Tem comportamento infantil que, à primeira vista, parece estranho. Mas, quando a história por trás aparece, o que era dúvida vira um retrato duro do que aquela criança já enfrentou.
Foi isso que aconteceu com uma menina adotada por uma família de Santa Catarina: nos primeiros meses no novo lar, ela só conseguia pegar no sono em pé, apoiada na lateral do berço ou encostada.
O caso foi contado pelas mães Yara Laís Teixeira, de 24 anos, e Laís Tomio, de 29, do Vale do Itajaí. Segundo elas, a pequena Joana, de 3 anos, chegou à família em junho do ano passado e, por cerca de três meses, resistia ao sono até o limite.

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Quando o cansaço vencia, adormecia em pé, exausta. As mães relataram que nem colo, nem música, nem carinho imediato conseguiam fazê-la se deitar.
A explicação veio aos poucos e mexeu com quem acompanhou a história. De acordo com o relato da família, a menina estava profundamente traumatizada e tinha medo da insegurança, da noite e do que poderia acontecer depois de dormir.

Em vez de forçar uma adaptação rápida, as mães decidiram respeitar aquele tempo: permaneciam ao lado dela até que o sono viesse, sem pressão e sem romper o pouco senso de proteção que ela ainda conseguia construir.
Esse tipo de reação faz sentido dentro do que especialistas em adoção e infância já observam.

Um material oficial do Child Welfare Information Gateway, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, explica que crianças que já perderam um lar podem desenvolver forte medo de perder outro, e isso pode aparecer justamente em dificuldades para dormir, comer, se separar dos cuidadores e confiar no ambiente.
O mesmo documento destaca que relações acolhedoras, previsibilidade e afeto consistente ajudam a reconstruir segurança e vínculo.

A própria orientação para esses casos passa por algo que a família parece ter feito na prática: criar um ambiente seguro e manter rotina. O guia recomenda regras estáveis e hábitos repetidos no dia a dia para que a criança volte a sentir chão emocional.
Na mesma linha, a plataforma brasileira Linhas de Cuidado da Saúde da Criança orienta que a hora de dormir tenha menos barulho, menos luz e um ritual tranquilo, com firmeza e sem pressão.

Com o passar dos meses, Joana começou a mudar. Segundo as mães, o sono foi ficando menos tenso até que ela passou a aceitar se deitar e, depois, a dormir tranquila no berço.
O vídeo dessa transformação teve grande repercussão nas redes, justamente porque mostra uma verdade que muita gente esquece: antes de aprender a descansar, algumas crianças precisam reaprender que estão seguras.
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