Por que a dor conecta mais do que o amor?

Imagem de capa: Vitaly Titov, Shutterstock

A dor é sentimento que não se compartilha. A solidariedade se aproxima da dor para ficar juntinho, oferecer seu carinho, não deixar a solidão se aproximar muito. Mas a dor é de quem a abriga. Ninguém quer sentir dor, mas ela vem. Ninguém quer a dor do outro, mas quer estar por perto, consolar, aguardar o alívio.

A dor conecta as pessoas mais do que a amor. Talvez porque o amor caia nas teias da desconfiança. Talvez porque o amor se apresente contagioso, divisível, enciumado, egoísta, tirano, inseguro…

O amor tenta ser compartilhado de vários jeitos, mas não encontra tanta e tão rápida adesão quanto a dor. Vê-se um movimento muito mais agregador em torno da dor. A dor amolece os corações. O amor, nem sempre. A dor evoca a generosidade. O amor, nem sempre. A dor cria heróis e mitos. O amor, nem sempre.

Que medo é esse que se tem do amor? Dizem que as pessoas se afastam do amor para evitar a dor. Mas, depois recorrem a ele para aplacar a dor. A dor de outro, mas ainda dor.

A dor que machuca e faz sofrer em um, inspira amor e solidariedade em outro. O amor que anda disponível e faminto por aí não interessa a um nem a outro. É bonito de ver, e só.

O mundo é muito louco mesmo. Quanto mais dor, mais amor. É por ela que ele se conecta.

A pergunta que fica é: Por que a dor conecta mais do que o amor, se o amor é capaz de evitar tanta dor?

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Emilia Freire
Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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