Uma pessoa só dá certo com outra quando se acerta consigo mesma.

Não, isto não é uma tese. Não é um artigo científico nem um ensaio acadêmico. É só uma impressão pessoal que alguns gênios vão chamar de “falsa premissa”. Acontece. Eu nem ligo: até que me provem o contrário, sigo achando que uma pessoa só pode dar certo com outra depois de se acertar consigo mesma.

Sentir amor por alguém sem amar a si mesmo tem cara de um engano daqueles, cheiro de encrenca, tudo para dar errado. É passar a carroça na frente dos burros, trocar as bolas, meter as mãos pelos pés. Posso até gostar ainda mais de mim porque tenho amor por fulano ou por beltrano, mas o meu amor por mim mesmo chegou primeiro. Já existia antes de expandir e se tornar amor pelo outro.

Pensemos: quando surge alguém interessante no meio do povo, quando aponta ali na frente a pessoa por quem a gente sente um sei lá o quê, uma alegria, uma intuição boa e decide ver no que vai dar, qual é o próximo passo? A gente se cuida, ué! A gente se apronta, se apruma, se quer bem e dá à tal pessoa motivos para ela nos querer também.

Sei não, mas eu tenho aqui pra mim que o primeiro benefício do sentimento amoroso por alguém é acordar ou fecundar em nós algum tipo de amor próprio. Quem ama quer viver bem, quer ser pessoa melhor, esparramar sua alegria para quem estiver perto. Assim, em meio a sua festa, apresenta ao outro as condições mínimas para ser amado também. E isso é coisa de quem tem apreço por si mesmo, prática de quem se gosta e se respeita.

Cá entre nós, como pode dar certo um amor em que um dos dois não se gosta ou, vá lá, gosta mais do outro que de si mesmo? Não pode! Amar é reconhecer em alguém um sentimento que é seu não é de hoje. Mesmo sem saber! Sei de gente que parecia não se gostar nem um pouco, mas aí encontrou quem lhe gostasse e reaprendeu a gostar de si mesmo para depois gostar do outro.

Vê por aí quanta gente se desdobrando pra chamar a atenção da pessoa “amada”? Quanto engano! Quanto tempo jogado fora! Quer despertar amor em alguém? Goste-se e dê a ele motivos para gostar de você. E isso não se pede a ninguém. Isso cada um faz a si mesmo.

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André J. Gomes
Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.



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