Os gatos de Bukowski: entenda o fascínio do escritor pelos felinos

Na Era Bukowski, em que vemos inúmeras estampas de suas grandes obras e seu rosto veiculando pelas terras clandestinas da Web, eis que encontramos citações sobre os misteriosos felinos.

Charles Bukowski foi um escritor alemão, naturalizado americano, famoso por suas poesias e contos dramáticos recheados de sarcasmo e de uma verdade nua e crua. Um romancista com uma paixão paradoxal pelas mulheres e que destilava todas as frustrações na bebida e nas palavras escritas. Ele carrega uma legião de fãs pelo mundo, até mesmo os mais jovens buscam, em suas anormalidades, um refúgio através da literatura insubordinada desse “Velho Safado”.

Para quem leu os livros e vasculha quaisquer frases ou vestígios que o escritor perpetuou sabe que ele possuía muitos gatos, vários deles, perambulando pela casa, junto dos papéis, canetas, desejos e doses de Boilermaker, sua bebida favorita. Entenda que os gatos não passaram pela vida intensa de Bukowski aleatoriamente, mas era proposital e empático que partilhavam do mesmo comportamento, sendo os gatos inspirações para suas obras.

O escritor gostava de ressaltar o quanto gatos são animais livres, selvagens e de um amor peculiarmente exigente. Por vezes, Charles se encontrava arranhado ou mordido carinhosamente pelos vagantes silenciosos e articulados. Gatos penetram nas entranhas da alma, desarmam nossas defesas e desafiam nossa existência, como um ser pedante e inconstante, pois são animais confiantes e sobreviventes.

Bukowski encontrava, nessas áureas enigmáticas, um consolo para sua jornada inquietante. Dizia: “Ter um bando de gatos por perto é bom. Se você está se sentindo mal, é só você olhar para os gatos e vai se sentir melhor, porque eles sabem que tudo é, tal como é. Não há nada para ficar animado. Eles apenas sabem. Eles são salvadores. Quanto mais gatos você tem, mais tempo você vive. Se você tem uma centena de gatos, você vai viver dez vezes mais do que se você tem dez. Algum dia isso vai ser descoberto e as pessoas terão mil gatos e viverão para sempre. É realmente ridículo”.

Até mesmo um senhor insano e irreverente buscava inspirações de fontes naturais e instintivas para explanar obras geniais, com uma sacada que a minoria reconhece como uma incrível aula sobre sobrevivência humana em um mundo caótico e utópico. Os gatos o ensinavam com maestria essa passagem áspera, entre goles, intimidade, vazio e uma insuportável franqueza, de arrepiar nossas noites literárias. Um gênio.

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Júlia Guglinski
Treinadora e comportamentalista de cães. Atriz de teatro, cantora e compositora.

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