Não se preocupe comigo, eu me curo

Não se preocupe comigo e, sim, com você, que repete os mesmos comportamentos de menino, dando e pedindo as mesmas desculpas, chegando e saindo sem qualquer responsabilidade, levando muitas vezes o que não te pertence e sem permissão.

Querido, eu me curo. Da mesma forma que eu não sou para você, você também não é novidade para mim. Você não é o meu primeiro príncipe, meu primeiro engano, meu primeiro erro. Portanto, querido, nem toda essa importância você pode reclamar para si.

Querido, o que foi bom, foi ótimo. Fiquemos unicamente com isso. Não lamente por mim, não troque a sua culpa pela dó, não faça essa barganha desonesta. Saia desse contexto o mais limpo possível, sustentando suas certezas, assumindo suas escolhas e, principalmente, leve com você a sua parcela de responsabilidade. Não a deixe de herança para mim, pois, já tenho a minha própria e a usarei como argumento para seguir em frente.

E, querido, não seja tolo, não me olhe como se eu fosse frágil, delicada e vulnerável. Sou mais forte do que pensa e, te aconselho a não ficar com a imagem de biquinhos e suspiros como lembrança, pois, definitivamente, não é meu retrato fiel. Entenda que as ferramentas de um diálogo não são a parte em si. Somos muito mais, tanto eu quanto você. Se quiser, leve com você a inquietação de não ter visto o melhor nem o pior de mim. Eu abrirei mão dessa parte, aceitando que já vi o que era preciso e, daqui para frente, nenhuma explicação será mais útil ou necessária.

Por fim, querido, peço que não me pendure como coitadinha na sua galeria de lembranças, já que, por mim mesma, também não te citarei com despeito.
E, não me peça mais desculpas por ter escolhido outra vida. Desculpe-se somente por sua falta de coragem para me contar, dividir suas dúvidas, olhos no olhos.

Quanto a mim, não tenha dúvidas, eu me curo!

Texto revisado por Flávia Figueirêdo

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Emilia Freire
Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.



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