Gente que já acorda jurando que não fará concessões

Imagem:  bomg/shutterstock

E começa o dia quebrando a promessa, porque a rotina é feita de cessões, concessões e negociações, para que, minimamente, se consiga algum êxito.

De nada adiantam a atitude superior e a carranca fechada, as exigências descabidas, as vias sem saída e as vontades mimadas. No máximo, cansam e afastam quem poderia contribuir para algumas soluções do dia.

Gente que se enxerga como o ponto focal, que desconsidera o espaço e valor alheios, que pega a primeira cadeira de qualquer lugar sem se incomodar com quem vem atrás. Gente que acha que conceder é sinal de covardia, que confunde arrogância com personalidade forte, e apresenta total falta de cortesia como seu cartão de visitas.

Gente que crê merecer sempre mais e melhor… do que os outros.

Tem gente que vive desse jeito, que não para para observar os movimentos e mudanças do mundo, das pessoas, dos comportamentos e relações. Gente que parou no tempo da realeza, que embora nada tenha de nobre, insiste em viver como tal.

A vida é dura para toda essa gente. Sem nenhuma noção colaborativa nem solidária, se perdem no oceano de reclamações e protestos quanto ao seu direito de exclusividade e prioridade. Sofrem com a ideia de compartilhar espaços, direitos, ideias e conquistas.

Se trancam na fortaleza reforçada de certezas e asperezas, solitários e mal humorados, prometendo em vão que jamais farão concessões.

E a vida vai passando, por vezes sorrindo, outras nem tanto, mas mudando sempre o caminho e as possibilidades dos encontros e uniões.

Por detrás das grades, gente que até queria seguir a vida, mas, por não fazer concessões, não encontra mais meios de se encaixar nem de seguir o ritmo. Gente que engessou as chances de ir adiante, por conta de um orgulho infantil.

E, por fim, para mudar essa história, só mesmo arrebentando as correntes, quebrando as juras, se misturando no mundo e perdendo o medo de ser gente como a gente. Qualquer gente.

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Emilia Freire
Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

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