Existe idade para tratar um trauma? Por que nunca é tarde para procurar ajuda

Uma experiência dolorosa pode permanecer conosco durante décadas.

Algumas pessoas chegam aos 50, 60, 70 ou 80 anos carregando lembranças sobre as quais quase nunca falaram.

Durante boa parte da vida, talvez tenham acreditado que não havia sentido em procurar ajuda.

“Aconteceu há muito tempo.”

“Agora já passou.”

“Na minha idade, não adianta mexer nisso.”

Essas frases são comuns. Mas tempo de vida não é o mesmo que resolução emocional.

Traumas não possuem prazo de validade

Uma experiência antiga pode continuar influenciando sentimentos e comportamentos muitos anos depois.

Situações vividas na infância podem repercutir na velhice.

Relacionamentos abusivos, perdas, violências, acidentes ou períodos de intensa insegurança podem deixar marcas emocionais duradouras.

Isso não significa que toda lembrança dolorosa precise obrigatoriamente ser tratada.

A questão é observar se aquela experiência ainda produz sofrimento ou limita a vida da pessoa.

Por que lembranças antigas podem reaparecer?

Mudanças importantes podem trazer experiências do passado novamente para o primeiro plano.

A aposentadoria, por exemplo, modifica a rotina e cria mais espaço para reflexões.

A perda de alguém próximo pode reativar lembranças de outras perdas.

O envelhecimento também pode levar a pessoa a revisitar sua própria história.

É nesse momento que questões consideradas “resolvidas” podem mostrar que ainda possuem forte carga emocional.

Idosos também podem fazer psicoterapia

Psicoterapia não é exclusiva de jovens adultos.

Pessoas idosas podem trabalhar conflitos familiares, luto, ansiedade, experiências traumáticas e diversos outros aspectos emocionais.

Inclusive memórias ocorridas há muitas décadas.

Profissionais como a psicóloga Josie Conti, especialista em EMDR e atendimento online, trabalham com a possibilidade de processamento de experiências antigas respeitando a história, o ritmo e as condições de cada paciente.

EMDR pode trabalhar lembranças antigas?

O EMDR é uma abordagem utilizada para trabalhar memórias perturbadoras.

A idade da lembrança, isoladamente, não determina se ela pode ou não ser abordada em psicoterapia.

Uma experiência ocorrida cinquenta anos atrás continua fazendo parte da memória emocional de uma pessoa.

O tratamento procura modificar a forma como aquela lembrança é processada no presente, e não alterar aquilo que realmente aconteceu.

A ideia de que “agora é tarde demais” pode ser uma prisão

Muita gente passou grande parte da vida em épocas nas quais falar sobre saúde mental era muito menos comum.

Traumas familiares eram escondidos.

Violências eram silenciadas.

Sofrimento emocional era frequentemente tratado como fraqueza.

Não é surpreendente que algumas pessoas somente mais tarde encontrem espaço para falar sobre aquilo que viveram.

Isso não significa que perderam sua oportunidade.

O passado não muda, mas a forma de carregá-lo pode mudar

Não existe terapia capaz de modificar aquilo que aconteceu.

Mas existe a possibilidade de construir uma relação diferente com aquela experiência.

Uma lembrança pode deixar de provocar a mesma culpa.

Uma situação pode deixar de despertar o mesmo medo.

Uma história difícil pode continuar sendo parte da vida sem ocupar todo o espaço emocional disponível.

Por isso, quando uma experiência antiga continua provocando sofrimento, a idade não deveria ser o motivo para desistir de procurar ajuda.

Às vezes, cuidar hoje de algo que aconteceu há décadas é justamente uma maneira de viver os próximos anos com mais liberdade.







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