O amor que não é demonstrado não serve para nada.

Quando você opta por não externar a sua raiva em alguém que a desencadeou, você está sendo sensato, evitando vários transtornos ou até mesmo prejuízos das mais diversas ordens. Não significa que você deva engoli-la, pois isso poderá ser nocivo à sua saúde emocional ou mesmo física. Contudo, existem várias estratégias para você extravasar esse sentimento. Você pode praticar esportes, escrever sobre ela, chorar, desabafar com alguém, enfim, ela poderá ser elaborada de uma forma que não deixe consequências tão desagradáveis. A raiva é uma energia muito densa que pode ser canalizada para algo construtivo, acredito. Ela pode, sim, ser ressignificada.

E o amor? Ah, ele segue na contramão da raiva. O amor requer explicitude, para surtir algum efeito. Você pode e deve externá-lo, do contrário, ele não servirá para absolutamente nada. Amor guardado, estocado, é desperdício. Como assim, o mundo tão faminto de afeto e alguém retendo amor? Não, não pode! De nada adianta você ter as melhores intenções, ou um grande sentimento por algo ou alguém e não demonstrá-los, não praticá-los.

Uma das frases mais deprimentes que já ouvi, em forma de desabafo, foi: “eu gostava muito dela, mas nunca quis demonstrar, eu gostava do meu jeito”. Nossa, quanta mesquinhez desse ser. Negou a alguém a experiência de sentir-se amado, uma das experiências mais ricas dessa vida.

Por acaso, demonstrar amor custa dinheiro? Ainda que custasse, valeria o investimento, acredito. Ah, pasmem-se, no caso do desabafo que ouvi, o rapaz mantinha um relacionamento “amoroso” com uma mulher, mas era bem frio com ela, ele fazia questão de agir assim. Relação amorosa onde o amor não pode ser demonstrado, compreende a complexidade? Obviamente, o relacionamento chegou ao fim, a parceira estava desnutrida de afeto. O autor do desabafo confessou -me que não demonstrava gostar da parceira por entender que ela ficaria muito convencida ao sentir-se amada. Ele nutre a crença de que se alguém demonstra amor, ele será humilhado e desvalorizado por isso. Aquela insanidade de acreditar que mulher precisa sentir-se insegura quanto ao sentimento do parceiro.

Quase chorando, um deles me confessou: “eu amo tanto aquela mulher, eu faria qualquer coisa para tê-la de volta”. Então, perguntei-lhe: para quê? Para continuar matando a mulher de fome de afeto? Relaxa que ela já deve estar banqueteando por aí, aquilo você negou, intencionalmente, ela encontrará com fartura e eu torço por ela. Ah, leitor(a), você deve estar me achando um poço de insensibilidade diante do desabafo do rapaz, né? Calma, não é bem assim, eu não agiria assim se não tivesse motivos. Esse moço, por diversas vezes, me colocou a par das grosserias que ele aprontou com a namorada. E eu sempre o alertava, eu sempre tentava orientá-lo afim de que ele repensasse a forma como ele se portava em seu relacionamento. Não foi falta de aviso. Contudo, ele pagou para ver e agora chora o leite derramado.

O amor que é negado, ocultado, disfarçado ou negligenciado não gera frutos, não surte efeito algum. Acredito que a maioria das pessoas já experimentou a indescritível sensação de sentir-se amado. Quase todo mundo carrega, em seu baú de nostalgias, um amor adolescente, ainda que não tenha sido tão recíproco, o alvo de um amor demonstrado nunca vai esquecer, pois o amor deixa sempre as digitais onde ele toca. E aquele que amou e demonstrou, ainda que não teve o retorno desejado, tem história para lembrar e contar.

Amor bom é amor demonstrado. Amor bonito é amor escancarado. Ele é uma espécie de remédio que não pode ser servido à conta gotas, é para servir sem moderação, a qualquer hora, em qualquer lugar. Não existe risco de super dosagem, tampouco de reações adversas. O amor, apesar de valioso, não custa dinheiro e é multiplicado a cada vez que você divide. Por favor, se você gosta, demonstre. O outro não tem bola de cristal e, o amor é expresso em atitudes.

Imagem de capa: Kseniia Perminova/shutterstock

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Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.


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