Fama, dinheiro e reconhecimento público podem abrir portas, mas não alteram o funcionamento de uma sentença criminal. A lista de celebridades que passaram algum período atrás das grades é enorme e inclui prisões breves por embriaguez ao volante, posse de drogas, fraude fiscal e outros delitos. Há, porém, um grupo em situação bem diferente: pessoas conhecidas do cinema, da música, da televisão, dos esportes e da internet que, em agosto de 2026, continuam cumprindo penas ou mantidas sob custódia.
Algumas receberam condenações de décadas. Outras têm penas que podem se estender pelo restante da vida. E há ainda quem esteja preso preventivamente enquanto o processo continua. O rapper Sean Combs, o P. Diddy, por exemplo, enfrentou acusações que poderiam resultar em prisão perpétua, mas foi absolvido das imputações mais graves e acabou condenado a 50 meses de prisão por dois crimes relacionados ao transporte de pessoas para prostituição.
No Brasil, casos recentes como os de Nego Di e do ex-jogador Jô também produziram grande repercussão, mas eles já deixaram a prisão. A relação abaixo se concentra em personalidades que permanecem presas, sob regime de custódia ou, quando indicado, em situação cautelar.
Vale uma observação: nos Estados Unidos e no Canadá, expressões como “32 years to life” ou “40 years to life” significam que o condenado precisa cumprir um período mínimo antes de poder pleitear liberdade condicional. Portanto, “prisão perpétua” nesses casos não significa necessariamente que a pessoa jamais poderá deixar a cadeia.
Goleiro Bruno Fernandes
Ex-goleiro do Flamengo e campeão brasileiro pelo clube, Bruno Fernandes foi condenado pelo sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza Samudio, desaparecida em 2010. Sua pena originalmente ultrapassou 22 anos, e ele passou por diferentes regimes ao longo do cumprimento.
Em janeiro de 2023, Bruno havia obtido liberdade condicional. A situação mudou em 2026, depois que ele viajou para o Acre sem autorização judicial. A Justiça revogou o benefício e determinou sua regressão ao regime semiaberto. Em maio, após ser preso, a Justiça do Rio determinou sua permanência em estabelecimento compatível com esse regime.
Nick Pasqual
O ator norte-americano Nick Pasqual teve pequenas participações em produções televisivas, entre elas How I Met Your Mother. Em 2026, seu nome passou a aparecer por uma razão muito mais grave.
Pasqual foi considerado culpado de tentativa de homicídio após atacar sua ex-namorada, a maquiadora Allie Shehorn, dentro da casa dela, na Califórnia. Segundo a acusação, Shehorn recebeu mais de 20 golpes de faca e sobreviveu depois de passar por cirurgias e um longo tratamento.
Em 2 de junho de 2026, Pasqual foi condenado a 32 anos de prisão até a possibilidade de prisão perpétua. Além da tentativa de homicídio, ele foi condenado por outros crimes, entre eles invasão residencial e violência contra a então companheira.
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Shannon Richardson
Quem assistiu a séries como The Walking Dead talvez nem se lembre de Shannon Richardson, que apareceu em papéis pequenos. Fora das telas, porém, ela se tornou protagonista de um caso federal bastante incomum.
Em 2013, Richardson enviou cartas contaminadas com ricina, substância altamente tóxica, para destinatários que incluíam o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o então prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Ela inicialmente tentou atribuir a responsabilidade ao marido.
Richardson declarou-se culpada e, em 2014, recebeu 18 anos de prisão, além de restituição financeira e liberdade supervisionada depois do cumprimento da pena. Permanece no sistema penitenciário federal americano, com libertação projetada para 2028.
Ryan Grantham
Ryan Grantham começou a atuar ainda criança e apareceu em produções como Riverdale e Diário de um Banana. Em 2020, matou a própria mãe, Barbara Waite, dentro da residência da família, no Canadá.
O ator se declarou culpado de homicídio em segundo grau. Em setembro de 2022, a Suprema Corte da Colúmbia Britânica determinou prisão perpétua, com possibilidade de solicitar liberdade condicional somente depois de cumprir 14 anos.
Isso significa que Grantham permanece condenado à prisão por tempo indeterminado e não poderá sequer pleitear a liberdade condicional antes de aproximadamente 2036.
Sean Combs, o P. Diddy
Poucos processos criminais envolvendo uma figura da indústria musical receberam tanta atenção quanto o julgamento de Sean “Diddy” Combs.
O empresário e rapper foi acusado nos Estados Unidos de crimes que incluíam tráfico sexual e conspiração para extorsão. Em julho de 2025, porém, o júri o absolveu dessas acusações mais graves e o considerou culpado de dois crimes relacionados ao transporte de pessoas para fins de prostituição.
Em outubro daquele ano, Combs recebeu 50 meses de prisão, pouco mais de quatro anos, além de multa de US$ 500 mil e cinco anos de liberdade supervisionada. Ele está cumprindo pena na prisão federal de Fort Dix, em Nova Jersey. Registros penitenciários tiveram sua previsão de saída alterada algumas vezes durante o cumprimento da pena.
Álvaro Jacomossi Júnior
O brasileiro Álvaro Jacomossi Júnior teve carreira internacional como modelo, trabalhando para marcas como Versace, Guess e Ralph Lauren. Também ficou conhecido pelo casamento com a modelo Isabeli Fontana.
Em fevereiro de 2026, foi preso em Florianópolis depois de ficar 11 dias foragido. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga a suspeita de que ele fornecia drogas em festas de alto padrão. Em uma operação anterior, policiais disseram ter encontrado drogas fracionadas, arma sem registro e munições.
Seu caso é diferente dos de pessoas já condenadas nesta lista: a prisão divulgada pelas autoridades foi cautelar, e sua defesa ressaltou que a medida não representava uma declaração de culpa. As informações públicas localizadas sobre o caso ainda o colocavam à disposição da Justiça, sem condenação definitiva divulgada.
Danny Masterson
Danny Masterson ficou conhecido principalmente pelo papel de Steven Hyde na série That ’70s Show. Décadas depois do auge da produção, acusações de violência sexual levaram o ator a julgamento na Califórnia.
Em 2023, Masterson foi condenado por dois estupros cometidos no início dos anos 2000. O juiz determinou duas penas consecutivas de 15 anos a prisão perpétua, chegando a 30 anos até a possibilidade de prisão perpétua.
Na prática, ele terá de cumprir décadas de pena antes de poder buscar liberdade condicional. O caso também ganhou atenção pela relação do ator e das vítimas com a Igreja da Cientologia, tema amplamente discutido durante e depois do julgamento.
Kris Wu
Kris Wu alcançou enorme popularidade na Ásia como integrante do grupo EXO e depois construiu carreira solo como cantor, ator e modelo.
Essa trajetória foi interrompida em 2021, quando ele foi detido na China. Em 2022, um tribunal de Pequim o condenou por estupro e por participação em atividade sexual coletiva, crime previsto na legislação chinesa.
Wu recebeu 13 anos de prisão, seguidos de deportação. Em novembro de 2023, um tribunal de segunda instância manteve a condenação. Ele continua cumprindo a pena na China.
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Hytalo Santos
O influenciador brasileiro Hytalo Santos construiu uma audiência de milhões de seguidores com vídeos de dança, humor e rotina nas redes sociais.
Em agosto de 2025, ele e o marido, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, foram presos preventivamente durante uma investigação envolvendo adolescentes. Em fevereiro de 2026, Hytalo foi condenado em primeira instância a 11 anos e quatro meses de prisão em processo envolvendo exploração sexual de adolescentes. A defesa recorreu.
A Justiça decidiu mantê-lo preso durante a tramitação do recurso. Em agosto de 2026, veículos pertencentes ao influenciador também permaneciam envolvidos em outro processo, de natureza trabalhista, e ele seguia preso preventivamente.
Michael Jace
Michael Jace interpretou o policial Julien Lowe durante várias temporadas de The Shield. Em maio de 2014, o ator matou a esposa, April Jace, com tiros dentro da residência da família em Los Angeles.
Ele foi considerado culpado de homicídio em segundo grau. Em 2016, recebeu uma pena de 40 anos até prisão perpétua: 15 anos até perpétua pelo homicídio, acrescidos de 25 anos até perpétua pelo uso da arma.
Jace permanece encarcerado e só terá possibilidade de liberdade depois de cumprir o período mínimo estabelecido pela sentença.
Joe Exotic
O nome verdadeiro de Joe Exotic é Joseph Maldonado-Passage, mas o apelido “Tiger King” tornou-se conhecido mundialmente depois do documentário da Netflix lançado em 2020.
Quando a série estreou, ele já estava preso. Joe foi condenado por dois crimes relacionados à contratação de pessoas para matar sua rival Carole Baskin, além de diversas violações das leis federais de proteção à fauna.
A sentença inicial de 22 anos foi posteriormente reduzida para 21 anos de prisão. Em março de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos recusou analisar mais uma tentativa de contestar sua condenação, mantendo o resultado do processo.
Elizabeth Holmes
Durante alguns anos, Elizabeth Holmes foi apresentada como uma das grandes jovens empresárias do Vale do Silício. Sua empresa, Theranos, chegou a ser avaliada em bilhões de dólares graças à promessa de realizar inúmeros exames usando pequenas quantidades de sangue.
As alegações sobre a tecnologia desmoronaram, e Holmes foi julgada por fraudar investidores. Em 2022, foi condenada por quatro crimes federais de fraude e conspiração e recebeu pena de 11 anos e três meses de prisão.
Ela começou a cumprir a sentença em 2023 em uma penitenciária federal de segurança mínima no Texas. Em 2026, continuava presa, com saída projetada para o fim de 2031, enquanto um pedido de comutação de pena permanecia pendente.
José Dumont
Com uma carreira iniciada nos anos 1970, José Dumont participou de filmes marcantes do cinema brasileiro, entre eles O Homem que Virou Suco, Abril Despedaçado e 2 Filhos de Francisco.
O ator já havia sido condenado em 2023 por armazenamento de material de abuso sexual infantil. Em março de 2026, foi preso novamente depois de uma nova condenação, desta vez por estupro de vulnerável envolvendo uma criança de 11 anos.
A nova sentença estabeleceu nove anos e quatro meses de prisão, e Dumont foi detido no Rio de Janeiro para iniciar o cumprimento da pena.
Gary Glitter
Paul Gadd, conhecido artisticamente como Gary Glitter, foi um dos nomes populares do glam rock britânico dos anos 1970. Sua carreira acabou soterrada por uma longa sequência de processos por crimes sexuais contra crianças.
Em 2015, ele recebeu 16 anos de prisão por crimes cometidos contra três meninas. Foi liberado sob licença em fevereiro de 2023 após cumprir metade da pena, mas voltou à cadeia semanas depois por violar as condições estabelecidas para sua liberdade.
Em 2025, o conselho responsável recusou outro pedido de libertação. E o caso ganhou um novo capítulo em agosto de 2026: Glitter compareceu por videoconferência a um tribunal londrino acusado de novos crimes sexuais históricos contra uma menina, acusações que ele nega. Ele permanece preso.
Josh Duggar
Josh Duggar tornou-se conhecido pelo reality show 19 Kids and Counting, que acompanhava a numerosa família Duggar nos Estados Unidos.
Em 2021, ele foi considerado culpado em um processo federal envolvendo material de abuso sexual infantil. No ano seguinte, recebeu uma sentença superior a 12 anos de prisão, acompanhada de um longo período de supervisão depois que deixar a cadeia.
Em julho de 2026, registros federais indicavam que Duggar havia sido transferido para a FCI Elkton, prisão de baixa segurança em Ohio. Sua libertação estava projetada para fevereiro de 2033.
Tory Lanez
O rapper canadense Tory Lanez, nome artístico de Daystar Peterson, foi condenado pelo episódio em que Megan Thee Stallion foi baleada nos pés depois de uma discussão ocorrida em 2020.
Em 2022, um júri o considerou culpado de três crimes relacionados ao disparo e à posse da arma. No ano seguinte, Lanez recebeu 10 anos de prisão.
Ele continua encarcerado. Em 2025, sofreu um grave ataque dentro de uma penitenciária da Califórnia, recebendo 16 golpes de uma arma improvisada. Sobreviveu e posteriormente processou o sistema penitenciário do estado em US$ 100 milhões, argumentando que funcionários falharam em protegê-lo.
Harvey Weinstein
O produtor Harvey Weinstein chegou a ocupar uma das posições mais influentes de Hollywood como cofundador da Miramax. As denúncias contra ele tiveram papel central na expansão do movimento #MeToo.
Seu histórico judicial tornou-se complexo porque envolve processos diferentes em Nova York e na Califórnia. A condenação de 2020 em Nova York foi anulada em 2024, levando a um novo julgamento. Em 2025, Weinstein voltou a ser condenado por um crime sexual no estado. Outra acusação terminou sem consenso do júri e acabou retirada em junho de 2026.
Independentemente dessas mudanças, Weinstein continua preso também por causa de uma condenação separada na Califórnia, onde recebeu 16 anos por estupro e agressão sexual. Em junho de 2026, um tribunal de apelações manteve a condenação, embora tenha determinado uma nova análise da sentença.
R. Kelly
Durante décadas, R. Kelly foi uma das figuras mais bem-sucedidas do R&B americano. Hoje, sua situação judicial o coloca diante de uma pena que deverá mantê-lo preso até a velhice.
Em Nova York, o cantor recebeu 30 anos por crimes que incluíram extorsão e violações da legislação federal relacionada ao transporte de pessoas para fins sexuais. Em outro processo, em Chicago, foi condenado a 20 anos por crimes envolvendo abuso sexual infantil, mas a maior parte dessa pena é cumprida simultaneamente com a anterior.
O resultado prático é uma pena combinada de aproximadamente 31 anos, com previsão de libertação somente em 2046. Em julho de 2026, seus advogados apresentaram formalmente um pedido para que sua sentença fosse comutada. Ele permanece preso enquanto o pedido está pendente.
Jared Fogle
Por 15 anos, Jared Fogle foi praticamente sinônimo das campanhas publicitárias da rede Subway nos Estados Unidos. Sua imagem estava associada à história de perda de peso que o transformou em celebridade publicitária.
Em 2015, ele admitiu crimes relacionados ao recebimento e à distribuição de material de abuso sexual infantil e a viagens para manter relações sexuais ilegais com menores.
Fogle recebeu 15 anos e oito meses de prisão, além de pagamento de indenizações às vítimas e supervisão pelo resto da vida depois da libertação. Continua encarcerado na FCI Englewood, no Colorado, com saída atualmente projetada para março de 2029.
Jerry Harris
Jerry Harris ganhou enorme popularidade depois de aparecer na série documental Cheer, da Netflix. Poucos meses depois do lançamento da produção, tornou-se alvo de uma investigação federal.
Harris foi acusado de crimes sexuais envolvendo menores e, em 2022, declarou-se culpado de duas acusações, incluindo recebimento de material de abuso sexual infantil e viagem com intenção de manter contato sexual ilegal com menor.
Recebeu 12 anos de prisão, seguidos de oito anos de liberdade supervisionada. Permanece cumprindo a sentença no sistema penitenciário federal dos Estados Unidos.
Mark Rogowski
Mark “Gator” Rogowski foi um dos skatistas profissionais mais conhecidos dos Estados Unidos durante a explosão comercial do esporte nos anos 1980.
Em 1991, ele matou Jessica Bergsten, de 22 anos. Rogowski confessou ter agredido, estuprado e assassinado a jovem. Posteriormente, declarou-se culpado e recebeu uma pena que permite liberdade condicional somente mediante aprovação das autoridades.
Nas últimas décadas, seu caso voltou diversas vezes ao conselho de liberdade condicional. Houve decisões favoráveis à sua saída, mas elas foram revertidas pelo governo da Califórnia. Em 2025, uma corte de apelações voltou a manter Rogowski atrás das grades.
Mel Hall
Mel Hall teve uma carreira de mais de uma década no beisebol profissional, defendendo equipes da MLB como Cleveland Indians e New York Yankees.
Anos depois de abandonar os campos, foi processado no Texas por crimes sexuais contra menores. Em 2009, um júri o considerou culpado pelo estupro de uma menina de 12 anos que ele havia conhecido enquanto trabalhava com uma equipe juvenil de basquete.
Hall recebeu 45 anos de prisão, uma das maiores penas entre os ex-atletas profissionais incluídos nesta relação.
Darren Sharper
Darren Sharper construiu uma carreira de destaque na NFL, venceu o Super Bowl e chegou a trabalhar como comentarista depois de se aposentar. Em seguida, investigações em diferentes estados americanos revelaram uma série de crimes sexuais.
Sharper admitiu ou não contestou acusações relacionadas a estupros de mulheres que, segundo os processos, eram drogadas antes dos ataques. No processo federal, também se declarou culpado de conspiração para distribuir medicamentos com a intenção de cometer estupro.
Ele foi condenado a 18 anos de prisão e permaneceu encarcerado por mais de uma década. Há, entretanto, uma diferença importante em relação aos demais nomes desta lista: em maio de 2026, Sharper foi transferido da prisão para um centro de reintegração comunitária, o equivalente americano a uma halfway house. Ele continua sob custódia federal, mas já não está em uma penitenciária convencional. Sua libertação está projetada para dezembro de 2028.
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