Jacqueline Bisset chegou aos 79 anos mantendo uma característica que a acompanha desde o início da carreira: uma presença marcante diante das câmeras. Com os cabelos castanhos, olhos verdes e traços expressivos, a atriz britânica construiu uma imagem reconhecível em Hollywood sem depender de mudanças radicais na aparência.
Nascida em 1944, em Weybridge, na Inglaterra, Bisset começou a atuar no cinema na década de 1960. Sua estreia aconteceu em Cul-de-Sac, dirigido por Roman Polanski, em 1966. Dois anos depois, ganhou maior projeção ao aparecer em filmes como The Detective, ao lado de Frank Sinatra, e Bullitt, com Steve McQueen. Também recebeu sua primeira indicação ao Globo de Ouro por The Sweet Ride.
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A partir daí, vieram trabalhos em filmes que marcaram diferentes momentos de sua carreira, entre eles Casino Royale (1967), Day for Night (1973), Murder on the Orient Express (1974), The Deep (1977) e Under the Volcano (1984). Ao longo das décadas, Bisset também passou a trabalhar com frequência na televisão, ampliando o repertório de personagens.
Seu reconhecimento profissional ganhou um capítulo importante em 2014, quando recebeu o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme para televisão por Dancing on the Edge. A vitória aconteceu depois de décadas de carreira e de outras quatro indicações ao prêmio.
Bisset também demonstrou interesse por personagens que lhe permitissem fugir da imagem de mulher sofisticada e glamourosa que muitas vezes acompanhou sua trajetória. Em entrevistas, ela já falou sobre seu interesse por histórias mais humanas e por personagens de diferentes condições sociais.
Esse cuidado com a própria carreira ajuda a explicar por que sua trajetória não ficou presa aos filmes de sua juventude. Em Loren & Rose, de 2022, Bisset interpretou Rose Martin, uma atriz veterana tentando recuperar espaço profissional. O papel exigia que ela sustentasse praticamente todo o filme em cena, e a atuação foi apresentada pelo diretor Russell Brown como bastante diferente da personalidade real da atriz.
Fora das telas, Bisset também chamou atenção por falar abertamente sobre envelhecimento e aparência. Em uma entrevista ao The Guardian, em 2019, ela afirmou que acreditava que sua permanência profissional poderia estar relacionada ao fato de nunca ter recorrido à cirurgia plástica, dizendo que preferia manter uma aparência real.
Ela também já declarou que nunca se sentiu atraída pela ideia de procedimentos estéticos para parecer mais jovem. Para Bisset, uma mudança desse tipo poderia fazer alguém parecer diferente, em vez de simplesmente mais jovem.
Essa postura, somada à longevidade profissional, tornou sua imagem particularmente interessante para o público. Em vez de desaparecer das telas depois dos grandes sucessos das décadas de 1960 e 1970, Bisset continuou trabalhando e assumindo personagens em diferentes fases da vida.
Em 2022, durante a estreia de Loren & Rose, ela recebeu ainda um prêmio pelo conjunto da carreira no Sonoma International Film Festival. A homenagem veio depois de mais de cinco décadas atuando no cinema.
A beleza de Jacqueline Bisset continua sendo um dos aspectos mais comentados sobre ela, mas sua filmografia mostra por que reduzi-la a isso seria contar apenas uma parte da história. Ela atravessou diferentes períodos do cinema, trabalhou com alguns dos maiores nomes de Hollywood e segue sendo lembrada tanto pela aparência quanto pela capacidade de permanecer relevante como atriz.
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