5 obras feitas por artistas negros que você precisa conhecer.

A arte traz aprendizado, inspiração e deixa mais simples a compreensão da nossa realidade, principalmente quando é produzida por aqueles que fazem parte da vivência.

Ana Carolina Conti Cenciani

As manifestações que estão ocorrendo por todo o globo são de extrema importância para a continuidade da vida em sociedade. Os paradigmas estruturais que envolvem preconceitos e hierarquias devem ser quebrados e somente a ação em pleno funcionamento é capaz de atingir o que é estrutural.

A reflexão é uma ótima maneira de iniciar a ação, pense: Quantos artistas negros você conhece?

Este momento é adequado para mudarmos nossos hábitos: escutar, assistir, admirar e consumir obras feitas por pessoas negras é um ótimo começo. A arte é fundamental em tempos onde há incerteza e medo. Ela traz aprendizado, inspiração e deixa mais simples a compreensão da nossa realidade, principalmente quando a arte é produzida por aqueles que fazem parte da vivência.

Separamos aqui 5 obras incríveis e poderosas feitas por artistas negros. Todas de extrema importância para clarear nossas ideias sobre o valor desse movimento.

Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus

“Quarto de Despejo. Diário de uma favelada” é um livro composto por 20 diários escritos ao longo de 5 anos da vida de Carolina Maria de Jesus, uma mãe solteira catadora de lixo numa periferia de São Paulo. A obra é escrita em linguagem simples com traços de oralidade e reflete a vivência da autora na favela do Canindé. Livro publicado em 1960, hoje é um clássico que mostra a invisibilidade social das pessoas que vivem marginalizadas. Já foi traduzido para 13 línguas e somente nos primeiros três dias de seu lançamento foram vendidos mais de 10 mil exemplares da obra.

Corra!

Corra!” ou “Get Out”, em seu título original, é um filme de suspense e terror dirigido pelo ator e cineasta norte-americano Jordan Peele. A obra retrata a história de Chris, interpretado por Daniel Kaluuya, um jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada Rose. A família o trata de maneira excessivamente amorosa, a princípio, ele acredita que esta seria uma tentativa da família para lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, ao longo da narrativa, Chris percebe que eles escondem algo muito mais sombrio e perturbador.

AmarElo

“AmarElo” é o terceiro álbum de estúdio do compositor, rapper e cantor Emicida. Nesta obra o artista busca enfatizar que a vivência negra não se resume em violência e opressão. Nas músicas, Emicida conta com a participação de diversos artistas como MC Tha, Pabllo Vittar, Zeca Pagodinho e Thiago Ventura. O álbum traz a denúncia social – já muito presente no rap – mas adiciona a ela a diversidade de experiências, o afeto e a calmaria que também são encontradas na vivência da negritude brasileira.

Moonlight

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” é um longa metragem dirigido pelo cineasta estadunidense Barry Jenkins. A obra foi contemplada por diversas premiações, entre elas o Oscar como “Melhor filme” e “Melhor Roteiro Adaptado”, além do Globo de Ouro no título de “Melhor filme de drama”. O longa é baseado na peça “In Moonlight Black Boys Look Blue”, de Tarell Alvin McCraney.

A história retrata três etapas na vida de Chiron, interpretado por Ashton Sanders , um jovem morador de uma comunidade pobre de Miami. A narrativa explora as dificuldades que ele enfrenta no processo de reconhecimento de sua própria identidade e sexualidade, e o abuso físico e emocional que recebe ao longo destas transformações. O longa é um poético estudo da personagem.

Cota Não é Esmola

“Existe muita coisa que não te disseram na escola
Cota não é esmola
Experimenta nascer preto na favela, pra você ver
O que rola com preto e pobre não aparece na TV”

Com esses versos, a cantora, compositora e multi-instrumentista Bia Ferreira começa a sua obra. A música “Cota Não é Esmola” foi composta em 2011 e continua sendo uma dose de realidade. O arrepio só aumenta e cada verso: a mensagem é clara, forte e poderosa. Bia considera sua música como Música de Mulher Preta (MMP), por ser um foco indispensável em seu material. Essa artista é uma poetisa e revolucionária. Indico todo o álbum “Igreja Lesbiteriana, Um Chamado”.

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Ana Carolina Conti Cenciani
Ana, 19 anos, estudante de Artes Visuais na UNESP de Bauru. Trago aqui notícias que são boas de se ler.