Sem abrigo, por Maria Augusta Ribeiro

Eu conheci Maria Augusta Ribeiro por acaso enquanto comentava um poema de um amigo em comum que temos no Facebook. Logo no início fiquei impressionada com a perspicácia e inteligência de suas falas. Sabe aquelas pessoas que dizem duas frases e você já sabe que são especiais?

Porém, nem imaginava eu que estava a admirar informalmente uma grande poetisa portuguesa de quem os poemas, só comecei a ler depois desses primeiros contato.

Abaixo, transcrevo um poema selecionado.

Creio que, ao lê-lo, quem ainda não a conhece entenderá o motivo de minha admiração.

MARIA AUGUSTA RIBEIRO
Essa imagem foi utilizada como capa do livro “O Cidadão de Papel” de Gilberto Dimenstein, publicado no Brasil em 1994 pela editora Ática e vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura daquele ano, na categoria não ficção

Josie Conti

Sem abrigo

Ficou ali
Debaixo de uma escada
Tirou dos sacos uma manta usada
Que estendeu no chão
Fez um ninho de cão
Com palha e farrapada
Cobriu-se com jornais
(Que até falavam dele
E outros tais
Pois cada vez há mais!)
Fez um docel
Com uma velha pele
Rafada
Encomendou-se ao Nada
E dormiu

A cidade, passando açodada
Não via nada
E a familia
Fingia que não o conhecia…

Ali ficou até anoitecer
Viriam as senhoras a oferecer
Sopinha quente e uma maçã
Só para confortar

E ele irá guardar
Em cada mão
Um pão
Para comer de manhã
Se acordar…

Maria Augusta Ribeiro

+ Maria Augusta Ribeiro

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