Nem todo perfume me inebria, nem todo sorriso me convence

Gosto é uma coisa. Aquela coisa que não se discute, particular, individual, personalizada.

É historia pessoal, a provocação que mais ninguém conhece, aquilo que não se desvenda por adivinhação, nem se interpreta por dedução.

Eu gosto de pêssego, você de abacaxi. E eu gosto de experimentar do que você gosta. Quem sabe eu gosto também. Ruim é colocar a recusa na frente, como um escudo para não alcançar a coleção de gostos tão carinhosamente cuidada.

É o perigo de eu achar que meu gosto vale mais do que o seu. E isso é de extremo mau gosto.

Ter gostos mais ou menos definidos é positivo porque definem um norte para o que se quer e o que se encaixa para a vida. E descobrir novos gostos é sempre um vitória a ser incorporada e comemorada. Nada mais prazeroso do que se descobrir inebriado ou encantado por algo novo e agradável aos sentidos, sejam eles quais forem.

Conhecer os próprios gostos ajuda a descobrir o que não é de gosto. Ajuda a evitar o que causa desgosto, na maioria das vezes.

Aprender que o gosto alheio é tão importante quanto o seu próprio, ainda que aos seus olhos, estranho, extravagante, curioso, simplório, ou sem definição suficiente.

Com o tempo a gente aprende que as diferenças são peças essenciais no quebra cabeças do crescimento.

E, se por gosto ou somente por ignorância, eu vier a desprezar o seu gosto, por favor, me perdoe o mau gosto. Definir os limites de defesa do meu gosto sem esbarrar nem atropelar o seu, é uma luta diária e árdua que ainda enfrento pela vida afora.

Nem todo perfume me inebria e nem todo sorriso me convence, mas ainda estou longe de ter um vasto leque de gostos. Estou, assim como você, em contínuo crescimento.

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Emilia Freire
Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.



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