Gratidão!

Sinto-me grata pela minha casa, pois, ainda que seja pequena, é nela que tenho tido o meu merecido e bom sono, os banhos quentes, nos dias de frio, e os alimentos, nos momentos de saciar a fome. Moro nela há algum tempo e, ainda que me vá, sempre me lembrarei dos dias em que pude viver aqui.

Sinto-me grata pela vida do meu filho, que, ainda em sua juventude, tem sido meu desde seu primeiro dia. Cheio de qualidades, há de percorrer seu próprio caminho, para aprender as mesmas coisas que aprendi. E, quando chegar aqui, no momento em que estou, iremos nos encontrar como grandes amigos, cheios de histórias para contar, nas afinidades dos caminhos percorridos.

Sinto-me grata pelo meu trabalho, onde convivo com tantas pessoas e aprendo todos os dias. A arte da profissão e a arte da vida. O viver o dia-a-dia sob pressão e com as diferenças, exercitando a tolerância de aceitar o outro e todo tipo de situação. Sinto-me grata pela resiliência adquirida. Sinto-me grata por tudo que recebo por isto.

Sinto-me grata pelos amigos, que, mesmo distantes, nunca se esquecem de mim.

Sinto-me grata pelos colegas, que, quando preciso, sempre se prontificam a me ajudar.

Sinto-me grata pelas pessoas difíceis em minha vida e por finalmente eu possuir gratidão por isso. Sinto-me grata por entender o quanto elas me ensinam e o quanto elas também estão aprendendo. Cada um no seu caminho de evolução.

Sinto-me grata até mesmo pelos que me machucam, pois são eles hoje a me ferir e não o contrário. E me sinto grata por não julgar os que menosprezam a minha dor.

Sinto-me grata pela minha família, por eu ter pessoas a quem posso chamar de meus. Sinto-me grata por tudo que a mim fizeram, pois com tudo cresci. E me sinto grata por todos estarem aqui, disponíveis, em caso de qualquer pedido de socorro.

Sinto-me grata por minha saúde, que, mesmo com alguns cansaços e excessos, continua aqui.

Sinto-me grata pela vida, que, mesmo com tantas dores e tropeços, ainda me proporciona momentos de prazer, amor e gratidão.

Sinto-me grata pelo ar que eu respiro, pela luz que me cega e pelo frio que incomoda. Sinto-me grata por vezes queimar a língua e ouvir as buzinas num dia de congestionamento. Sinto-me grata pelo bom funcionamento dos meus sentidos.

Sinto-me grata por, às vezes, sentir-me só, pois isso me mostra a capacidade de querer amar, mesmo após alguns fracassos.

Sinto-me grata por tantas vezes me sentir confusa, triste ou irritada. Todos esses sentimentos me provocam reflexões e me tiram de onde eu estou, sempre me levando a um lugar melhor.

Sinto-me grata pela minha capacidade de escrever desde criança e pelo inestimável prazer que isto me proporciona. Sinto-me grata pelos meus livros. E por toda inspiração.

Sinto-me grata por finalmente me sentir assim e perceber o poder da gratidão, que me traz sempre mais daquilo que eu preciso e desejo.

Sinto-me grata pela capacidade de sorrir, mesmo quando algo dói dentro de mim.

Sinto-me grata por perceber o milagre da vida, que um dia leva e outro dia traz. Num dia me deixa confusa e, no outro, me surpreende.

Sinto-me grata por querer mais e continuar a sonhar. Sinto-me grata por continuar a caminhada, mesmo sem a certeza de onde vai dar.

Sinto-me grata por quem eu sou hoje.

E me sinto grata por simplesmente me sentir assim!

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Carolina Vila Nova é brasileira. Tem cidadania alemã, 40 anos. Escritora e Roteirista. É autora dos seguintes livros: “Minha vida na Alemanha” (Autobiografia), “A dor de Joana” (Romance), “Carolina nua” (Crônicas), “Carolina nua outra vez” (Crônicas), “Vamos vida, me surpreenda!” (Crônicas), “As várias mortes de Amanda” (Romance), “O dia em que os gatos andaram de avião” (Infantil), “O milagre da vida” (Crônicas) e "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas). "Nosso Alzheimer." (Romance), Disponíveis na Amazon.com e Amazon.com.br

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