Em vez de esperar que lhe tragam flores, regue seu próprio jardim

Atraímos o que somos e temos, ou seja, enquanto estivermos incompletos, o que nos chegar também estará aos pedaços.

Nada como a maturidade para trazer entendimentos que nos aliviam muito daquilo que nos deixava apreensivos tempos atrás. Se passássemos pela juventude com as experiências que acumulamos lá na frente, seríamos poupados de muitos sofrimentos inúteis, como aquele que nos afligia quando não éramos correspondidos como queríamos.

Um dos maiores equívocos de nossas vidas vem a ser justamente o de esperar que os outros ajam como nós, ou que eles nos completarão naquilo que nos falta. Parece que passamos muito tempo dependendo dos outros, esperando dos outros, vivendo para os outros, enquanto deixamos a nós mesmos em segundo ou terceiro planos. E, quando nos damos conta, percebemos como tínhamos sido ingênuos, perdendo tempo atrás do que poderíamos encontrar bem dentro de cada um de nós.

É assim com o amor, é assim com amizade, é assim com tudo na vida: caso fiquemos esperando encontrar lá fora de nós algo que nos falta, iremos sempre caminhar com um vazio nos acompanhando. Precisamos nos bastar e nos sentirmos completos e inteiros antes de adentrarmos qualquer tipo de relacionamento, porque ninguém possui o que, na verdade, temos de construir em nossa própria vida. Atraímos o que somos e temos, ou seja, enquanto estivermos incompletos, o que nos chegar também estará aos pedaços.

Embora se fale tanto em amor próprio nestes últimos tempos, ainda é difícil nos sentirmos bons e suficientes o bastante, ainda mais com tantas imagens de corpos perfeitos e de sorrisos brancos na mídia em geral. Além disso, a felicidade infelizmente se atrela ao tanto que se consome e ao tanto de carimbos no passaporte, às aparências, interferindo em nossa capacidade de ser feliz com o que temos, com o que somos. Afinal, impossível corresponder às figuras esquálidas, ricas e felizes a que assistimos na televisão.

Na verdade, embora os acontecimentos e as pessoas à nossa volta possam interferir no curso de nossa jornada, teremos que manter felicidade e contentamento dentro de cada um de nós, com otimismo, esperança, fé e positividade, pois é assim que ficaremos mais fortes para encarar o mundo lá fora. É assim que não deixaremos qualquer porcaria entrar em nossas vidas. Regando nossos próprios jardins, estaremos mais protegidos contra as ervas daninhas que tentarem nos empurrar goela abaixo, porque, então, não precisaremos de esmolas, nem de migalhas alheias.

Imagem de capa: Evgeny Bakharev/shutterstock

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Marcel Camargo

“Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar”.

É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.


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