Mulher casada decide se vingar do marido após descobrir traição em série recompensadora da Netflix

Tem série que não precisa de assassinato, sequestro nem reviravolta mirabolante pra deixar tudo desconfortável.

Fidelidade faz isso do jeito mais simples (e por isso mais irritante): coloca duas pessoas num casamento “ok” e, de repente, uma situação pequena vira uma lente de aumento em tudo o que já estava mal resolvido — desejo, vaidade, orgulho, medo de perder e, claro, aquela vontade bem humana de “dar o troco” sem admitir que é troco.

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Do que se trata?

A minissérie italiana Fidelidade (também divulgada como Devotion, a Story of Love and Desire) tem 6 episódios e está na Netflix.

Ela é baseada no romance Fedeltà, de Marco Missiroli, e acompanha Carlo (professor universitário e escritor) e Margherita (designer de interiores).

O gatilho da trama é quase banal: a fidelidade de Carlo vira assunto depois de uma situação com Sofia, uma aluna, e isso cria um “efeito dominó” no casal.

Enquanto ele fica preso entre culpa, ego e tentação, Margherita começa a se ver puxada pra fora do casamento também — especialmente quando a vida dela cruza com Andrea.

A “vingança” aqui não é plano maquiavélico: é o tipo de retaliação emocional que nasce quando a pessoa se sente feita de boba e quer recuperar controle, nem que seja só por uma noite, uma conversa, um segredo.

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O que a série faz bem

1) A ambiguidade funciona a favor.

A série é boa em mostrar como certas histórias de traição não acontecem porque alguém acordou “malvado”, e sim porque todo mundo vai se deixando levar por justificativas convenientes. Ninguém é totalmente inocente, mas também ninguém vira caricatura.

2) O clima é de tensão íntima, não de novela escandalosa.

Os episódios apostam mais em olhar, pausa, detalhe e consequência do que em cena “de impacto” a cada cinco minutos. O resultado é um drama que prende justamente porque você entende por que aquilo dói.

3) Elenco bem escolhido pro tipo de história.

O trio central — Michele Riondino (Carlo), Lucrezia Guidone (Margherita) e Carolina Sala (Sofia) — sustenta bem as mudanças de humor e as contradições dos personagens.

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O que pode incomodar (e talvez seja a intenção)

Carlo é um protagonista difícil de engolir em vários momentos — não por ser “monstro”, mas por ser convincente demais na autodefesa.

E tem gente que vai achar que a série provoca e não entrega “a grande resposta”: quem está certo, quem está errado, quem merece perdão. Ela prefere deixar o público com a parte chata: lidar com a bagunça.

Pra quem vale o play

Se você gosta de drama de relacionamento com consequências reais, sem moral pronta.

Se curte minissérie curta (são 6 episódios, geralmente entre ~34 e 46 min).

Se você tem paciência pra personagens que erram, se justificam, e ainda assim continuam humanos.

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E um detalhe que ajuda a dar personalidade visual: a história é ambientada principalmente em Milão (com trechos em outras cidades), o que dá um ar elegante sem virar cartão-postal.

Fonte: Descobrindo a Itália

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Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.