A dosagem de uma chama amorosa

Os que estão apaixonados e sentem-se amados têm à frente uma grande armadilha: o amar de forma diferenciada.

Ele se entrega, precisa aliviar o acúmulo de energia libidinal, faz barulho como uma taça de vinho quando cai. A saudade aperta, a boca não consegue represar seus sentimentos que se tornam verbo com freqüência.

Ela se apresenta de braços abertos, fala de sonhos e projetos, é mais sutil, diferentemente de uma taça que se espatifa, demonstra seu amor com a serenidade de um cair de lenço no chão: leveza e tranqüilidade. Contudo, os dois se amam. E como amar na diferença?

Paixão e amor obedecem a critérios pessoais, e esses modelos são forjados de acordo com a história psíquica de cada um. Neste sentido, uns amam com mais violência do que outros, mas isso não os coloca em posição de desigualdade, ou seja, “eu amo mais do que você.” São atalhos diferenciados na expressão desses sentimentos.

Uns são lareiras que aquecem com chama permanente e outros lança-chamas incontroláveis que se autodestroem. A chama existe em ambos, mas o descontrole do manejar do fogo pode ser fatal. O que poderia ser um aquecimento de calmaria e conforto torna-se um grande incêndio neurótico com suas paranoias destrutivas. Culpa de Prometeu que roubou o fogo do Olimpo e trouxe aos homens. Pagou um alto preço.

O fogo brando parece ter mais poder de convencimento, e o outro que se tornou um fogareiro descontrolado, percebe a nocividade de seu braseiro. Que o parceiro brando o ajude com um farol sinalizador – uma chama na medida apropriada para que se aqueçam sem ferimentos por uma longa era.

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Rafael Souza Carvalho
Jornalista, apresentador do Sentinelas da Tupi (Rádio Tupi -RJ), Licenciado em História e Psicanalista em formação pala Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa.



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