A decisão desta mãe sobre a mancha do bebê gerou revolta — até que o motivo veio à tona

Uma fotografia tirada logo após uma sessão de laser pode contar uma história bem diferente daquela que existe por trás dela. A pele fica escura, inchada e coberta por pontos arroxeados, uma reação que assusta quem desconhece o procedimento. Foi justamente esse recorte, visto sem contexto nas redes sociais, que colocou a australiana Brooke Atkins no centro de uma onda de ataques.

Brooke mora na região de Gold Coast, no estado de Queensland, com o companheiro, Kewene Wallace. Em janeiro de 2022, ela deu à luz Kingsley, seu segundo filho. O menino nasceu com uma extensa marca avermelhada que cobria aproximadamente metade do lado esquerdo do rosto, incluindo a região próxima ao olho.

A mancha foi identificada como uma malformação capilar conhecida como mancha vinho do Porto. Ela surge devido à presença de vasos sanguíneos dilatados sob a pele e pode variar entre tons de rosa, vermelho e roxo. Embora muitas dessas marcas não provoquem outros problemas, a localização no rosto, principalmente perto dos olhos e da testa, exige uma avaliação médica mais cuidadosa.

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Exames revelaram um problema além da pele

Nos primeiros dias de vida, Kingsley passou por ressonância magnética, ultrassom e exames oftalmológicos. Os dois primeiros não mostraram alterações preocupantes naquele momento, mas os médicos encontraram uma pressão muito elevada no olho esquerdo. O globo ocular já começava a aumentar de tamanho.

Antes de completar dois meses, o bebê foi submetido a dois procedimentos sob anestesia e recebeu um implante de drenagem para controlar o glaucoma. Uma segunda ressonância, feita com contraste, confirmou posteriormente o diagnóstico da síndrome de Sturge-Weber, condição rara associada a alterações nos vasos sanguíneos da pele, dos olhos e, em alguns casos, do cérebro.

O glaucoma é uma das complicações mais importantes da síndrome, pois pode danificar o nervo óptico e comprometer a visão. Ele pode estar presente desde o nascimento ou aparecer ao longo da infância, razão pela qual crianças com manchas vinho do Porto próximas aos olhos precisam de acompanhamento oftalmológico contínuo.

Brooke também recebeu dos especialistas a orientação de iniciar o tratamento da marca com laser pulsado. O procedimento emite feixes de luz direcionados aos vasos dilatados, reduzindo gradualmente a intensidade da coloração. O objetivo não era tratar o glaucoma ou as alterações neurológicas, que exigem cuidados específicos, mas preservar a pele e diminuir o risco de espessamento, formação de nódulos e sangramentos na área afetada ao longo dos anos.

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As imagens após o laser provocaram revolta

As primeiras aplicações começaram quando Kingsley ainda era bebê. Brooke passou a publicar vídeos e fotografias para mostrar a evolução do filho e explicar a condição a outras famílias. Nas imagens feitas logo depois das sessões, o rosto do menino aparecia bastante avermelhado e com manchas roxas.

A aparência é uma reação possível ao procedimento. Estudos sobre o tratamento apontam que dor, inchaço, formação de crostas e pequenas bolhas podem surgir temporariamente após a aplicação. A intensidade varia conforme o tipo de laser, a área atingida e os parâmetros definidos pela equipe médica.

O conteúdo rapidamente alcançou milhares de pessoas, mas parte dos comentários ignorou as explicações de Brooke. Alguns usuários a chamaram de “monstro” e disseram que ela estava machucando o próprio filho por vaidade. Houve quem sugerisse que o bebê era “mais bonito antes” e até quem fizesse comentários cruéis sobre sua vida.

Brooke contou que, no começo, chorava ao ler as mensagens e chegou a sentir culpa. Depois, decidiu responder publicamente e usar a repercussão para divulgar informações sobre a síndrome.

“Eles acham que estou fazendo isso para deixá-lo bonito. Mas o tratamento é para manter a pele saudável e evitar danos no futuro”, explicou a mãe ao rebater as acusações. Em outro momento, afirmou que repetiria a decisão: “Sei que fiz a coisa certa.”

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Kingsley precisou de várias sessões

Durante os primeiros meses, Kingsley passou por pelo menos três sessões de laser, segundo o relato publicado pela Sturge-Weber Foundation. Mais tarde, Brooke informou à Vascular Birthmarks Foundation que o filho havia realizado quatro aplicações e teria novas etapas do tratamento, algumas delas sob anestesia geral.

A terapia não costuma eliminar completamente a marca de uma só vez. As aplicações são espaçadas e clareiam progressivamente os vasos, mas os resultados diferem de uma pessoa para outra. A literatura médica indica que o laser pulsado pode reduzir a vermelhidão de forma significativa, embora tratamentos prolongados sejam comuns e a marca possa permanecer parcialmente visível.

Paralelamente, o menino seguiu acompanhado por dermatologistas, neurologistas e oftalmologistas. Aos sete meses, Brooke relatou que ele conseguia sentar sem apoio, dançava, apresentava bons movimentos musculares e ainda não havia sofrido convulsões, uma manifestação que pode ocorrer em pacientes com Sturge-Weber.

Com o passar do tempo, as fotografias mostraram a marca facial mais clara. Brooke continuou compartilhando a rotina médica do filho e passou a atuar na conscientização sobre malformações vasculares, tentando impedir que outras famílias recebessem o mesmo tipo de julgamento baseado em uma imagem isolada.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.