Eu sou a moça de sorriso lascivo e vestido provocante que passa do outro lado da rua. Eu sou o funk, o rap e todas as outras vozes que você quer calar. Eu sou as selfies, o auto-elogio rasgado e o exagero. Eu sou o completo desbunde.

Eu sou a ideia que você rejeita sem nem mesmo ter considerado. Eu sou os seus temores mais íntimos, a sua recusa e o seu recuo. E eu sou o sorriso desavergonhado e inconveniente que rompe o silêncio.

Eu sou o neon no letreiro, o carro sem freio, o barulho de buzinas, de vozes atropeladas e de pensamentos discordantes. Eu sou o disse me disse, o falatório, a praça de alimentação lotada e a loja de brinquedos na véspera de Natal. Eu sou o próprio McDonalds!

Eu sou uma piada maliciosa, um trocadilho infame, um descuido gramático e um quadro torto na parede. E sempre vou ser o borrão de tinta colorida na sua parede branca.

Eu sou a velha louca dos gatos, o profeta de rua e o palhaço que passa o chapéu. E também sou Gil, Caetano, Godard e a Kim Kardashian. Pois é, eu sou a cultura, a usura e a gastura. E tem mais, eu sou o salto alto da vizinha do andar de cima, desfilando no meio da madrugada.

Eu sou o vento que precede a tempestade. Eu nasci para o caos ou foi o caos quem me escolheu? Eu sou uma pergunta sem resposta. Eu sou o próprio caos, eu sou cáustico.

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Felipe Souza é escritor, jornalista, editor de conteúdo para a internet e agora também podcaster. E, além disso, um leitor voraz e um curioso sobre os mais diversos assuntos.