Narcisistas são uma fraude ambulante.

Imagem: Cressida studio/shutterstock

É muito comum, após o término de uma relação com perversos narcisistas e antissociais, descobrir que levam uma vida dupla ou múltipla. Descobre-se que são viciados em prostituição, que suprimem a própria homossexualidade se comportando como homofóbicos, que são promíscuos, que não têm a formação que afirmavam ter, que eram casados, que não trabalham onde diziam trabalhar, que são golpistas vindos de outras situações abusivas, etc.

É preciso estar muito atento aos sinais iniciais para não cair nessa cilada. Um sinal é, com certeza, o fato que, não raro, dentro dessas relações, somos procurados por ex, pessoas desesperadas tentando alertar você, o novo alvo, sobre o que está por vir. É claro que, quase sempre, essas pessoas serão vistas como loucas ciumentas querendo estragar a relação linda que você está vivendo.

A propósito delas, tenho o hábito de dizer que, quando você começa a detectar comportamentos estranhos, saber a versão de alguém do passado quase sempre lhe dá um panorama completo de quem você realmente tem diante dos olhos. Contudo, enquanto procurar alguém do passado pode ser útil, não sugiro que ninguém vá procurar o novo alvo, pois isso será recebido com desconfiança e você será alvo de chacota do “casal” e de todos a quem farão questão de contar que “você veio atrás”. Você não precisa dessa exposição e humilhação. Deixe que a pessoa, quando a começar cair na real, busque contato. Acredite, quase sempre isso vai acontecer.

Voltando a questão inicial, quando se é surpreendido com a realidade sobre esses tipos, a sensação de desespero, engano e injustiça pode ser incapacitante. Eu sei bem como é, mas por mais tentada que esteja a ir tirar satisfação, posso lhe dar apenas uma orientação: ao deparar-se com a realidade dos fatos NÃO adianta tentar desmascará-los. Essas pessoas são capazes de distorcer a verdade a tal ponto que você sairá da conversa se achando uma pessoa maluca, exagerada ou culpada, pronta a entender e perdoar.

Ele negará e inverterá, mas se não tiver como negar, se fará de vitima e dará uma desculpa comovente para as mentiras reiteradas, dizendo que, ou queria “preservar” você de algo ou a culpa foi sua por ele ter escondido aquilo. Se isso não colar, terá ataques de fúria porque você ousou bisbilhotar em sua vida.

Não há coisa mais temida por um perverso narcisista do que ser desmascarado; ser exposto diante de você ou dos outros; ter sua máscara imaculada, moralista e dona da verdade, arrancada. Ele não vai tolerar seu atrevimento e, mesmo que finja que errou e peça uma nova chance, num piscar de olhos se vingará de você por ter ousado a vê-lo como verdadeiramente é. Dar essa nova chance é expor-se para mais abuso, não faça isso.

Não há outra saída: está diante de uma realidade muito feia? ACEITE os fatos. Você se envolveu com alguém maligno, sem escrúpulos. Você se envolveu numa FRAUDE AMOROSA. É isso. As promessas, os planos, tudo faz parte do mundo de faz de conta perverso e grandioso em que esses tipos vivem.

É difícil, dolorido? Eu sei muito bem que é, mas aceitar esse fato sem tentar ir atrás de conserto é o único caminho para cessar o abuso imediatamente. Todas as suas tentativas para consertar um mundo de mentiras vai resultar em mais mentiras, engano, abuso e dor.

E como se faz isso? Da mesma forma que esses tipos fazem: de repente, sem nenhuma explicação, de forma fria, abrupta mas, diferente deles, sem JAMAIS olhar para trás. CORTE tudo o que ligar você a essa fraude. Se tiver filhos, tome todas as decisões em juízo, jamais verbalmente, e minimize ao INDISPENSÁVEL o contato.

Concentre-se apenas em reconstruir sua vida de toda a devastação deixada e ir em busca da felicidade e identidade da qual precisou abrir mão enquanto naquela relação. Somente sua rejeição, indiferença e felicidade são capazes de castigar uma pessoa com esse perfil.

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Lucy Rocha
Advogada, personal coach e fascinada pelo estudo de transtornos de personalidade, administra a página Relações Tóxicas, na qual dá dicas e apoio a pessoas que vivem, viveram ou sobreviveram a uma relação abusiva. Seu maior prazer é escrever reflexões sobre a vida e sobre o ser humano.


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