Por que complicamos tanto a nossa vida?

Por que problematizamos as nossas dificuldades? Por que tornamos coisas simples tão complexas? Por que dificultamos a nossa vida com mentiras criadas pelos outros e por nós mesmos? Por que endeusamos os outros na expectativa de que sejam perfeitos? Por que não paramos e vemos o que é essencial?

Hoje, enquanto dirigia para o trabalho acompanhado por minhas próprias preocupações, tocou uma música no rádio chamada Epitáfio- dos Titãs. A música faz uma reflexão sobre frases colocadas em um túmulo (epitáfio), e reflete um certo arrependimento por não ter vivido a vida da melhor maneira: saboreando-a.

Tive, então, um insight sobre como tudo isso é significativo, pois acredito que essa seja a maior busca de todas, além de descobrir quem somos, que é:

Como vivemos? Como viver melhor nesse lapso de tempo em que estamos aqui?

Aí nos lembramos das vezes que amamos e expressamos o nosso amor usando conta gotas; de que seguramos o choro por termos crescido; que não paramos e aproveitamos o que há de bom ao nosso redor; de que não arriscamos; que tivemos medo de errar e não agimos; que fizemos o que os outros queriam que fizéssemos; que não respeitamos e aceitamos a individualidade de cada pessoa; que não deixamos a vida ser como é; que complicamos as situações com julgamentos, rancor, ações e palavras ao invés de simplificarmos e ficarmos com o que é essencial e importante; e das vezes que damos importância a algo que, na verdade, é sem importância nenhuma.

Existe uma boa notícia, que ao perceber que talvez essas coisas possam estar acontecendo na nossa vida é possível mudá-la o quanto quisermos. Diferente da música, por tratar como arrependimentos que não se podemos voltar atrás e nem fazer um novo futuro, nós ainda estamos vivos. Nós ainda temos uma outra chance, nada está perdido, ainda há tempo de fazer diferente.

Agora podemos nos permitir amar mais, chorar mais, rir mais, festejar mais, aceitar mais, errar mais, arriscar mais, aproveitar mais, descomplicar mais e viver mais.

Para isso tudo é necessário uma boa dose de insanidade no bom sentido e de coragem. Isso quer dizer, muitas vezes, largar o que já passou, perdoar quem um dia ofendeu, esquecer o que já não é importante, aceitar o que não é conforme desejamos, respeitar o que é maior que nós e parar de tratar a vida e Deus como um mordomo pessoal, onde tudo existe para satisfazer os nossos desejos.

Parar de se colocar no centro do universo, parar de se achar importante, parar de se achar melhor que alguém, parar de exigir perfeição, parar de julgar e acusar o outro.

Sei que as pessoas têm suas expectativas em relação a nós e que também temos as nossas imagens sobre nós mesmos, mas quem é você sem o seu passado para buscar? Quem é você agora, sem consultar a sua memória? Você é preso a alguém ou alguma situação? Você é obrigado por quem a entrar em um molde, a ter uma característica, a agir de uma forma?

O seu passado te influencia porque no fundo você acredita que ele pode te influenciar. Nós somos muitas vezes é fieis ao seu passado porque acreditamos que ele é uma propriedade nossa, é a nossa história, é o que nós temos para contar para os outros. Assim como ainda somos fiéis aos nossos pais, repetindo seus traços mesmo sem concordarmos com isso.

Mas quem sou eu sem o meu passado? Quem sou eu sem os exemplos dos meus pais?

Perceba que você é muito mais do que isso, é muito mais que passado, memórias, defeitos, qualidades, repetições, condicionamentos, pensamentos, ações, palavras, acontecimentos, corpo… mas é isso que você ainda se baseia para se identificar.

É como se eu perguntasse a você quem você é, sendo que você só me mostra a sua identidade. Veja que isso é só um papel e não tem importância nenhuma, assim todo o resto.

Mude, mas mude para você. Realize o que te traz sensação de felicidade. Trabalhe o amor e compaixão em você. Perceba que muitas certezas que guardamos são meras pedras em sua mochila que carrega pela vida. Desapegue-se do que não lhe serve mais e permita se conhecer a cada dia, não para ser uma pessoa perfeita, pois em certo sentido isso não existe, mas para aproveitar esse período de tempo entre nascimento e morte que chamamos de vida.

Apenas queira estar bem consigo mesmo e com a vida, queira estar contente, queira ser feliz. Existe uma missão mais bonita que essa? Assim como uma vela, que não dura para sempre e o seu propósito depois que é acendida é iluminar o seu redor e poder acender outras velas, sem que isso a faça se apagar no caminho.

“Há um leão em você e você está vivendo como um rato, eu vou lhe dizer para rugir e ser o leão que você é. A vida é grande o suficiente para assumir todos os nossos erros, todas as nossas aventuras, todo o nosso coração aberto, tudo, você não pode ultrapassar, ser maior que a vida. Se você é um leão, então você tem de rugir, mas não é um rugido de arrogância ou estupidez, é que você abra o seu coração para a vida. Eu digo a você para caminhar o seu trajeto, não desrespeite outros seres, demonstre amor à sua família, tanto quanto você pode, mas caminhe sempre a sua verdade. ” MOOJI

Que a sua parte que acredita nisso tudo e que quer o seu melhor seja vitoriosa perante uma parte pequena e míope sua que lhe impõe dificuldades.

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Virgilio Magalde
Engenheiro de Formação, que largou o mundo corporativo para seguir o sonho de ser professor na área. Filósofo, escritor e poeta de coração. Atualmente desenvolvendo o hábito de ser blogueiro. Possui formação em coaching e se interessa sobre assuntos de desenvolvimento pessoal, relacionamentos, meditação, espiritualidade e demais explicações sobre o que vemos e sentimos.



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