A superstição e os comportamentos que replicamos há centenas de anos

Com o volume de informações a que temos acesso nos dias de hoje, parece estranho alguém dizer que é supersticioso. Mas jogue o primeiro amuleto quem não desvia o caminho quando vê uma escada pela frente ou bate três vezes na madeira para dar sorte.

Com o volume de informações a que temos acesso nos dias de hoje, parece estranho alguém dizer que é supersticioso. Mas jogue o primeiro amuleto quem não desvia o caminho quando vê uma escada pela frente ou bate três vezes na madeira para dar sorte. O fato é que esses comportamentos estão tão arraigados em nossa cultura que já nem nos damos conta deles. A palavra superstição vem do latim superstitio (profecia, medo excessivo dos deuses) e está relacionada a tudo o que não pode ser comprovado de maneira racional. De acordo com uma pesquisa do Instituto Gallup, 25% dos americanos considera-se supersticiosos. Mesmo se você acha que não faz parte desse grupo, talvez diga “Deus te abençoe” (ou “Bless you”, em inglês) quando alguém espirra, para proteger a pessoa no caso do demônio querer roubar a sua alma — exatamente como nossos ancestrais acreditavam que poderia acontecer.

As superstições mais populares

O bem conhecido gato preto está associado ao azar. Isso porque, durante a Idade Média, ele era relacionado às bruxas em muitos países da Europa. As pessoas acreditavam que se um gato preto cruzasse o seu caminho era indicação de má sorte — de que havia uma bruxa ou o próprio diabo atrás de você. Uma das superstições mais comuns é a crença de que tocar em determinados objetos pode trazer sorte. Um estudo realizado pela Betway demonstra que isso é um fato nas mais diversas culturas. Entre as peças destacadas no estudo estão o Guardhouse Monkey, da Bélgica; a árvore Stock Im Eisen, na Áustria; a Magic Owl de Dijon, na França; e Il Pordellino, na Itália. A superstição também explica porque alguns edifícios não têm o 13º andar — muitas vezes substituído por 12B, 14A ou simplesmente eliminado da planta. Segundo a AOL, algumas companhias aéreas, como AirFrance, Lufthansa, Ryanair e Iberia, também não têm a fileira 13 em suas aeronaves. A má fama do número 13 vem da mitologia nórdica: 12 deuses foram convidados para um banquete em Asgard quando Loki, o deus da discórdia e do mal, apareceu. Na luta que se seguiu, Balder, o deus favorito, foi morto. Por conta dessa história, os escandinavos evitavam jantares com 13 membros e espalharam a crença pela Europa.

Superstições no esporte

Mas há quem diga que o número 13 dá sorte. O ex-jogador e técnico da seleção brasileira, Mário Zagallo, é aficcionado pelo 13. O motivo era a comeoração do data de casamento com a sua falecida esposa, Alcina, em um dia 13 de janeiro. Com sorte ou simplesmente talento, Zagallo foi campeão mundial duas vezes como jogador (1958 e 1962), uma como técnico em 1970, e outra como auxiliar de Carlos Alberto Parreira, em 1994. Outro esportista supersticioso é o tenista espanhol Rafael Nadal, 17 vezes campeão do Grand Slam. Ele costuma tomar banhos gelados antes dos jogos, sair pulando do vestiário e alinhar suas garrafas de água sempre da mesma maneira durante a partida. O maior nome da história da NBA, Michael Jordan, também é supersticioso. Por baixo do calção dos Chicago Bulls ele usava o calção da Universidade da Carolina do Norte. O motivo? A quantidade de pontos que o campeão conseguiu quando jogou pela Universidade: foram 1.788 pontos em 101 partidas. A estratégia parece ter dado certo: Jordan foi seis vezes campeão pela NBA, tem duas medalhas de ouro olímpicas (1984 e 1992), além de muitos outros títulos.

Comportamento ajuda a superar crises

As superstições fazem parte do nosso cotidiano há milhares de anos. Na revista SuperInteressante, o biólogo americano Kevin Foster, da Universidade de Harvard, afirma que associações entre causa e efeito, mesmo sem embasamento racional — ou seja, as superstições —, acabavam por proteger os primeiros humanos de certos perigos, aumentando suas chances de sobrevivência. Para muitas pessoas, os comportamentos supersticiosos proporcionam uma sensação de controle e reduzem a ansiedade. Por isso, eles tendem a aumentar em momentos de estresse e angústia, como nos períodos de crise econômica e incertezas políticas e sociais.

De certa forma, as superstições colaboram para promover uma atitude mental positiva. E, se na superstição em si não há nada de científico, já foi comprovado que o otimismo faz milagres na nossa busca pela saúde, sucesso e felicidade.

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