Por trás de Divertida mente: uma análise psicológica elaborada da animação da Pixar.

Por Marcela Alice Bianco e Bruna Arakaki

Cine Sedes Jung e Corpo

O longa-metragem de animação Divertida mente (Inside out) da Pixar vêm encantando crianças e adultos pela forma criativa como expõe a jornada de uma garotinha chamada Riley, que aos 11 anos vive grandes mudanças em sua vida.

O filme, atuando em cenários ou dimensões particulares (dentro e fora da Riley), consegue demostrar o quanto mente e cérebro estão interligados, funcionando de maneira magistralmente orquestrada e sincrônica durante a vida. Somente algo totalmente lúdico e abstrato poderia nos lançar de maneira tão ilustrativa e criativa no universo das relações corpo – mente; cérebro e comportamento humano, traduzindo-se numa verdadeira lição de inteligência emocional para crianças e adultos.

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O foco principal dado pela animação é o papel do sistema límbico na regulação das experiências vivenciadas pelo indivíduo. O sistema límbico é parte do cérebro responsável pelas emoções e comportamento social da pessoa – regulação e inteligência emocional, auxiliar no desenvolvimento cognitivo e no armazenamento das memórias.

Começamos com a importância deste sistema e das primeiras interações do bebê com seus cuidadores e ambiente na formação do tom emocional básico que carregaremos durante a vida. No caso de Riley, logo que ela abre os olhos pela primeira vez e percebe a presença amorosa de seus pais, surge em seu cérebro a primeira emoção vivenciada: a “Alegria”, que passa a ser uma das personagens principais no gerenciamento emocional da nossa personagem. Forma-se então a primeira memória base, ligada ao afeto e ao cuidado.

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No filme, a sala de controle já possui um aparato inicial, um pequeno controlador, com apenas um botão, o qual podemos comparar ao Ego. Ou seja, nosso cérebro já apresenta uma certa prontidão para as primeiras interações que iremos fazer durante a vida e que serão marcantes para a formação das primeiras memórias. Esse aparato irá se desenvolvendo conforme as interações entre a pessoa e o ambiente externo e interno vai evoluindo e vamos progredindo nas fases do desenvolvimento humano.

O choro – utilizado como um sinal de alerta de que algo está errado, que há um desconforto ou um incomodo, uma necessidade a ser suprida – faz surgir uma nova emoção: a “Tristeza”, uma emoção gerada por uma sensação de desprazer, que no caso do bebê não é compreendida conscientemente.

A alegria tenta impedir a tristeza de controlar as emoções da Riley. Vivenciar o desconforto não é tarefa fácil, tanto que nossa sociedade contemporânea também tem prezado mais pela alegria do que pela tristeza.

A partir da experiência, outras sensações e emoções vão sendo vivenciadas, aumentando a gama de recursos da sala de controles de Riley. Cada emoção vai ganhando um papel criativo/protetivo ou agressivo/restritivo – que podem representar pares de opostos dentro da mesma emoção. O filme destaca cinco emoções principais:

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Neste sentido, a Alegria pode representar bem-estar, disposição, positividade, extroversão, capacidade para o relacionamento e autoestima. Mas também euforia, negação e onipotência. O Medo que auxilia na proteção, mantendo a Riley em situação de segurança, também pode acarretar ansiedade e constrangimento. A Nojinho, dependendo da forma como interpreta as situações em conjunto com as outras emoções, é responsável pela aceitação – de comida, experiências sociais – ou rejeição – evita que a Riley se envenene física e socialmente. O Raiva, um dos personagens mais cômicos da narrativa, denota a conquista de espaço, limite, força diante de possíveis injustiças ou invasões de limites físico e emocionais. Em seu polo oposto pode conter impulsividade, revolta, agressividade dirigida (contra o outro ou contra si) diante de situações frustrantes. Por fim, a tão incompreendida Tristeza, que quando acolhida e compreendida, auxilia na introspeção, na elaboração simbólica e integração das experiências, através da introversão. Porém, quando não elaborada, é caracterizada pelo negativismo, culpa, passividade e impotência.

Destaca-se, que as emoções não são categóricas: a tristeza não é o oposto da alegria, pois é necessário termos uma compreensão mais complexa e menos polarizada dos fenômenos. Na verdade, podemos olhar para as emoções em termos de complementariedade.

Entende-se que as emoções são funções estruturantes da nossa consciência e da nossa personalidade. Quando lidamos bem com elas podemos caminhar rumo a ampliação da nossa consciência. Mas, quando a reprimimos ou agimos de maneira rígida e unilateral, nosso desenvolvimento se represa e podemos desenvolver os mais variados sintomas. Por isso, precisamos cuidar muito bem das nossas emoções, compreendendo a importância de cada uma delas.

Inicialmente, o papel da tristeza não é compreendido, mas ela também não pode ser rejeitada ou colocada de lado (está no manual de controle da Riley). Isso quer dizer que ela tem um papel fundamental, mesmo que este ainda não possa ser compreendido e assimilado pelo indivíduo num dado momento.

As memórias, por sua vez, se mostram carregadas de carga afetiva. São armazenadas principalmente no hipocampo – memórias-base – formadas em momentos de muita importância. Essa carga afetiva mais intensa pode moldar a personalidade do indivíduo em diferentes momentos da vida.

Os conteúdos com intensa carga afetiva que se estruturam em torno de um tema e que possuem forte influência sobre o comportamento são representativos do conceito de Complexo na teoria junguiana. São ativados de maneira inconsciente a cada experiência que toca emocionalmente neste mesmo tema.

A formação das ilhas representa os complexos estruturais. Na infância da Riley temos a Ilha da bobeira, da amizade, da honestidade, da família. Como é narrado, “Fazem da Riley a Riley”.

Observamos que a infância de Riley é estruturante, à medida que não identificamos traumas consideráveis, os pais aparentemente são ajustados e tem comportamentos adequados: ela possui amizades sólidas e atividades de lazer. É confiante e sua autoestima é elevada.

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Contudo, aos 11 anos de idade, duas mudanças irão se processar na biografia de Riley, trazendo impacto considerável para sua existência: uma mudança externa – de casa, de cidade, de escola, de amigos, etc., e outra mudança interna – saída da infância e entrada na adolescência.

Durante a infância, a criança está mergulhada na dinâmica das vivências familiares, sendo que na metanoia da adolescência surge um momento determinante de diferenciação de identidade. Fazendo uma analogia com a jornada do herói, vemos o processo de Riley como um movimento de amadurecimento e de tomada de consciência.

Nesse sentido, a passagem da infância para a adolescência representa o primeiro luto da vida da Riley e nos traz para a reflexão. Qual o papel do luto para a sociedade atual e que espaços para simbolização através dos rituais de passagem ainda se mantém? Na realidade, percebe-se que na atualidade pouco se tem dado espaço para essa elaboração e vive-se muito na concretude.

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Com a chegada em sua nova casa (externa e interna) Riley sofre uma decepção com a realidade, causando um verdadeiro reboliço na sala de controle das emoções e ativando as emoções Nojinho, Medo e Raiva. Começam a surgir sentimentos negativos nela. A Alegria tenta dominar a situação novamente – o que interpretamos como negação, um poderoso mecanismo de defesa.

Porém, a força das emoções se impõe. O medo de que a Tristeza tocasse na mesa de controle – medo de deprimir – coloca a Alegria em hiperatividade.

Ao mesmo tempo em que podemos ver a negação como algo prejudicial, entendemos que ela faz parte de um processo de luto, ou seja, um recurso protetivo – uma vez que a situação traumática pode ser maior do que o Ego é capaz de dar conta naquele momento. O problema é quando tal defesa se estende como único recurso e se constitui como forte resistência que impede o contato emocional com a dor e que é essencial para que o trabalho de luto possa ser realizado.

Seguindo o curso da história do filme, a Ilha da família é a primeira a ser atingida – são as relações iniciais as primeiras a serem confrontadas, o que é natural no processo de saída da infância. Percebemos que a reação da Alegria é tentar reforçar os aspectos positivos das relações familiares.

Observamos que a entrada na adolescência é permeada justamente por esses conflitos, na forma como a pessoa enxerga os pais (heróis x humanos), sendo essencial que os filhos humanizem os pais para que esses possam assumir o papel de heróis da sua própria história.
Percebemos que a compreensão da Riley diante das circunstancias ainda é infantil – presa em suas ilhas estruturais todas ligadas à infância, como no momento em que Riley percebe o distanciamento do pai e a Tristeza fala: “Más notícias, o papai não nos ama mais.” – É um momento em que a criança sente que não é mais criança, mas também não se sente adolescente.

Outra observação relevante é que na sala de controle da mãe a emoção principal é a tristeza. Assim, a mãe tenta se apoiar na alegria da Riley. Mas, ao estimular esse lado, contribui para a repressão da expressividade emocional da filha que tenta corresponder à mãe, para não a desapontar. A força do complexo materno é intensa nesta transição e, por vezes, durante grande parte da nossa vida, podendo impedir o desenvolvimento quando não é transposta.

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O pai, por sua vez, tem sua sala de controles comandada pela Raiva. Mostra-se distante emocionalmente, preso em suas próprias preocupações, desligado, não consegue se conectar emocionalmente com a filha. Quando irritado pelo limite que ela coloca, age de maneira explosiva. Depois sente culpa e se baseia na Ilha da bobeira de Riley para tentar um contato, o que aos poucos vai deixando de fazer sentido para ela.

As reações dos pais neste momento não estão adequadas às necessidades da filha, eles também não conseguem perceber o processo de amadurecimento emergente, e por falta dessa compreensão, não conseguem fazer o espelhamento adequado e não agem empaticamente com a filha. Aqui, podemos ressaltar a importância do papel dos pais, não só na formação emocional da criança, mas também neste momento de transição da infância para a adolescência. É preciso que os pais também atualizem internamente a imagem de seus filhos e se adaptem às necessidades da nova relação que está se desenvolvendo, para que todos possam caminhar de forma saudável nesta jornada.

Em meio a todos esses acontecimentos, nossa personagem principal vive processos internos! Um deles é que a Tristeza passa a ter comportamentos de tocar nas memórias de Riley, o que altera a cor das mesmas. Tal fato demostra a força desta emoção que é capaz de modificar totalmente a carga afetiva de uma memória, podendo até mesmo distorcer a realidade.

No caso da Riley, a Tristeza tem uma função especial e imprescindível, pois é através desta que ela percebe que tudo está mudando. Isso a auxilia a mudar tanto suas perspectivas futuras, quanto à relação com o passado (suas memórias). É interessante ressaltar neste ponto a questão da temporalidade – as vivencias não são lineares e cronológicas. Nossa história está sempre mudando, seja em relação ao futuro quanto ao passado e, assim, vamos recontando nossa história dentro de nós, podendo dar novos significados a ela.

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Riley vai passando por uma sequência de acontecimentos e experiencia diferentes sentimentos com a adaptação na nova casa e escola: a frustração entre a casa imaginada e a real, a demora na chegada do caminhão da mudança, a ansiedade e medo do primeiro dia de aula, a vergonha depois de se sentir exposta, etc.

Inicialmente nossa personagem reage positivamente, usando a Alegria ao seu favor. Mas, aparentemente, a falta de referenciais para lidar com tudo isso acarreta um crash na sala de controle. As emoções não sabem como agir, apagam todas as memórias bases e em seguida, as Ilhas se apagam, e memórias bases são sugadas junto com a Alegria e a Tristeza – representando a entrada na fase depressiva do luto.

Ocorre um apagão do sistema límbico – caracterizado pela apatia – e Riley fica esquisita, embotada, passando da extroversão para a introversão.

Vemos as memórias base irem para junto das memórias de longo prazo – não farão mais parte do Complexo do Ego. Já as emoções que ficam na sala de controle tentam se comportar como a Alegria, mas não conseguem – já que cada uma tem seu papel específico.

Em seguida, é a raiva do pai que tira Riley da apatia e a coloca sob o controle do Raiva – a fase seguinte do luto. Essa fase se caracteriza pelas reações e tentativas de enfrentamento, revolta, ruminação, e rebeldia. Rompe-se a Ilha da bobeira através do amadurecimento pela agressividade.

Enquanto isso a Alegria e Tristeza tentam voltar para a sala de controle.

A Tristeza leu o manual – é ela que sabe e orienta o caminho, mas precisa da alegria para sair do lugar. Mostra-se a importância de que as duas emoções sejam parceiras e atuem juntas.

A Tristeza incita o sentimento de solidão – surge o amigo imaginário Bing-Bong que está na Terra da Imaginação. Ele é feito de partes de animais, ou seja, é indiferenciado e ao mesmo tempo, representa um dos objetos transacionais da infância e o recurso simbólico que virá da fantasia/imaginário para orientar o caminho da Alegria e da Tristeza.

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Nestas cenas o filme resgata a importância da linguagem simbólica para a elaboração dos conflitos, porém é uma área que devemos explorar com cuidado – sob risco de dissociação e desintegração – que ocorre quando elas resolvem pegar um atalho para chegar à sala de comando.

Tomada pela ansiedade, medo e frustrações, todas as ilhas de Riley ligadas a infância começam a cair – o que é um processo natural de amadurecimento – porém sentido por muitos como uma experiência bastante dolorosa.

Quando Bing-Bong percebe que a Riley se esqueceu dele, fica deprimido, e enquanto a Alegria tenta compensar, a Tristeza o consola – o acolhe e ele pode expressar seus sentimentos. Vemos que a tristeza também suscita a empatia. É por meio do espelhamento e da escuta que o amigo imaginário pôde ser confortado e se recuperar. A Alegria fica surpresa – é o primeiro momento em que a alegria se surpreende com a assertividade da Tristeza e começa a compreender seu papel.

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Enquanto isso, na sala de controles é a Raiva que monta um plano de fuga. Isso significa que está na fase da revolta e que vê na possibilidade de voltar para a cidade da infância – antiga realidade – a única forma de não viver a realidade atual.

Não podemos deixar de falar dos sonhos da Riley, que são vivências do inconsciente e que trazem conteúdos relacionados aos temas que ela está vivendo. Como quando ela está na sala de aula e as pessoas percebem que seus dentes estão caindo e ela fica sem roupa.

Os dentes estão ligados à nossa capacidade de digestão ou assimilação dos conteúdos físicos e psíquicos que recebemos do mundo externo. No caso da Riley, seus dentes estão caindo, mostrando a perda da força e à consciência do conflito que se estabeleceu pela nova realidade que ela ainda não consegue enfrentar. Isso desperta um estado frustração, de ansiedade, de perda da confiança em si mesma e um medo de não conseguir lidar com a situação e manter a defesa da negação. Faz-se uma relação com os dentes de leite que precisam cair para que surja uma arcada dentária mais forte e adaptada às novas fases da vida alimentar. Riley precisa “perder seus dentes de leite” para adquirir uma nova força para lidar com sua condição de adolescente em San Francisco.

Já as roupas simbolizam a ligação com a Persona e com a identidade, a forma como nos apresentamos para o mundo. Símbolo da nossa individualidade ou, num polo oposto de que somos manequins que servem às projeções sociais ou nos conduzem a massificação. Quando estamos sem roupa é somente o que somos que é visto pelo outro, sem disfarces. Quando Riley chora e demostra sua tristeza em sala de aula ela deixa de encarnar a menina doce e feliz que lida bem com tudo. Nesse momento não consegue esconder, nem dos outros e nem de si mesma a sua fragilidade. Perder as roupas também mostra que sua identidade está passando por uma profunda transformação.

Quando Bing-Bong vai preso, vemos a repressão atuando e tentando fixar o conteúdo na Sombra, local onde estão guardados os conteúdos que causam medo, angústia e conflito.

Nesse momento, acordar a Riley é a prioridade para que o trem do pensamento volte a funcionar, ou seja, precisam da consciência para o processo. Surge a Ideia de acordar o palhaço – seu pior medo, já que é justamente essa emoção que está na sala de controles naquela noite.

Quando o Medo acorda na sala de controle, o Raiva volta para o comando e o plano de fuga se reforça. Riley pega dinheiro escondido da bolsa da mãe, o que faz romper a Ilha da honestidade. A queda da Ilha da honestidade descarrilha o trem do pensamento – Riley entra numa fase totalmente irracional e impulsiva, presa à emoção da raiva. Está “atuando”.

Em meio a tudo isso, a memória de base sobre o campeonato de Hockey será fundamental, pois resolverá o enigma da elaboração entre a Tristeza e a Alegria. Ambas gostam da memória, mas por óticas diferentes.

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Ocorre que, quando tentam voltar através do recorda-tubo, a Alegria tenta deixar a Tristeza para trás, ou seja, ainda não compreendeu de fato sua importância. E assim, Alegria e Bing-Bong caem no esquecimento – só então Alegria volta a olhar a memória do Hockey e entende o papel da Tristeza. É na parte triste da memória de Riley que ela recebe o conforto dos pais e se reorganiza para voltar a viver a Alegria. Ela chora, e pode acessar dentro de si a Tristeza. Então, reúne suas forças, usa os recursos da imaginação – convoca o foguete imaginário – mas infelizmente se faz necessário que o Bing-Bong seja deixado para trás. Afinal, o objeto transacional da infância já cumpriu sua missão.

É interessante observar as mudanças começarem a ocorrer primeiro no inconsciente e no mundo interno da Riley, para depois chegarem à consciência e se concretizarem no mundo material.

Riley segue seu plano de fuga, tomada pela raiva e a Ilha da família está ruindo.

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Na trama inconsciente, a Tristeza foge, na tentativa de se afastar, mostrando o distanciamento emocional que Riley está vivendo.

Contudo, entra em cena seu namorado imaginário, o príncipe encantado-representante do animus e novo recurso transacional de Eros – é ele quem vai fazer a ligação para que a Alegria e a Tristeza voltem para a sala de controle.

Quando as emoções retornam a sala de controle, estão transformadas pela jornada heroica que vivenciam e uma nova Consciência pode se formar.

Então, Alegria e Tristeza juntas, através da síntese da integração dos opostos, introduzem a capacidade de interagir com as polaridades, na qual a consciência pode ter um funcionamento dialético e os polos têm igual direito de expressão. É o aparecimento do Arquétipo de Alteridade. Nesse momento, é a Tristeza que assume o controle, e é o contato Riley com esta emoção que rompe com a revolta e a fixação do plano de fuga. A menina chora e volta para a casa.

A tristeza toca em todas as emoções com a permissão da Alegria – como uma ressignificação das memórias bases e reajustamento emocional.

Riley pode chorar e através da sua expressão emocional, ser acolhida. Os pais também podem falar dos seus sentimentos, gerando proximidade e validação. Dessa forma, nossa menina sai da solidão e encontra novos recursos, como o conforto. A partir daí tem-se o retorno da ilha da família, a construção de novas ilhas ligadas à vivência adolescente, à ampliação do painel de controle – com botões que inclusive serão descobertos como o da puberdade – e o surgimento de novas memórias – agora coloridas com emoções misturadas, mostrando a complexificação das mesmas e a riqueza emocional, pois todas as emoções têm sua função e seu papel reconhecidos.

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Amadurecida, Riley vai conseguindo compreender a realidade de outro modo – a forma como vê o trabalho do pai, as prioridades do mundo adulto, etc. – a ponte Ego- Self fica restabelecida e funcional – até que novos acontecimentos internos e externos a chamem para novas jornadas heroicas que fazem parte do processo de desenvolvimento individual. Nesta dinâmica, destacamos o papel essencial e regulador do nosso Self, regente amoroso da nossa orquestra existencial e que auxilia neste caminho de individuação e ampliação da Consciência, pois afinal como diz a Alegria: “Nós amamos a nossa Riley”!

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Este texto foi produzido pela Comissão Organizadora do Cine Sedes Jung e Corpo com base nas reflexões realizadas durante o evento realizado em junho de 2016, com os comentários do Professor, Psiquiatra e Psicoterapeuta Junguiano Paulo Toledo Machado Filho, do Psicólogo e Neurocientista Dr. William Comfort e da Psicóloga e Psicoterapeuta Junguiana Marcela Alice Bianco.

O Cine Sedes Jung e Corpo é uma atividade extracurricular do curso Jung e Corpo: Especialização em Psicoterapia Analítica e Abordagem Corporal do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo.

É um evento gratuito e aberto ao público geral organizado pelos professores do curso em conjunto com ex-alunos e ocorre todas as últimas sextas-feiras dos meses letivos do curso.

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Marcela Bianco
Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana formada pela UFSCar. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Sedes Sapientiae e em Gerontologia pelo HSPE. CRP: 06/77338



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