O que médicos já descobriram ao investigar perda de visão em usuárias de Ozempic e Mounjaro

Tem um efeito colateral que quase ninguém coloca na conta quando fala de canetas para diabetes/controle de peso: o olho.

E não é “olho seco” ou desconforto leve — o assunto aqui é perda parcial e súbita de visão relatada por um grupo pequeno de pacientes que usavam semaglutida e tirzepatida, princípios ativos de remédios como Ozempic/Wegovy/Rybelsus e Mounjaro/Zepbound.

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O que o estudo (de fato) descreveu

Um trabalho publicado no JAMA Ophthalmology reuniu nove casos de pessoas que apresentaram complicações oftalmológicas enquanto utilizavam semaglutida ou tirzepatida. Os autores deixam claro um ponto essencial: com uma série de casos, não dá para provar causa e efeito — dá para levantar hipótese, organizar padrões e dizer “isso merece ser investigado com estudos maiores”.

A equipe inclui pesquisadores ligados à Universidade de Utah (John A. Moran Eye Center) e a outras instituições.

Principais diagnósticos relatados

Nos nove pacientes, apareceram sobretudo quadros compatíveis com eventos que afetam o nervo óptico e a retina:

  • 7 casos de NAION (neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica), frequentemente descrita como uma perda aguda, em um olho, sem dor, associada a redução de fluxo sanguíneo no nervo óptico.
  • Papilite bilateral (inflamação do disco óptico) e
  • PAMM (maculopatia média aguda paracentral), alteração retinal que pode mexer com a visão central/paracentral.

Os autores também discutem uma hipótese alternativa que foge da ideia de “toxicidade direta”: em alguns cenários, a correção rápida da glicose poderia ter papel na cadeia de eventos (ainda é especulação, não conclusão).

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O “estudo paralelo de Harvard” e o número que chamou atenção

Separadamente, um estudo observacional (coorte pareada) avaliou prontuários e encontrou associação entre prescrição de semaglutida e maior risco de NAION em comparação com outros tratamentos, com a ressalva de sempre: associação não confirma causalidade.

É daí que vem o “até quatro vezes”: um comentário/editorial no próprio JAMA Ophthalmology menciona achado de 4,28 vezes em um estudo de centro único, com intervalo de confiança amplo (o que costuma sinalizar incerteza estatística maior).
Mesmo assim, os autores e entidades médicas reforçam que a NAION continua sendo rara.

Sintomas que valem atenção

O padrão descrito por sociedades oftalmológicas é bem direto: perda súbita de visão, geralmente em um olho, sem dor, às vezes percebida como “mancha”, “sombra” ou corte no campo visual. Se algo assim acontecer, a orientação é procurar avaliação médica imediatamente (idealmente emergência/oftalmo).

Alguns materiais clínicos voltados a profissionais também passaram a destacar NAION como evento “muito raro” associado a essa classe, junto da recomendação de buscar atendimento em caso de piora visual súbita.

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Onde isso deixa quem usa Ozempic/Mounjaro?

Com o que existe hoje, a mensagem prática é:

  1. Não é motivo para parar por conta própria um medicamento prescrito (interromper pode bagunçar glicemia e outros riscos).
  2. É motivo para ficar esperto com mudanças visuais fora do comum e relatar rápido ao médico.
  3. E é motivo para a comunidade médica correr atrás de estudos maiores, com controle de fatores como diabetes, hipertensão, apneia do sono, histórico vascular e velocidade de queda da glicose — tudo isso pode influenciar risco ocular.

Em paralelo, reguladores também vêm acompanhando o tema: por exemplo, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) citou NAION como evento raro a ser incluído como possível efeito colateral em produtos com semaglutida na Europa.

Se você conhece alguém que usa esses remédios, a dica mais útil é simples: qualquer alteração visual súbita não é “pra observar em casa” — é pra avaliar.

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Fonte: AAO

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Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.