Por que é tão difícil mudar de vida?

Cada vez mais notícias são divulgadas sobre pessoas que chutaram o balde, deram um basta e mudaram de vida drasticamente. Alguns saem viajando pelo mundo, outros mudam de cidade, trocam a vida agitada e sem tempo por uma “slow-vida”. Nós (Bruno, Martin e eu) fizemos essa escolha. Demos um salto no vazio, saímos literalmente de nossa zona de conforto. Deixamos Brasília, um bom emprego, casa…criamos um blog e nos mudamos para o Uruguai em busca de uma vida mais plena.

Com a decisão, muitas pessoas levaram um susto. Muitos questionamentos foram feitos: “vão viver de que?”, “trabalhar onde?”. As respostas sempre foram incertas, afinal, não sabíamos o que iria acontecer (o que fazia parte dos planos). E, justamente por isso, algumas pessoas acharam que enlouquecemos. Depois de um tempo, passamos a dar as respostas que as pessoas queriam ouvir, para ver se elas ficavam mais tranquilas! (risos)

Foi vivenciando a dificuldade em fazer uma mudança de vida e em anunciá-la às pessoas que eu passei a conseguir enxergar o lado menos romântico das manchetes de jornais. Pude entender por que a maioria das pessoas simplesmente não muda, mesmo estando insatisfeita com própria vida. Ter horários a cumprir, um nome a zelar, um cargo pelo qual lutar, um financiamento para pagar, bem ou mal, geram uma sensação de “segurança”. Você tem regras a seguir, padrões a atingir, metas claras. Além disso, pertencer a um grupo e nele ser reconhecido gera uma sensação de existência. Gera um prazer. Você faz parte do bando.

Quando, no entanto, você anuncia que não vai mais seguir o script socialmente pré-estabelecido, a tendência das pessoas é reagir com preocupação. Quando você anuncia que precisa se redescobrir, sentir a vida, repensar o seu caminho e viver seu cotidiano de forma diferente, na prática, o glamour de uma mudança radical desaparece. Os olhares de preocupação e julgamento ficam escancarados.

As pessoas não conseguem aceitar com tranquilidade o incerto e, muito menos, aceitar o diferente. Mas, e por que isso? Onde está a solidariedade, a empatia, o incentivo e o desejo de que todos sejam felizes? O que aconteceu com a nossa sociedade?

Fomos todos educados e programados a viver dentro de um “cadre”, uma moldura. Você pode pintar e bordar o quanto quiser, mas, desde que seja dentro dessa moldura. Você tem a sensação que tem autonomia e até incentivo dos que lhe rodeiam, mas, esteja certo, enquanto a maioria estiver lhe apoiando é porque você, na realidade, não saiu do “cadre”. Experimente radicalizar….os questionamentos e julgamentos vão surgir.

O meio em que você nasce e as pessoas que compõe o seu entorno já criam as expectativas e estabelecem os parâmetros razoavelmente sensatos para sua vida. Quando você levanta a bandeira de que é possível fazer diferente, o sistema em peso vem para cima de você. E, na maioria das vezes, de forma sútil. Portanto, nem sempre você percebe que está desistindo de um sonho por causa do “cadre”, invisível, que está te puxando de volta. E você ainda desiste dos seus sonhos convencida que está, na realidade, tomando a melhor decisão para sua vida. Você tem a ilusão de estar tomando uma decisão com autonomia. Imagine, se você conseguir ser diferente…como ficam todos aqueles que gastaram suas vidas sem buscar algo novo. E é muito difícil para essas pessoas reconhecerem o erro quando já deixaram muitos sonhos para trás em nome do “cadre” herdado (que elas aceitaram). É bem mais fácil dissuadir você.

Como, então, sair dessa sinuca? Como fazer uma mudança de vida sem ser bombardeado por olhares tortos, julgamentos precipitados e a sensação de estar sendo inconsequente, insensato, etc? Como se manter firme sem desistir de seus planos? Quer saber, se o entorno é o que limita, mude o seu entorno. Conecte-se com pessoas que já estejam fazendo aquilo que você deseja. Com 7 bilhões de pessoas no mundo, é muito provável que alguém já tenha feito aquilo que você quer fazer. Basta encontrá-las. Hoje, com a internet, isso é mais fácil ainda. Não é preciso nem conhecer pessoalmente. Esta é a maneira mais fácil de expandir seu “cadre” e encontrar aceitação e incentivo para fazer uma mudança mais radical. Afinal, o que é radical para uns, não é para outros. É tudo uma questão de ponto de vista. E se cada um é um ser único, por que todos temos que levar a mesma vida, no mesmo “cadre”?!

E então, está esperando o quê?

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Melissa largou tudo, foi morar no Uruguai como o Bruno e o Martin e criou o Blog Vida Borbulhante. Quer ter uma vida mais plena e interessante? Passe lá para conhecer. Curta o Blog no Facebook .

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Melissa Sendic
Engenheira, mãe e lutadora inveterada por uma vida mais plena e com mais sentido. Co-criadora do Vida Borbulhante. Largou tudo, deu um salto no vazio e foi morar no Uruguai com o Bruno e o Martin. Ela busca incentivar as pessoas a viverem uma vida com mais propósito.



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