Algumas verdades declaradas sobre a AGRESSIVIDADE PASSIVA

A questão é que muitas pessoas, por não conseguirem expressar a sua agressividade de forma direta ou mesmo por fazê-lo utilizando-se de subterfúgios comportamentais, podem adotar mecanismos que os “defendem” de um confronto direto ao mesmo tempo em que permitem uma canalização da agressividade: eis que surge o comportamento passivo-agressivo.

Josie Conti

Todos nós temos sentimentos que variam conforme o dia. Podemos, inclusive, oscilar diversas vezes durante as 24 horas que preenchem a nossa rotina. Assim, vivenciar momentos em que estamos mais “rabugentos” ou até mesmo “agressivos” não é necessariamente algo ruim uma vez que nossos sentimentos oscilam conforme as experiências que estamos passando e o grau de prazer, sofrimento ou mesmo contrariedades que eles nos proporcionam. O primeiro grande mito que quero quebrar para terminar esse primeiro parágrafo, então, diz respeito a não rejeição dos sentimentos que não são “socialmente” bonitos e aceitáveis.

Existe uma ideia de que sempre devemos nos manter sob controle e que, se dissermos absolutamente tudo o que quisermos poderemos causar mais danos do que que ajudar alguém. Essa afirmativa, embora seja parcialmente verdadeira, não é algo absoluto.

A questão é que muitas pessoas, por não conseguirem expressar a sua agressividade de forma direta ou mesmo por fazê-lo utilizando-se de subterfúgios comportamentais, podem adotar mecanismos que os “defendem” de um confronto direto ao mesmo tempo em que permitem uma canalização da agressividade: eis que surge o comportamento passivo-agressivo.

Assim, quando uma pessoa se utiliza desse mecanismo, ela transmite mensagens dúbias simultaneamente para confundir e desarmar a pessoa com quem ela está se relacionando. Um exemplo disso:

Digamos que é o seu aniversário e, todo ano, você espera por essa data. Como é um dia especial você quer sair para almoçar fora e combina isso com alguns amigos. O plano é almoçar e depois se jogarem no sofá para acessar os jogos de casino online da 888 para um diversão coletiva. Na data esperada, entretanto, seus amigos relatam que sentem muito, mas que não poderão comparecer. Como você se considera uma pessoa madura e equilibrada aceita a justificativa com a maior simpatia que consegue exprimir enquanto fornece um sorriso quase congelado, mas, dias depois, não atende mais as ligações de seus amigos.

O que fica claro no exemplo acima é que a pessoa que levou o “bolo” dos amigos não foi capaz de dizer a eles o quanto estava magoada. Então, logo em seguida, usou o silêncio como forma de exclusão e agressão.

Esse tipo de situação é bastante comum, pode acontecer de forma esporádica e ser algo feito por qualquer um de nós. Entretanto, existem pessoas que se utilizam dessa canalização indireta da agressividade de forma contínua, dissimulada e até maldosa.

Vamos a mais alguns exemplos:

– Você encontra uma amiga e ela diz que sua blusa é muito bonita, mas você percebe em seu tom de voz e olhar que, na verdade, essa pessoa quer dizer exatamente o contrário e que “talvez” esteja “fazendo pouco caso” de você.
– Seu primo, durante um jantar de família, elogia a sua inteligência. Você fica feliz. Entretanto, logo em seguida, dá uma série de gargalhadas deixando subentendido que o que ele pensa é exatamente o contrário.
– Você e sua namorada encontram com sua ex e ela elogia as roupas dela em tom calmo, mas na verdade está analisando se você a achou bonita.

Nos exemplos anteriores percebemos que sempre existe, pelo menos no começo, uma dissimulação do sentimento real e o uso de estratégias (como falar exatamente o contrário do que se pensa) que não permitem que o interlocutor reaja imediatamente. Muitas vezes, quando a pessoa agredida reage, o agressor finge uma indignação e pergunta o motivo de toda aquela reação uma vez que “só estava conversando”, “querendo ajudar” ou até “elogiando” e ainda pode mobilizar pessoas ao redor para dar a entender que a reação é desproporcional, agressiva e até “louca”. Quantas mulheres que você conhece já não foram chamadas de “louca” quando reagiram a situações de assédio, sexismo ou até discussões de trabalho?

Se você está passando por uma situação assim, existem duas estratégias para lidar com esse tipo de comportamento: a primeira é a evitação desse tipo de pessoa, uma vez que ela pode ser alguém muito tóxica em um relacionamento. Já a segunda envolve conversas francas e diretas sobre o assunto. É preciso deixar claro que esse comportamento ofende e magoa. Explodir e revidar não é o indicado, pois isso seria exatamente o que o agressor mais gostaria, pois o manteria no controle.

Se você, entretanto, é a pessoa passiva-agressiva e se identificou com os exemplos a orientação é que tente perceber os momentos em que essa estratégia é utilizada para que , tendo consciência deles, você possa encontrar outras maneiras de dizer o que quer de verdade.

A terapia também é algo recomendável tanto para quem sofre esse tipo de agressão quanto para quem a pratica, uma vez que o autoconhecimento permite que expressemos nossos sentimentos de forma mais madura e diretiva.

Photo by Alex Iby on Unsplash

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Josie Conti
É idealizadora, administradora e responsável editorial do site CONTI outra e de suas redes sociais. Psicóloga com 19 anos de experiência, teve sua trajetória profissional passando por diversas áreas de atuação como educação, clínica (consultório, grupos pré-cirurgia bariátrica e de reeducação alimentar, acompanhamento de pacientes idosos e acamados em projeto da UNIMED), além de recursos humanos e saúde do trabalhador. Teve um programa diário, o CONTI oura, na rádio 94.7 FM de Socorro. Atualmente realiza vídeos, palestras, cursos, entrevistas, e escreve para diversos canais digitais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Possui mais de 11 milhões de usuários fidelizados entre seguidores diretos e seguidores dos sites clientes. Também realiza atendimentos psicológicos online.