2002, havia construído uma carreira marcada por apresentações diante de touros considerados difíceis e por alguns acidentes graves.
Naquela tarde de 17 de junho de 2017, ele participava de uma corrida na praça de Aire-sur-l’Adour. Fandiño havia acabado de atuar diante de um dos touros quando voltou à arena para realizar um quite, movimento feito com o capote diante do animal que correspondia a outro toureiro, Juan del Álamo.
Foi nesse momento que ocorreu o acidente.
Ao tentar executar uma sequência de passes, Fandiño perdeu o equilíbrio com o próprio capote. Relatos da época descrevem que ele caiu no chão e, depois de ser derrubado novamente pelo animal, recebeu a chifrada no lado direito do corpo.
O touro, chamado Provechito, pertencia à ganadaria espanhola Baltasar Ibán. A chifrada provocou uma lesão de aproximadamente 15 centímetros e atingiu órgãos vitais. Informações médicas divulgadas posteriormente apontaram também danos à veia cava inferior e a outras estruturas importantes, provocando uma hemorragia severa.
Leia também: Ela carregava na perna a marca de um ataque de tubarão até tomar uma decisão surpreendente
Leia também: Mandar texto em vez de áudio pode dizer mais sobre você do que parece, segundo a psicologia
Ele ainda estava consciente
Fandiño foi retirado da arena por companheiros e levado à enfermaria da própria praça. O cirurgião responsável pelo atendimento, Jean-Claude Darracq, relatou que o estado do toureiro já era extremamente grave quando ele chegou.
A equipe médica tentou estabilizá-lo antes da transferência para o hospital de Mont-de-Marsan, localizado a cerca de 30 quilômetros dali.
Foi durante esse momento, enquanto era retirado da arena, que Fandiño teria falado com o também toureiro francês Thomas Dufau. A frase registrada por veículos que acompanharam o caso resume a percepção que ele tinha sobre a própria condição:
“Que se apressem em me levar ao hospital, porque estou morrendo.”
Não demorou muito para que a situação se agravasse ainda mais. Durante o transporte, Fandiño sofreu paradas cardíacas. Embora a equipe tenha conseguido reanimá-lo inicialmente, ele chegou ao hospital em estado crítico e morreu aos 36 anos.
Uma carreira marcada por acidentes
A morte de Fandiño não aconteceu depois de uma carreira sem grandes sustos. Anos antes, ele já havia sofrido acidentes sérios dentro das arenas.
Em 2014, ficou inconsciente após ser atingido durante uma corrida em Bayonne, na França. No ano seguinte, em Pamplona, foi lançado pelos ares durante outra apresentação. Mesmo depois desses episódios, continuou atuando profissionalmente.
Na corrida que terminou com sua morte, Fandiño havia inclusive começado a apresentação de maneira positiva. Segundo relatos da época, ele havia recebido uma orelha após sua atuação com o primeiro touro do evento. Pouco depois, a situação mudou completamente.
A morte também teve um peso histórico para a tauromaquia francesa: segundo veículos que noticiaram o caso, Fandiño foi o primeiro matador a morrer em uma arena francesa em 96 anos. O último caso citado anteriormente havia ocorrido em 1921.
A morte provocou homenagens na Espanha
A notícia causou forte repercussão na Espanha, especialmente no País Basco, região onde Fandiño nasceu e construiu parte importante de sua trajetória.
Houve homenagens públicas ao toureiro, incluindo manifestações do rei Felipe VI e do então presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy. Monumentos em memória de Fandiño também foram posteriormente instalados em locais ligados à sua história, entre eles Orduña e Bilbao.
A morte ocorreu menos de um ano depois da de outro toureiro espanhol, Víctor Barrio, que havia sido morto por uma chifrada em julho de 2016, em Teruel. Os dois casos reacenderam a discussão sobre os riscos enfrentados pelos profissionais que participam de corridas de touros.
No caso de Fandiño, porém, o detalhe que permaneceu associado à tragédia foi especialmente duro: uma queda aparentemente breve, provocada pelo próprio capote, deixou o toureiro vulnerável por alguns segundos. Quando conseguiu pedir ajuda, ele já sabia que sua vida estava por um fio.
Leia também: Ele fazia isso há anos sem medo até sofrer múltiplos AVCs e descobrir uma possível ligação
Compartilhe o post com seus amigos! 😉