Homens não são todos iguais

Imagem capa: Jaroslav Monchak, Shutterstock

Sempre escuto a mesma história de corações partidos, cujo vilão é sempre o homem. Mas, pera lá moça, homens também sabem amar. Eles podem ter um jeito bagunçado, que soa como desinteressado às vezes, mas também amam. O tempo de entrega talvez seja mais demorado, mas eles também sabem se envolver.

Sentem falta e perdem a concentração das coisas quando se lembram daquele sorriso e deixam escapar aquela fala de saudade no meio da semana, como quem quer vê-la novamente. É que, depois de tantos tombos e tantas feridas, a gente acaba ficando na defensiva e faz pose de durão, para esconder um coração partido – é um ótimo disfarce.

Esses dias, escutei o desabafo cansado de um amigo que não aguentava mais ouvir a frase: “Homens são todos iguais”. Ei, não se prenda a isso não, só porque um babaca não soube ser homem. Não se prenda a esse clichê cansado só porque alguém não fez a diferença na sua vida como você gostaria de fazer na vida dele.

Homem também sabe amar. Uns amam dando flores e fazendo declarações, outros gostam de elogios, outros amam oferecendo a sua companhia. Cada um tem um jeito todo seu de ser e demonstrar o que sente, assim como nós, mulheres.

Nessa história de amor só não vale comparar, é melhor desconstruir esse padrão de homem perfeito, porque tenho uma péssima notícia pra você: eles não são todos iguais, mas são todos imperfeitos, assim como eu e você.

Então, esquece essa teoria, não use como modelo de homem um babaca que passou na sua vida e a deixou assim com feridas, por alguém que não soube valorizar o seu sorriso bonito e que não viu a verdadeira beleza que há em você.

Talvez você pense que os homens realmente são todos iguais e que, de alguma forma, eles não sofrem por amor. Mas eu digo que, às vezes, é mais fácil colocar uma máscara do que se desfazer de toda a armadura. É mais fácil fingir que não sente nada do que ir para uma guerra que, a gente sabe, vai nos machucar.

Depois de uma entrega, depois de tanto se doar a alguém por inteiro, preparar o café da manhã, comprar flores e deixar o chocolate favorito em cima da cama, nós preferimos nos esconder a tentar novamente.

Recomeçar cansa e, depois de tantos fins, decidimos repousar a nossa alma e o nosso coração, como quem pede por descanso. E então, quando a noite chega, esse alguém se despede como quem não quer ficar, coloca o bilhete rasgado no bolso, levando junto o seu coração. E aí você desmonta por inteiro e perde, por algum tempo, a direção.

Levamos tempo para nos recompor da poesia escrita de madrugada, do amor que ficou nas entrelinhas e do choro que quis aparecer quando a ideia do “o que eu fiz de errado” tomou conta dos nossos pensamentos, causando-nos uma angústia gritante.

E então, a gente se questiona e tenta pensar em que ponto falhou: você vai mesmo embora sem ao menos me dizer o que aconteceu? Eu lhe dei meu coração e você me entrega ele partido, sem esboçar nenhuma expressão de que não está bem com tudo isso? E aí, depois de se recompor, depois de se refazer, você evita de longe pensar em relacionamento, de certas coisas é melhor manter distância.

Tenta apagar o passado e esconde qualquer chama que tenta reacender. Você decide sair mais com os seus amigos e, sei lá, nem quer falar de casamento, ou conhecer alguém, pelo menos por um bom tempo. Ainda dói se lembrar desse alguém.

E, quando você se fecha, leva fama de coração de pedra, o que “não sabe amar” e, de brinde, ainda escuta o clichê cansado de que homens são todos iguais. Essa frase pode soar como inofensiva, mas anula todo e qualquer sentimento, como se os homens de fato não soubessem amar.

As desculpas usadas para não se envolver são tantas, que a gente perde até a conta. A verdade é que mulheres também sabem quebrar um coração, mas há mulheres que sabem amar como ninguém, seja ela intensa, chorona ou dramática.

Da mesma forma, há homens que não pensam duas vezes antes de machucar um coração e não se importam em criar feridas, mas há homens que, mesmo amadores, sabem amar como ninguém, provando todos os dias o quanto gostam da sua companhia.

Então, deixa pra lá esse clichê cansado, porque, no somatório dessa história, somos dois corações partidos, dois corações que souberam amar quem não tinha nada para oferecer a não ser feridas. Somos dois corações que, depois de tanto se machucar, desacreditaram e desejam se recompor.

Dois corações que preferiram, por um tempo, não embarcar nessa aventura do amor e isso, embora soe como falta de afeto, é apenas uma pausa para um coração intenso que cansou de sentir muito.

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Thamilly Rozendo
Estudante de psicologia, apaixonada por artes, música e poesia. Não dispensa um sorvete e adora um pastel de feira com muito requeijão, mesmo sendo intolerante a lactose. Tem pavor de borboletas, principalmente as no estômago.

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