Antônio Fagundes indica 10 clássicos da literatura que toda pessoa com mais de 40 anos deveria conhecer – e ler!

Antônio Fagundes transformou o hábito de ler em uma conversa direta com o público. Depois de interpretar Alberto, editor e dono de uma livraria na novela Bom Sucesso, da TV Globo, o ator passou a compartilhar indicações literárias nas redes sociais e acabou aproximando muita gente de obras que atravessaram gerações.

A repercussão foi tão grande que o Gshow criou um podcast com Fagundes, em que ele comenta livros importantes e explica por que certas leituras continuam fazendo sentido, mesmo séculos depois de publicadas.

Entre clássicos da literatura mundial, obras religiosas, biografias e suspense contemporâneo, a lista reúne títulos que conversam especialmente com quem já passou dos 40 e busca leituras com mais densidade, memória, conflito humano e reflexão.

“Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes

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Publicado no início do século XVII, Dom Quixote acompanha um fidalgo que, depois de mergulhar em romances de cavalaria, passa a enxergar o mundo como se ainda vivesse entre cavaleiros, gigantes e missões heroicas. Ao lado de Sancho Pança, ele cruza estradas, cria confusões e revela, com humor, uma pergunta que continua atual: até que ponto a fantasia ajuda a suportar a realidade?

A obra de Cervantes é considerada um dos grandes marcos do romance moderno. O livro brinca com a linguagem, ironiza costumes da época e constrói personagens que permanecem vivos justamente porque são contraditórios, humanos e cheios de falhas.

“Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe

Em Robinson Crusoé, Daniel Defoe parte de uma situação extrema: um homem sobrevive a um naufrágio e precisa reconstruir a própria vida em uma ilha isolada. Sem conforto, sem companhia e com poucos recursos, Crusoé aprende a plantar, criar animais, fabricar objetos e lidar com o medo de estar completamente só.

Mais do que uma aventura de sobrevivência, o livro também fala sobre fé, trabalho, solidão, colonização e poder. É uma leitura que pode incomodar em alguns pontos, especialmente pelo olhar de sua época, mas justamente por isso ajuda a entender como certos pensamentos foram formados — e por que precisam ser revisitados.

“Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift

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À primeira vista, Viagens de Gulliver pode parecer uma narrativa de fantasia com povos estranhos, ilhas distantes e situações absurdas. Mas Jonathan Swift usa cada viagem do protagonista como uma crítica afiada à política, à vaidade, à ciência, à guerra e ao comportamento humano.

O livro é famoso pelos pequenos habitantes de Lilliput, mas vai muito além dessa imagem popular. Ao longo da obra, Gulliver encontra sociedades que funcionam como espelhos distorcidos da nossa. O resultado é uma sátira inteligente, muitas vezes amarga, sobre aquilo que as pessoas preferem não enxergar em si mesmas.

“A Noite dos Tempos”, de René Barjavel

A Noite dos Tempos mistura ficção científica, romance e discussão política em uma história sobre uma civilização antiga descoberta sob o gelo. A expedição que encontra esse vestígio do passado se depara com tecnologias avançadas, escolhas morais difíceis e a possibilidade de rever tudo o que a humanidade acredita saber sobre si.

René Barjavel cria uma trama que fala de amor, destruição, ambição e disputa entre nações. É o tipo de livro que usa a ficção científica para tratar de temas bem concretos: poder, medo, controle e os limites da curiosidade humana.

“Os Miseráveis”, de Victor Hugo

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Em Os Miseráveis, Victor Hugo acompanha Jean Valjean, condenado a anos de prisão após roubar um pão. A partir dessa história, o autor constrói um retrato forte da miséria, da desigualdade, da punição social e da possibilidade de redenção.

A obra atravessa personagens marcantes, conflitos políticos e dilemas religiosos sem perder o foco no sofrimento das pessoas comuns. É um romance extenso, sim, mas sua força está justamente na maneira como transforma injustiças sociais em dramas humanos impossíveis de ignorar.

“Joyland”, de Stephen King

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Em Joyland, Stephen King leva o leitor para a Carolina do Norte dos anos 1970. Devin Jones, um jovem universitário, arruma emprego temporário em um parque de diversões tentando se recuperar de uma desilusão amorosa. Só que o lugar carrega uma história mal resolvida: o assassinato de Linda Grey, uma jovem morta anos antes em uma atração do parque.

A trama mistura investigação, amadurecimento e aquele clima melancólico que King sabe construir muito bem. O suspense existe, mas o livro também fala sobre juventude, perda, memória e a passagem dolorida para a vida adulta.

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“Jogo Perigoso”, de Stephen King

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Jogo Perigoso começa com um casal tentando reacender a relação em uma casa afastada no Maine. A situação sai do controle quando Gerald morre de repente, deixando Jessie presa à cama, sozinha e sem perspectiva imediata de ajuda.

A partir daí, Stephen King trabalha um terror mais psicológico do que sobrenatural. O medo está no isolamento, nas lembranças que voltam com força e na luta de Jessie para não ser engolida pelo pânico. É uma leitura tensa, direta e sufocante, com uma protagonista obrigada a encarar o presente e o passado ao mesmo tempo.

“Longe da Árvore”, de Andrew Solomon

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Em Longe da Árvore, Andrew Solomon investiga relações familiares marcadas pela diferença. O autor parte da própria experiência com dislexia e homossexualidade para discutir como pais e filhos lidam quando a criança foge das expectativas imaginadas pela família.

O livro aborda temas como deficiência, identidade, preconceito, adoção, transtornos, genialidade e pertencimento. É uma obra de fôlego, construída a partir de entrevistas e pesquisa, que propõe uma reflexão importante: amar alguém também exige aprender a enxergar essa pessoa fora das projeções que criamos para ela.

“Antonio Fagundes no Palco da História: Um Ator”, de Rosangela Patriota

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Escrito por Rosangela Patriota, Antonio Fagundes no Palco da História: Um Ator revisita a carreira de um dos nomes mais conhecidos da dramaturgia brasileira. O livro acompanha sua trajetória artística em diálogo com transformações sociais, políticas e culturais do país.

A obra passa pelo teatro, pela televisão, pelos anos de censura, pelas discussões sobre engajamento e entretenimento e pelo lugar do ator dentro da vida pública brasileira. Para quem acompanha Fagundes há décadas, a leitura ajuda a entender o artista para além dos personagens famosos.

Bíblia

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A Bíblia aparece na lista como uma das obras mais influentes da história da humanidade, independentemente da relação individual de cada leitor com a fé. Seus textos atravessam religião, cultura, arte, literatura, política e linguagem cotidiana.

Edições como a Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, da Paulus, buscam tornar a leitura mais acessível, com introduções e notas explicativas. Para quem deseja compreender melhor referências presentes em romances, filmes, discursos e debates históricos, a Bíblia continua sendo um texto central.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.