A extinção das aprendizes de Kardashians

Se você não é capaz de compreender sequer um artigo de opinião, imagine a magnitude transformadora de uma pandemia.

Ana Macarini

Deixa eu te contar uma coisa: se você anda fazendo planos pra “vender” artigos fúteis no futuro, não haverá compradores para os seus produtos.

A explicação é simples: estes compradores, os que se encaixam na categoria, continuaram circulando por aí, quando deveriam ficar em casa (e não estou falando dos que TÊM QUE TRABALHAR, porque a maioria desses se cuida), ou vão ser os primeiros a correr pras lojas pra comprar coisas inúteis, quando começar a abrir o comércio.

Ou seja, VÃO ADOECER! Muitos vão sucumbir. Os que sobreviverem à doença, sairão dela diferentes do que eram antes; porque, acredite – COVID 19 não é MESMO só uma gripezinha. E essas bugigangas inúteis não vão ter valor algum, posto que a oferta será infinitamente maior do que a procura.

Este mundo tosco, onde impera a baboseira do discurso dos “gurus” do empreendedorismo está com os dias contados. “Querer é poder!”; “Levanta daí, gigante!”; “As crises são o trampolim do mais forte!”.

A gente vai voltar pra um mundo pós-guerra!

Acorda!!! Procura algo útil pra oferecer!

As pessoas precisarão de cuidados reais, não de coisas ou discursos motivacionais vazios!
Caso você não tenha percebido, nós fomos derrotados por um vírus! Um vírus! Não dá nem pra ver a olho nu! E, se de fato há algum propósito em tudo isso, é a gente parar de rodar no brinquedinho de hamster, esperar a tontura passar e descobrir alguma função mais nobre pra nossa vida que não seja apenas CONSUMIR!

Os aficcionados pelos bíceps, tríceps, glúteos definidos e barrigas de gominhos – não os que se exercitam porque é saudável mexer o corpo -, falo dos obcecados… vão se afogar na própria vaidade. Tem academia funcionando clandestinamente. Tem personal jurando que atende um cliente por dia e está mentindo; está circulando com o vírus de casa em casa.

Os hipnotizados pelas intervenções estéticas vão ser reduzidos a um grupinho de gatos pingados, porque as “clínicas populares” vão quebrar. Só os muito endinheirados vão poder pagar por milagres cosméticos; só sobrarão os estabelecimentos que cobram literalmente os olhos da cara.

Os pais que estão em casa, tendo de acompanhar seus filhos em aulas online, muitos deles estão descobrindo que vinham investindo seu rico dinheirinho em uma espelunca, fantasiada de escola. A falta de preparo de alguns professores, professoras e respectivos estabelecimentos de ensino, estão aparecendo escancaradas nas telas de laptops, tablets e smartphones; com pouquíssimas honrosas exceções. Muitos pais estão se dando conta de que suas crianças sofrem com dificuldades de ensinagem, não de aprendizagem. Tem muita escola que, ou assume que vinha fazendo um trabalho tacanho e se reinventa, ou vai fechar as portas.

Vem emergindo aí uma galera que pensa, que tem outras prioridades, que quer reduzir o lixo, que prefere uma vida mais simples a ser escravo do trabalho. E antes que alguém me acuse de estar atacando os hábitos saudáveis e de boa higiene; antes que alguém grite que eu sou contra TODAS as instituições de ensino; que eu quero que os pequenos comerciantes e microempresários se ferrem, que se eu gosto de miséria, eu que vá pra Cuba ou pra Venezuela… não é disso que se trata. Se foi isso que você entendeu até aqui, assim que tudo isso passar, trate de buscar um curso de interpretação de texto, porque a coisa tá feia. Mais feia do que você possa supor; porque se você não é capaz de compreender sequer um artigo de opinião, imagine a magnitude transformadora de uma pandemia.

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Ana Macarini
"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"