Durante boa parte da carreira de Sharon Stone, seu corpo foi tratado como assunto público. Revistas, filmes, premiações e listas de celebridades ajudaram a transformar a atriz em um dos grandes símbolos sexuais dos anos 1990. Quando sua saúde entrou em risco, porém, ela descobriu que até uma decisão médica sobre o próprio corpo poderia provocar resistência dentro de casa.
Aos 68 anos, Stone voltou ao episódio durante uma entrevista ao podcast “The Person Who Believed in Me”, apresentado pelo jornalista David Begnaud. A atriz contou que médicos encontraram grandes tumores em suas mamas no início dos anos 2000. Um deles, segundo ela, era maior do que seu seio esquerdo.
A situação preocupou tanto a equipe médica que um dos profissionais foi até sua casa conversar sobre as possibilidades de tratamento.
“Achamos que você deveria fazer uma mastectomia bilateral. Isso é muito sério”, teria dito o médico, segundo a recordação da atriz. Os profissionais temiam que as massas fossem cancerígenas devido ao tamanho e à extensão delas.
Sharon Stone decidiu que não correria o risco
A reação de Stone foi rápida. Mesmo afirmando ao médico que acreditava não estar com câncer, ela decidiu que, diante daquela suspeita, aceitaria a retirada das duas mamas caso fosse necessário.
“Estou decidindo que farei uma bilateral, porque não vou brincar com isso”, relatou.
Foi nesse momento que a atitude de seu então marido a surpreendeu.
Segundo Sharon, ele considerou sua decisão “ridícula”, levantou-se e simplesmente deixou o cômodo.
Ao ouvir o relato décadas depois, David Begnaud quis entender exatamente o que havia provocado aquela reação.
“Qual parte era ridícula?”, perguntou o apresentador.
A resposta de Stone foi direta: a possibilidade de ela fazer a mastectomia bilateral.
“Ele ficou furioso”, contou a atriz.
Begnaud então levantou uma questão ainda mais incômoda: a irritação do marido não estava relacionada à possibilidade de o câncer colocar a vida dela em risco?
“Não, não”, respondeu Sharon.
Para ela, a preocupação dele estava concentrada na possibilidade de seus seios serem retirados.
Leia também: O 1º perfume que você escolher vai revelar se você tem bom gosto para o luxo ou apenas tenta parecer chique
“Eu tomo as decisões, não você”
O próprio médico teria reagido à postura do marido.
Stone contou que o profissional disse a ele que, se tivesse mais pacientes dispostas a tomar decisões como aquela diante de uma suspeita grave, haveria mais mulheres vivas.
A atriz também deixou clara sua posição diante do companheiro:
“Eu tomo as decisões, não você.”
Foi ali, segundo ela, que percebeu que seu casamento havia terminado.
“Aquilo foi o fim do casamento. Foi isso. Ele terminou comigo ali. Acabou”, recordou. Para Stone, tornou-se evidente naquele instante que o relacionamento não continuaria da mesma maneira.
A atriz não disse o nome do marido ao narrar o episódio no podcast. Pelo período mencionado, ela estava casada com o jornalista Phil Bronstein, com quem se relacionou oficialmente entre 1998 e 2004. Os dois também adotaram juntos Roan, primeiro filho de Stone.
Antes dele, Sharon havia sido casada com o produtor Michael Greenburg, entre 1984 e 1990.
Os tumores acabaram sendo benignos
Apesar da suspeita inicial, Sharon Stone descobriu posteriormente que os tumores não eram cancerígenos.
Esse detalhe é importante para compreender o que aconteceu. A atriz recebeu a recomendação de uma possível mastectomia bilateral e afirmou que estava preparada para realizá-la. Os registros sobre o procedimento de 2001, porém, relatam que os tumores benignos foram retirados e que Stone passou por uma cirurgia de reconstrução mamária.
E outro problema bastante sério ocorreu durante essa cirurgia.
Anos depois, Stone revelou que o cirurgião responsável pela reconstrução colocou implantes maiores do que os combinados sem sua autorização.
A atriz contou que percebeu a mudança ao retirar as bandagens e descobrir que seus seios estavam cerca de uma medida maiores. Ao questionar o médico, ouviu que ele acreditava que seios maiores combinariam melhor com o tamanho de seus quadris.
“Ele mudou meu corpo sem meu conhecimento ou consentimento”, afirmou Stone ao recordar o episódio.
A aparência de Sharon Stone já havia sido transformada em assunto mundial
Há uma ironia na história. Quando passou pelo problema de saúde em 2001, Sharon Stone já carregava havia anos o rótulo de símbolo sexual.
A transformação aconteceu principalmente depois de “Instinto Selvagem”, lançado em 1992. Sua interpretação de Catherine Tramell tornou-se uma das atuações mais comentadas daquela década e fez sua imagem circular pelo mundo.
No MTV Movie Awards de 1993, Stone venceu inclusive a categoria “Most Desirable Female”, algo como “Mulher Mais Desejada”. Nos dois anos seguintes, voltou a ser indicada à mesma categoria por Sliver e O Especialista.
Uma pesquisa realizada na França pelo instituto Ipsos em 1998 colocou Sharon Stone entre as mulheres consideradas mais sexy pelos entrevistados. Entre as personalidades contemporâneas apresentadas na pesquisa, ela ficou em primeiro lugar, à frente de nomes como Sophie Marceau, Claudia Schiffer, Cindy Crawford e Madonna.
Portanto, a fama ligada à sensualidade já existia antes do problema nas mamas. O episódio médico acrescentaria posteriormente um contraste desconfortável a essa imagem: enquanto milhões de pessoas enxergavam seu corpo como parte da figura pública de Sharon Stone, ela enfrentava, dentro de uma consulta médica, uma discussão muito mais básica sobre quem tinha o direito de decidir o que aconteceria com ele.
2001 ainda reservaria outro grave problema de saúde
Aquele período foi especialmente difícil para Stone.
No mesmo ano em que precisou retirar os tumores das mamas, a atriz sofreu um derrame cerebral e uma hemorragia subaracnoidea. O problema foi grave e colocou sua vida em risco, além de provocar um longo processo de recuperação.
Sua carreira sofreu consequências e ela precisou reaprender habilidades básicas durante a recuperação. Ainda assim, continuou trabalhando nos anos seguintes e voltou a aparecer em produções de cinema e televisão.
A relação pública com sua aparência também continuou acompanhando a atriz com o passar dos anos. Em entrevistas posteriores, Stone passou a falar de maneira mais aberta sobre envelhecimento, sensualidade e sobre a diferença entre aquilo que outras pessoas esperam de sua aparência e a forma como ela própria enxerga o corpo.
O relato feito em 2026 acabou revelando algo que permanecera fora dessa narrativa por mais de duas décadas: quando surgiu a possibilidade real de perder os seios para proteger sua saúde, Sharon Stone afirma ter descoberto que o homem ao seu lado estava mais incomodado com essa escolha do que com o risco que ela enfrentava.
Leia também: Uma das grandes musas dos anos 60 recusou o Botox — e sua aparência aos 80 chama atenção
Compartilhe o post com seus amigos! 😉