6 Lições que a série “Coisa Mais Linda”, situada nos anos 50, tem a nos ensinar em 2019

A trama é de época, mas as situações vividas pelas personagens não estão tão distantes assim da realidade que ainda hoje vivenciamos.

Felipe Souza

A Netflix estreou mais uma produção brasileira, a série “Coisa mais linda”, que acompanha a trajetória de quatro mulheres de realidades sociais e culturais distintas no Brasil do final dos anos 1950. A trama é de época, mas as situações vividas pelas personagens não estão tão distantes assim da realidade que ainda hoje vivenciamos. Temas como o racismo, o machismo e a violência doméstica, tão discutidos nos dias atuais, são retratados na série com delicadeza e profundidade através das trajetórias das protagonistas Malu, Adélia, Lígia e Theresa. Para além do bom entretenimento, Coisa Mais Linda consegue a proeza de propor discussões atualíssimas e passar uma mensagem contundente ao público de 2019, através de uma trama ambientada em 1959.

1- Nunca é tarde para assumir as rédeas da própria vida (e ser feliz!).

Malu, a protagonista da trama, é uma jovem paulistana de família endinheirada, casada e com filho. O pontapé inicial da série se dá quando ela se muda para o Rio de Janeiro a fim de encontrar o marido, que já está na cidade abrindo caminho para que eles realizem o sonho de abrir um restaurante em Copacabana. Ao chegar lá, no entanto, Malu descobre que o marido fugiu com outra mulher e com todo o seu dinheiro. Em vez de voltar para a casa dos pais, como se esperaria de uma moça “bem nascida” da época, Malu resolve se reerguer, ficar no Rio de Janeiro e assumir o desafio de abrir o restaurante sozinha. E esse é o primeiro passo para uma deliciosa e desafiadora jornada de autoconhecimento que leva Malu a entender que nunca é tarde para assumir as rédeas da própria vida (e ser feliz!).

2- É preciso se dar conta dos próprios privilégios.

Ao assumir o desafio de realizar o sonho de abrir um restaurante no Rio de Janeiro, mesmo sendo sendo mulher em uma sociedade dominada pelo machismo, Malu conta com o auxílio da batalhadora Adélia, uma moça negra, mãe solteira e moradora de morro. Se estabelece entre elas uma bonita relação de cumplicidade e sororidade. Em dado momento, porém, Malu entende que, por mais que ela e Adélia estejam unidas por um mesmo propósito, as dificuldades que Adélia enfrenta sendo uma mulher negra e pobre são muito diferentes das questões que ela enfrenta sendo uma mulher branca e de família elitizada. Entender os próprios privilégios, afinal, é um fator de extrema importância na construção de um olhar mais empático para as batalhas alheias.

3- Uma atitude racista pode vir de qualquer um, mesmo de alguém que não se considera racista.

Ao longo dos seis episódios de Coisa Mais Linda, a personagem Adélia passa por inúmeras situações em que sofre na pele o racismo predominante na sociedade da época. Em uma das cenas mais emblemáticas, Adélia é apresentada a Lígia, amiga de infância de Malu, que, num impulso imediato, a trata como serviçal. Lígia, uma das quatro protagonistas da série, é uma personagem positiva, sem nenhum traço de vilania, o que torna a cena ainda mais desconcertante aos olhos de quem vê a série. A mensagem é clara, todos nós estamos sujeitos a cometer uma atitude preconceituosa, mesmo que inconscientemente, e mesmo que não nos consideremos preconceituosos, simplesmente por reproduzir vícios de uma sociedade desde sempre discriminatória.

4- Uma relação saudável é aquela em que desejos e necessidades de um e de outro são respeitados.

Lígia é apaixonada pelo marido, mas a vida ao lado dele fica cada vez mais difícil à medida que ele insiste em enquadrá-la em um modelo de comportamento que serve ao propósito das suas ambições políticas, e à medida que ele reprime com violência o desejo dela de ser cantora. Relações saudáveis não florescem em terreno de cassação de liberdade, censura de vontades e desrespeito de qualquer forma, e descobrindo isso, Lígia luta com as armas que pode para se manter fiel a si mesma.

5- Lugar de mulher é onde ela quiser!

Theresa, cunhada de Lígia, é uma mulher à frente do seu tempo. De natureza contestadora e libertária, ela assume a tarefa difícil de trabalhar na redação de uma revista feminina dominada por jornalistas homens, que assinam as matérias com nome feminino. Isso em uma época em que as mulheres, num geral, passavam bem longe do mercado de trabalho e assumiam unicamente o posto de “rainhas do lar”. Em um ambiente exalando masculinidade tóxica, Theresa enfrenta com habilidade os desafios que lhe são impostos, sem nunca deixar de defender as suas ideias. Lugar de mulher, afinal, é onde ela quiser!

6- A vida é bem melhor com amigos.

Muitas são as dificuldades que enfrentamos todos os dias. Mas os nossos problemas não precisam definir toda a nossa jornada. Para viver bem, é preciso respirar. Rir de uma piada boba até perder o fôlego, abandonar o trabalho mais cedo e ir à praia, trocar experiências. São situações cotidianas que fazem parte de toda boa e sincera amizade. Como Malu, Theresa, Lígia e Adélia descobrem ao longo da sua jornada coletiva, a vida é bem melhor com amigos!

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Felipe Souza
O socorrense Felipe Souza descobriu cedo o seu interesse pela literatura e pela escrita. Nos primeiros anos da escola já era uma criança imaginativa que tinha especial interesse pelas aulas de Redação e de Língua Portuguesa. Na adolescência, já se arriscando a produzir seus próprios textos, participou de três edições do Mapa Cultural Paulista, tradicional concurso literário do Estado, inscrevendo seus contos, “Procura-se uma identidade, de 2005, “Rotina”, de 2006 e “(Minha vida cabe dentro de um parêntese)”, de 2007, que, em suas respectivas participações, conquistaram a primeira colocação na fase municipal da competição. Felipe cursou Letras- Português e Inglês, na PUC-Campinas e trabalha desde novembro de 2016 produzindo conteúdo jornalístico para a Rádio Socorro.