Artista brasileira utiliza as cores para devolver “humanidade” a vítimas das maiores tragédias da história

Através de muita pesquisa e muita técnica, a colorista digital Marina Amaral desenvolve um trabalho sensível e difícil: imprimir cores a fotos antigas em branco e preto, com o intuito de devolver a “humanidade” às vítimas das maiores tragédias da nossa história, como o Holocausto e a Escravidão.

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A colorista digital mineira Marina Amaral vêm ganhando cada vez mais destaque internacional devido ao trabalho que realiza com excepcional talento e sensibilidade: colorir fotos antigas que retratam parte da história da humanidade.

Aos 25 anos, ela foi chamada de “mestre da colorização” pela revista Wired. Seu trabalho também já foi reconhecido por reportagens na BBC, Forbes, Deutsche Welle, RT, Washington Post, Vox e The Times.

Marina é idealizadora e realizadora do projeto Faces of Auschwitz, que preenche com cores uma parte da história cinzenta do campo de concentração na Alemanha. “Eu tinha feito uma proposta ao Memorial de Auschwitz, que guarda as fotos dos prisioneiros, em 2016. Mas o pessoal ficou um pouco receoso. Só que quando eu postei a foto daquela menina de 14 anos na internet, eles viram que o trabalho era legal. Depois, até replicaram e aí consegui ter acesso ao material”, disse ela.

A menina citada pela artista é Czeslawa Kwoka, de 14 anos, prisioneira do campo de concentração, executada em 1943. O Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, liberou quase 40 mil fotos para que a artista pudesse compor o projeto.

Jósefa Glazowska, de 12 anos, foi uma das crianças confinadas no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia — Foto: Marina Amaral/Arquivo pessoal
Jósefa Glazowska, de 12 anos, foi uma das crianças confinadas no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia — Foto: Marina Amaral/Arquivo pessoal

Em entrevista ao G1, Marina contou conta que seu trabalho é todo feito pelo Photoshop e que cada retrato leva quase duas horas para ficar pronto. “É preciso fazer uma pesquisa para tentar encontrar as cores mais parecidas com a realidade. No caso das fotos do campo de concentração há uma facilidade. O uniforme é padrão, né? Para saber a cor da pele, dos olhos, dos cabelos, há documentos que descrevem as características de cada prisioneiro. No certificado de óbito também é possível encontrar esses detalhes. A gente também buscar saber de que cor era o triângulo bordado no uniforme que identificava os prisioneiros”, disse Marina.

Deliana Rademakers foi mandada para Auschwitz por ser testemunha de Jeová — Foto: Marina Amaral/Arquivo pessoal
Deliana Rademakers foi mandada para Auschwitz por ser testemunha de Jeová — Foto: Marina Amaral/Arquivo pessoal

O projeto Faces of Auschwitz, que pode ser conferido acessando este link, contará também com um documentário, ainda sem data prevista de estreia. O trabalho ficará em exposição na cidade de Curitiba (PR) a partir de 31 de março, contando também com fotografias do período da escravidão brasileira digitalmente coloridas.

A menina polonesa em P&B e colorizada por Marina Amaral

Marina Amaral também assina dois livros junto com o historiador australiano Dan Jones e está trabalhando em uma série dedicada ao período da ditadura militar no Brasil, resgatando documentos e fotografias da época.

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Redação CONTI outra. Com informações de G1 e Brasil 247

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