Em 1978, eles fizeram sucesso absoluto na TV e posaram para esta foto sem imaginar o que viria depois

Há fotografias antigas de televisão que sobrevivem porque registram um programa famoso. Outras ganham uma camada extra com o passar do tempo. É o caso do registro de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli em “Aritana”, produção da TV Tupi exibida entre 1978 e 1979. A imagem remete a um trabalho decisivo para os dois atores e também ao período em que eles se conheceram e iniciaram uma relação que permanece até hoje.

Na fotografia de divulgação da novela, Bruna aparece caracterizada como Estela Bezerra, enquanto Riccelli surge como Aritana, protagonista que dava nome à produção. Vista atualmente, a cena ajuda a recuperar um momento específico da televisão brasileira, quando a Tupi ainda disputava audiência com a Globo e investia em grandes produções pouco antes de encerrar suas atividades, em 1980.

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“Aritana” levou uma questão indígena para a faixa nobre da TV

Escrita por Ivani Ribeiro, autora que posteriormente assinaria títulos conhecidos também na Globo, “Aritana” estreou em 13 de novembro de 1978 e permaneceu no ar até 30 de abril de 1979. A produção teve cerca de 146 capítulos e reuniu, além de Bruna e Riccelli, nomes como Jaime Barcelos, John Herbert, Carlos Vereza, Geórgia Gomide, Jorge Dória e Othon Bastos.

A história acompanhava Aritana, filho de mãe indígena e pai branco, envolvido em uma disputa pelas terras que receberia como herança. Seu tio, um fazendeiro interessado em negociar a propriedade com estrangeiros, tentava impedir que ele tivesse direito à área. Estela, vivida por Bruna, era uma veterinária que acabava se aproximando do protagonista e se envolvendo diretamente no conflito.

Parte das gravações aconteceu no Parque Indígena do Xingu, e os irmãos Orlando e Cláudio Villas-Bôas participaram como consultores da produção. Riccelli passou um período na região para acompanhar práticas e costumes locais antes e durante as filmagens.

Olhada com os critérios atuais, a novela também traz escolhas que merecem ser contextualizadas. O protagonista indígena foi interpretado por um ator não indígena, e análises acadêmicas posteriores apontaram problemas e estereótipos na maneira como povos originários foram representados. É uma diferença importante entre recordar uma produção histórica e reproduzir, sem crítica, conceitos comuns na televisão daquele período.

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Bruna e Riccelli estavam diante de um dos trabalhos mais importantes daquele período

Quando recebeu o convite para “Aritana”, Bruna Lombardi ainda estava no começo de sua trajetória como atriz de televisão. Ela havia estreado na Globo em “Sem Lenço, Sem Documento”, em 1977, e rapidamente ganhou projeção. A própria Bruna recordou posteriormente o impacto daquela exposição repentina e o assédio provocado pela fama. Ivani Ribeiro então a convidou para a nova produção da Tupi e escreveu Estela pensando nela.

Carlos Alberto Riccelli já acumulava vários trabalhos na emissora. Antes de protagonizar “Aritana”, havia participado de produções como “A Viagem”, em 1975, e “Éramos Seis”, em 1977. Seu desempenho nesta última teria pesado na escolha para assumir o personagem central da nova novela de Ivani Ribeiro.

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A produção enfrentava uma concorrência bastante ingrata: começou sendo exibida no mesmo período de “Dancin’ Days”, fenômeno da Globo escrito por Gilberto Braga. A Tupi chegou a alterar o horário de “Aritana”, estratégia que ajudou a produção a encontrar público em outra faixa. Décadas mais tarde, a Folha descreveu a novela como um grande sucesso da emissora.

A permanência do trabalho na memória do público impressionou até a própria protagonista. Ao recordar “Aritana” em 2020, Bruna afirmou: “Nunca fiz novela, nem na Globo, que durasse tanto na memória das pessoas”.

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Foi durante “Aritana” que Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli se conheceram

O que nenhum roteiro da Tupi previa estava acontecendo fora das cenas.

Bruna e Riccelli se conheceram durante a preparação de “Aritana”, em 1978, antes de o elenco viajar para as gravações no Xingu. Em entrevista ao “Conversa com Bial”, os dois contaram que o primeiro contato aconteceu durante uma prova de figurinos. O envolvimento começou durante o trabalho, e os beijos de Estela e Aritana diante das câmeras passaram a esconder um detalhe que a equipe logo poderia perceber: os atores estavam se apaixonando também fora da ficção.

Em entrevista exibida em 2026 pelo programa “Provoca”, da TV Cultura, Bruna voltou ao assunto e recordou o começo da relação. Os dois estão juntos desde 1978, somando aproximadamente 48 anos de convivência.

O casal teve um filho, Kim Riccelli, nascido em 1981, que também seguiu carreira ligada ao audiovisual e já trabalhou profissionalmente com os pais.

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Depois de “Aritana”, os dois construíram carreiras muito diferentes

A novela ficou longe de ser o último grande papel de qualquer um deles.

Bruna consolidou sua carreira durante os anos seguintes. Participou de “Avenida Paulista”, “Louco Amor”, “Grande Sertão: Veredas”, “Memórias de um Gigolô” e “Roda de Fogo”, entre outras produções. Em paralelo à atuação, desenvolveu uma carreira como escritora, poetisa, roteirista e apresentadora.

Riccelli também se transformou em um rosto frequente da televisão e do cinema. Uma década depois de “Aritana”, ganhou um de seus personagens mais famosos: César Ribeiro, de “Vale Tudo” (1988), parceiro de Maria de Fátima, interpretada por Gloria Pires, e amante de Odete Roitman, vivida por Beatriz Segall. O personagem colocou o ator no centro de uma das novelas mais comentadas da história da Globo.

Ele também esteve em trabalhos como “Sétimo Sentido”, “Riacho Doce”, “A Indomada” e “Chiquinha Gonzaga”, passando posteriormente a dedicar mais espaço à direção. Entre seus projetos como diretor está o filme “O Signo da Cidade”, roteirizado e protagonizado por Bruna.

Décadas depois de “Aritana”, os dois ainda voltariam a dividir um projeto de ficção. Entre 2017 e 2019, participaram da série da HBO “A Vida Secreta dos Casais”. Bruna interpretou Sofia Prado e esteve envolvida na criação e no roteiro, enquanto Riccelli interpretou o detetive Luís e trabalhou também na direção. O filho Kim participou da direção da produção.

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Como Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli estão hoje

Em 2026, Bruna Lombardi completou 75 anos e continua ligada principalmente à literatura, à escrita e a projetos autorais. Em 2025, esteve em São Paulo para o relançamento de seu romance “Filmes Proibidos”, publicado originalmente em 1990, acompanhada por Riccelli e pelo filho Kim.

A atriz também voltou recentemente a falar sobre a decisão de diminuir sua presença em novelas durante o auge da carreira. Ela explicou que preferiu preservar a infância do filho da forte exposição pública e passou um período nos Estados Unidos, seguindo posteriormente por outros caminhos profissionais além da atuação.

Carlos Alberto Riccelli completou 80 anos em julho de 2026. Bem mais discreto atualmente, está afastado das novelas desde sua participação em “Guerra dos Sexos”, em 2012, embora tenha trabalhado posteriormente em projetos de cinema e séries, inclusive “A Vida Secreta dos Casais”.

Quase cinco décadas depois daquela produção da TV Tupi, Bruna e Riccelli continuam juntos. Em uma aparição de 2026, ela chegou a convencer o marido, conhecido pela discrição, a aparecer em um vídeo por ocasião dos 80 anos dele. E a fotografia dos dois em “Aritana”, feita quando suas carreiras ainda tinham muitos capítulos pela frente, acabou preservando também o começo de uma parceria pessoal e profissional iniciada em 1978.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.