Tornando o feio em bonito

Imagem de capa:  triocean/shutterstock

Uma das coisas mais incríveis que aprendi em Lisboa foi ver coisas que eu considerava feias ou bregas ou “nada a ver” e passar a respeita-las, aceita-las como são e até, em alguns casos, ver poesia e considera-las interessantes e bonitas.

Um dia eu estava saindo de uma reunião de trabalho e comentei com a colega que estava comigo:
– Nossa, essa ruela estreita é bonita, antiga, colorida, mas esses fios intermináveis dos postes de luz e dos elétricos (bondes) detonam o visual. Sabe, lá em São Paulo, na Oscar Freire, a rua mais chique da cidade, os fios agora são subterrâneos e é incrível como ficou muito mais bonito.

Aí, como diriam os gaúchos, ela me deu nos dedos dizendo:
– Nossa Helena! Esses fios fazem parte do cenário e são característicos da cidade. Existem até fotógrafos que se dedicam a fazer fotos dos fios de Lisboa.
– Ok! Obrigada. Tentarei enxergar com este olhar poético ao invés de condena-los como poluentes visuais. – Respondi me sentindo a escritora mais insensível do mundo.

De fato, desde essa observação comecei a ver de forma diferente os bondes e seus inúmeros fios de Lisboa. Até ouvi uma pessoa dizer que deveria haver mais bondes porque eles são amigos do meio ambiente. Ok! Já os considero simpáticos.

Se abrir para um novo olhar é se abrir para uma transformação muito maior do que pode imaginar. Encarar o mesmo de forma diferente nos liberta, faz bem para a cabeça e para a alma.

Mas esta história toda me lembrou de uma amiga que operou de um apêndice e ficou com uma cicatriz horrível na barriga. Após passar anos sofrendo com aquela marca desagradável decidiu fazer uma bela (e grande) tatuagem em cima para apreciar mais sua barriga. Eu mesma, sempre morri de vergonha do meu pé. Quando tinha 19 anos decidi fazer minha segunda tatuagem em um dos pés para passar a aprecia-lo. Funcionou!

Se abrir para um novo olhar é se abrir para uma transformação muito maior do que pode imaginar. Encarar o mesmo de forma diferente nos liberta, faz bem para a cabeça e para a alma.

Nós podemos fazer isso com qualquer coisa na nossa vida. Escolher uma coisa que não gostamos, uma comida, uma música, um lugar, uma cor, até uma pessoa… e tentar enxergar com um novo olhar. Ter outra opinião. Se abrir para provar de uma forma diferente até então, tentando gostar. Muito mais do que passar a gostar, o que vale é se abrir para interpretar de outra forma.

Este movimento interno é um exercício de aceitação que nos ajuda a viver com muito mais passividade e aceitação com tudo que nos rodeia. Nos tornamos mais fluidos e menos relutantes, encrenqueiros, ranzinzas. Vivemos com mais leveza.

A vida é muito mais bonita quando escolhemos ver a beleza. Nem sempre é possível, mas só de não ver feiura já é um grande e importante passo.

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Helena Cecília de Fraga Verhagen
Helena é jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou na Espanha. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.

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