Ah, como eu queria ter o poder de quebrar copos

"Se me perguntassem qual poder eu gostaria de ter, eu diria que gostaria de ter o poder de quebrar copos. Queria poder estilhaçar os copos daqueles que brindam bebendo a mentira. Queria poder transformar cristais em cacos cada vez que alguém brindasse a tristeza e a humilhação de alguém".

Se me perguntassem qual poder eu gostaria de ter, eu diria que gostaria de ter o poder de quebrar copos. Queria poder estilhaçar os copos daqueles que brindam bebendo a mentira. Queria poder transformar cristais em cacos cada vez que alguém brindasse a tristeza e a humilhação de alguém.

Queria entrar nas alcovas e bares da vida e explodir as risadas dos que enganam para ganhar. Dos que invertem as regras do jogo para chegar na frente. Queria poder transformar vidro em pó e calar as gargalhadas daqueles que não tem escrúpulos, nem Deus no coração.

Queria ver a bebida do que não é lícito escorrer pelos dedos e braços dos que subvertem. Dos que fingem amar. Dos que fingem ser amigos. Dos que fingem se importar. Queria regar o solo da vida com essa bebida amarga. Queria explodir as taças daqueles que tomam o que sobrou dos que não conseguiram mais beber, depois de ouvirem a verdade intragável dos insensíveis.

Queria ter o poder de quebrar copos e taças nas festas cujas relações doentias festejam, com garrafas de vinho, as falácias contadas em nome do amor.

Ah, como eu queria ter esse poderzinho. Esse poderzinho de explodir copos em almoços de negócios escusos. Ah como eu queria ter o poder de estilhaçar a conduta falsa dos que parecem bons, mas que dormem pensando em como derrubar os outros. Eu queria poder quebrar todas as taças para matar de sede aqueles que bebem o pudor do mundo. Que se escondem por trás do papel de pessoas sensíveis, para ferir, para usar outras pessoas como se fossem coisas.

Ah, se todos os copos regados com maldade explodissem hoje. Explodissem agora. Se o estrondo do vidro fosse um aviso sobre os caminhos errados. As gargalhadas dos maus virariam susto e medo. As gargalhadas dos que fingem ajudar, dos que fingem ser o que não são, virariam susto. Virariam súplica por uma gota de líquido que fosse. Ah, se os copos da mentira se quebrassem agora! Em poucos dias o mundo seria um lugar melhor. Um lugar mais justo. Um lugar sem comemorações mentirosas. Sem declarações duvidosas. Ah, se os copos se quebrassem, o mundo seria dos bons.

Ah Deus, como eu gostaria de ter esse poder. Como eu gostaria de poder matar de sede a maldade do mundo.

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Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain

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Vanelli Doratioto
Vanelli Doratioto é uma escritora paulista, amante de museus, livros e pinturas que se deixa encantar facilmente pelo que há de mais genuíno nas pessoas. Ela acredita que palavras são mágicas, que através delas pode trazer pessoas, conceitos e lugares para bem pertinho do coração.