O modo como o outro nos trata é problema dele, o modo como reagimos é problema nosso

Imagem de capa: nd3000/shutterstock

A maneira como nós recebemos o que nos oferecem é o que importa, pois seguramos em nós apenas o que quisermos.

Ouso dizer que vivemos a “era do grito”, haja vista as farpas que se trocam, principalmente através das redes sociais. Muitas pessoas respondem agressivamente aos posts alheios, sentindo-se protegidos pela tela do computador, como se estivessem no anonimato, tal é a violência com que se expressam virtualmente. No dia-a-dia, da mesma forma, o estresse tomou conta da maioria das pessoas, pois muitas delas vivem de cara amarrada, soltando fogo pelas ventas.

E a gente se fragiliza, sente-se mal, porque esse mal estar todo que permeia os relacionamentos interfere em nossa autoestima, em nosso respirar, em nossa essência. E a gente se machuca, fica triste, porque não vê mais gentilezas, não recebe gratidão, nem sorrisos sinceros. Porque já temos tanta bagagem pra carregar, já criamos tantos problemas por nossa conta mesmo, que ninguém mais precisaria nos perturbar com assuntos que não são nossos.

Infelizmente, jamais teremos poder algum sobre o comportamento das pessoas à nossa volta, uma vez que ninguém parece querer poupar ninguém, hoje em dia, muito menos escolher as palavras e ponderar no tom de voz ou da escrita. O que poderemos – e deveremos – fazer é controlar a nós mesmos, tentando equilibrar nossos sentimentos enquanto vamos recebendo as porradas que teremos pela frente. Se o outro não tem freios, nosso íntimo que o freie.

Fato é que a forma como a violência e a agressividade são acolhidas determinarão o grau de sua intensidade no outro. Caso os gritos ecoem no vazio, caso os arroubos agressivos não encontrem terreno onde se instalar, a dor não vai para a frente. Isso quer dizer que a maneira como nós recebemos o que nos oferecem é o que importa, pois seguramos em nós apenas o que quisermos. Não é fácil, mas será essencial ignorar aquilo de ruim e inútil que chegar até nós, com elegância e firmeza.

Embora iremos nos decepcionar com as pessoas e com o que dizem – com a maneira como dizem -, não poderemos acumular a negatividade que nos rodeia aqui dentro, ou nos tornaremos a cada dia menos fortalecidos para buscar os nossos sonhos. Teremos que lutar com o que temos, assim como deveremos deixar as pessoas se virarem com o que possuem, com a violência que carregam. Além disso, sempre haverá jardins gentis e coloridos onde poderemos repousar as nossas forças, junto a quem sabe argumentar sem agredir a ninguém.

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Marcel Camargo

“Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar”.

É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.


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