Mudar é doer

Decisões importantes e grandes mudanças, aquelas que nos chutam para fora da zona de conforto e nos impulsionam em direção à vida plena que desejamos e merecemos, vêm, quase sempre, acompanhadas de dor.

Quando dobramos os joelhos pedindo aos céus que mexa com nossa estrutura, imaginamos que um poder superior vá chegar consertando as coisas quebradas e fechando feridas. Mas se você parar para pensar, quase toda grande mudança, aquela boa, vem acompanhada do oposto.

Sim, grandes mudanças abrem feridas e colocam tudo de pernas para o ar, promovendo, num primeiro momento, caos, desconforto e insegurança. Grandes mudanças vão abrir sua conchinha à força, arrancá-lo daquele espaço conhecido, onde vivia encolhido sem nunca notar o incômodo de não poder esticar as pernas e vão arremessá-lo na grandeza e frescor do mar da vida. E lá, naquele mar medonho e lindo, quantas serão as possibilidades…

Não, não há como evitar a dor. Quando se dá a luz a uma pessoa, antes de ver uma vida se materializar diante de si, sente-se dor. Quando se deseja um corpo sarado, encara-se a dor da acadêmia. Quando se deseja dinheiro, enfrenta-se a dor do trabalho duro ou o perigo de tirá-lo de alguém. Quando se deseja cessar um ciclo de abuso em casa, no trabalho ou na vida, encara-se a dor da ruptura e da incerteza.

Mudar é doer, mas encarar essa dor é ter a oportunidade de sorrir diante do resultado.

No primeiro momento, sente-se na boca aquele amargo-doce, aquela borboleta no estômago e a clara sensação de que parece que o mundo vai desabar sobre sua cabeça, lhe ordenam que faça o caminho de volta ao intolerável. Mas se tiver coragem de enfrentar esse estado de coisas; de dor insuportável, mas necessária, verá o incrível milagre da vida acontecer diante dos seus olhos. O milagre que você é e não sabia.

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Lucy Rocha
Advogada, personal coach e fascinada pelo estudo de transtornos de personalidade, administra a página Relações Tóxicas, na qual dá dicas e apoio a pessoas que vivem, viveram ou sobreviveram a uma relação abusiva. Seu maior prazer é escrever reflexões sobre a vida e sobre o ser humano.



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