Tem coisa que a gente repara no espelho por motivo estético e nem passa pela cabeça que pode ter ligação com saúde.
Só que, às vezes, um detalhe do corpo vira “pista” clínica — não para bater o martelo em diagnóstico, e sim para levantar a mão e dizer: “opa, vale checar o coração com calma”.
É exatamente esse o caso do sinal de Frank, que voltou a circular com força depois de um vídeo do Dr. Sergio Francisco, do Café com Cardio.

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O que é o sinal de Frank (e como identificar)
O sinal de Frank é uma prega/vinco em diagonal no lóbulo da orelha. Pode aparecer em uma orelha só ou nas duas. A ideia é simples: se existe um sulco diagonal bem visível atravessando o lóbulo, isso pode ser considerado “sinal de Frank”.
Importante: ele pode existir desde cedo (muita gente diz que “nasceu com isso”), mas também pode ficar mais marcado com o tempo.
O que a ciência realmente diz sobre “risco de infarto”
O sinal de Frank é estudado desde os anos 1970 como um possível marcador associado à doença arterial coronariana (entupimento/estreitamento das artérias do coração). A evidência existe, mas tem limites:
Uma revisão sistemática (2021) que avaliou estudos de acurácia diagnóstica encontrou sensibilidade e especificidade muito variáveis e concluiu que, como teste isolado, o vinco no lóbulo não tem desempenho bom o bastante para “diagnosticar” doença coronariana.
Mesmo assim, vários trabalhos observacionais apontam que pessoas com a prega têm maior probabilidade de já apresentar doença coronariana — o que faz o sinal ser visto por cardiologistas como algo útil para triagem, principalmente quando aparece em gente mais jovem.
Uma revisão brasileira também descreve o sinal como um possível marcador cutâneo associado a risco cardiovascular, com discussão sobre mecanismos e limitações.
Ou seja: não é “profecia” e nem sentença, mas pode ser um aviso extra para olhar seus fatores de risco com mais atenção.

Por que a orelha teria relação com as artérias do coração?
Ainda não existe uma explicação única e fechada. As hipóteses mais citadas giram em torno de mudanças em microvasos e no tecido conjuntivo (como elastina/colágeno) que podem acompanhar processos de envelhecimento e aterosclerose — e o lóbulo, por ser uma área pequena e visível, acabaria “mostrando” alterações que também podem ocorrer em vasos do corpo. É hipótese plausível, mas não dá para usar isso como prova de doença.
“Apareceu antes dos 65”: por que isso chama mais atenção?
O ponto do alerta (especialmente abaixo de 60–65 anos) é bem pragmático: em pessoas mais novas, um marcador físico incomum pode ter mais valor como sinal de triagem do que em pessoas idosas, em que sulcos e pregas de pele ficam mais frequentes por outros motivos. Essa nuance aparece inclusive em matérias recentes que repercutiram o tema com cardiologistas.
Tenho esse vinco. O que faço, na prática?
Sem drama e sem “autodiagnóstico”. Use como gatilho para fazer o básico bem-feito:
- Cheque pressão arterial (em dias diferentes)
- Faça exames de colesterol/triglicérides e glicemia
- Revise hábitos que pesam muito no risco real: tabagismo, sono ruim, sedentarismo, álcool em excesso, alimentação repetidamente ultraprocessada
- Se você tem histórico familiar forte, hipertensão, diabetes, colesterol alto, ou sintomas (mesmo leves), converse com um médico para decidir se faz sentido um ECG, teste de esforço, eco, ou outros exames (isso depende do seu perfil)
E um aviso importante (vale para qualquer idade): dor/pressão no peito, falta de ar fora do normal, desmaio, suor frio, mal-estar intenso são sinais de urgência — não espere “ver se passa”.

Por que isso explodiu nas redes agora
O assunto cresceu junto de vídeos curtos e notícias recentes envolvendo o influenciador Henrique Maderite; na data de 9 de fevereiro de 2026, veículos como CNN Brasil, Exame e Veja publicaram que a causa da morte foi confirmada como infarto fulminante.
Esse contexto ajuda a explicar o “boom” do tema — mas o ponto de saúde continua o mesmo: vinco na orelha não substitui avaliação, só pode funcionar como um empurrão para você cuidar do que realmente muda risco de infarto.
Saiba mais assistindo ao vídeo aqui (Instagram).
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Fonte: PMC
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