Entenda como funciona o ciclo do abuso em um relacionamento tóxico

VOCÊ ESTÁ NUM RELACIONAMENTO TÓXICO?

Muito tem se falado sobre relacionamento abusivo. Dedico uma página inteira ao tema, pois, por trás dessas relações, há assunto para uma coleção de livros e muito estudo. Para quem está fora de uma relação tóxica, parece bastante fácil identificá-las. Mas quem está dentro, vive mesmo é num estado constante de confusão mental e dúvida, onde nada parece tão óbvio.

Meu relacionamento é abusivo ou não?

As relações tóxicas/abusivas/destrutivas/doentias são, não raro, formadas por indivíduos com características do transtorno de personalidade narcisista ou antissocial de um lado e pessoas exacerbadamente empáticas ou emocionalmente dependentes do outro. Dificilmente cria-se uma situação destrutiva por um longo período entre pessoas emocionalmente saudáveis, pois não toleram e rompem rapidamente. Já entre narcisistas e dependentes emocionais cria-se uma simbióse.

Trata-se daquelas relações em que, não importa o que aconteça, a parte que se submete não consegue sair dela, como se estivesse quimicamente viciada e emocionalmente cega, e a parte que submete, parece alimentar-se daquele estado de coisas.

Se você não tem certeza se está vivendo uma relação tóxica, um método bastante simples é verificar se está presente a ocorrência de um ciclo repetitivo de abuso dividido em 4 fases principais que formam, resumidamente, a rotina do casal por toda a duração da relação.

Nesse cenário, passados os primeiros momentos da fase de conto-de-fadas, característico das relações tóxicas, a dinâmica relacional passa a ser marcada por esse ciclo ininterrupto de abuso, até que se dê a ruptura pelo alvo de abuso ou pelo descarte do abusador (mais comum).

Entenda o que forma esse ciclo. Você se identifica?

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CICLO DE ABUSO NAS RELAÇÕES TÓXICAS

  1. TENSÃO

Surgem momentos de tensão, a maioria das vezes, imotivados ou causados por algo sem significância. Há interrupção brusca de comunicação com o alvo e uso silêncio passivo-agressivo. O alvo sente medo e confusão mental, passando a tentar apaziguar, compensar, reverter o comportamento tenso da pessoa abusiva

  1. INCIDENTES

Ocorrem “incidentes” de abuso verbal, emocional ou físico. Há brigas, gritos, xingamentos, cara feia, ameaças, vitimização, intimidação e culpabilização. Inicialmente o alvo diz para si mesmo que não vai tolerar, mas…

  1. RECONCILIAÇÃO

A pessoa abusiva se desculpa ou dá desculpas para o seu comportamento. Culpa o alvo por ter-lhe feito “perder a cabeça” e ou por ter criado aquela situação que resultou no incidente. Algumas vezes nega que o abuso tenho ocorrido ou que tenha sido tão grave quando o alvo afirma. Minimiza e estipula “novas regras”. O alvo se esforça para não ter novos incidentes.

  1. CALMARIA

O “incidente” é esquecido. Há uma pausa nos comportamentos abusivos, dando início a uma fase de “lua-de-mel”. O alvo crê que exagerou. Sua crença na relação se fortalece novamente.

Volta-se à fase 1.

Se você se identificou e crê que seu relacionamento esteja permeado desse ciclo abusivo, talvez seja a hora de criar coragem e romper.  Em que pese o fato da ruptura em relacionamentos tóxicos ser dolorosa e por a parte submissa numa espécie de crise de abstinência duríssima, ela é necessária e urgente para garantir sua saúde mental, emocional e física. Se você não põe um fim nesse ciclo, ele põe um fim em você. Não adie.

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Lucy Rocha
Advogada, personal coach e fascinada pelo estudo de transtornos de personalidade, administra a página Relações Tóxicas, na qual dá dicas e apoio a pessoas que vivem, viveram ou sobreviveram a uma relação abusiva. Seu maior prazer é escrever reflexões sobre a vida e sobre o ser humano.



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