Desculpe, aqui não trabalhamos com o “felizes para sempre”

Por favor, esqueça essa história de felizes para sempre. Amores que apelam para isso, não duram. Não existe jeitinho, gambiarra ou recortes que façam um amor durar tanto tempo. Porque para sempre é uma janela inexistente. É querer concentrar esforços para alimentar expectativas irreais e distorcidas do amor saudável. O melhor a se fazer é o seguinte, mergulhe no carinho diário e faça planos, mas ame como se fosse a primeira vez. Não faça contas do quanto esse sentimento pode ser estendido.

O que prejudica a maioria das relações é essa insistência em imaginar um futuro que pode não acontecer. É quando você aprisiona algo que deve ser vivido no hoje em vez do amanhã. A gente tira a beleza do amor romântico e o transforma num conto de fadas pra lá de dramático. “Eu quero você para sempre”, “eu vou te amar por toda a minha vida”, “nós nunca ficaremos separados” e outras declarações que, mais cedo ou mais tarde, encontram uma simples sentença, a realidade. Não é desacreditar que duas pessoas não possam ficar juntas, que não possam construir algo duradouro e digno de um final feliz. Mas acredite, é bem diferente concretizar uma felicidade de mantê-la por um tempo indeterminado.

É só perceber, no primeiro desfecho pós a fala felizes para sempre, o coração vai para beira do abismo emocional. E para quê? Por quê? Para quem? Difícil entender a necessidade urgente de alguns em categorizar suas relações amorosas em lados – deu certo e quebrei a cara. Não é assim. Não é o fim que te faz decepcionar-se com o amor, mas o pensamento criado de que ele nunca acabará.

O amor é legítimo no início, meio e fim. Logo, nada mais justo do que apreciá-lo e sê-lo nas horas, dias, semanas ou anos que lhe couberem. Amor é cuidar dos próprios afetos antes de solicitar permanências. É seguir adiante sem esperar que uma âncora esteja atrelada a quem você quer que fique.

Desculpe, aqui não trabalhamos com o “felizes para sempre”. Preferimos o “felizes de hoje em diante”. Ou, até quando formos felizes juntos.

Imagem de capa: Em Paris (2006) – Dir. Christophe Honoré

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