A liberdade de escolha: Qual dos caminhos seguir?

Que caminho seguir? Com qual das duas pessoas eu me relaciono? O que faço agora? Qual curso escolher? Qual produto que eu compro?

Quando você escolhe um caminho e deixa de escolher o outro, o que você perde é o conhecimento sobre o não escolhido. Isso pode ser muito perturbador quando pensamos que a nossa escolha talvez não tenha sido a melhor. Muitas vezes também, ficamos parados problematizando nossas escolhas e também não avançamos em uma decisão.

Mas escolher é liberdade, não?

Se você ama sorvete de chocolate e eu te ofereço duas opções de sorvete: limão ou chocolate. Qual você escolheria? Chocolate?!? Se eu estou condicionado ao sabor de chocolate eu consigo afirmar que eu em algum momento escolhi livremente um tipo de sorvete? A minha escolha era realmente livre?

Passando isso para outras escolhas do nosso cotidiano: faculdade, trabalhos, passeios, viagens, namoros, amigos, comidas, produtos… O que realmente escolhemos e o que seguimos de acordo com o nosso passado/condicionamento? O que seguimos de acordo com padrões sociais?

Será que muitas vezes não fazemos escolhas apressadas, sem realmente conhecermos as possibilidades. Nesse ponto, nossa escolha não é livre no sentido mais real da palavra, pois agimos condicionados a algumas crenças. Perdemos nesse caso uma oportunidade de nos conhecermos melhor e de seguir novos caminhos.

Se você só prova o sorvete de limão, então ele vai ser sempre a sua escolha e será para você o melhor entre todos os sabores. Permita se conhecer e também a vida a sua frente com com os seus sabores.

Um exemplo: Você tem que escolher entre duas pessoas, uma que já estava a mais tempo e uma nova. Você escolhe quem você já conhece porque você já conhece (risos). Sabe as qualidades, os defeitos, sabe o que não gosta e o que gosta nessa pessoa, conhece sua família, conhece suas crises, conhece suas brigas e seus sonhos. Chega um tempo e você se pergunta: será que a minha escolha foi a melhor?”

Fique tranquilo, no fundo você não escolheu, apenas seguiu fazendo algo que sempre fez. Você não deu opção para a segunda pessoa, você não a conheceu. Nesse momento você já indicou a primeira. Você ainda está preso naquela vida que você planejou e onde encontra certa segurança, não que isso seja ruim. O resultado você já sabe, algumas situações podem se repetir em sua vida.

Se você não pôde conhecer bem e tomar consciência das duas opções, então essa não foi uma escolha livre.

A real liberdade não é você ter duas opções, mas sim infinitas. É você poder ir aonde quiser, não em ter que escolher apenas dois lugares. A liberdade acontece em situações em que onde você tenha que escolher entre um caminho e outro sejam menos triviais. No sentido de que você está tão aberto para qualquer possibilidade e sabe tanto quem você realmente é; que a vida não necessita te perguntar, ela apenas flui — como um rio te levando aonde você precisa chegar. Quando chegar duas ou mais opções, você as conhece e se conhece tão bem que a escolha não será um estresse.

Quando nos perguntamos se saímos pela porta ou pela janela, isso não é liberdade. Isso é cativeiro disfarçado na sua mente. Geralmente quando você sai de uma escolha dessas você se pega envolvido numa outra, depois numa outra e depois mais outra.

Nós imaginamos que fazendo uma escolha seremos livres, mas logo na frente ficamos pensando na escolha que fizemos e encontramos mais opções para fazer. As vezes queremos dar macha ré para voltar, mas se tem uma coisa que passa e não volta atras é o tempo.

Convido a sermos realmente livres, a sair dos nossos condicionamentos, a escapar daquele mapa que traçamos para tudo e para todos, a parar de pegar o passado e replicar no presente.

Se você não quer colher sempre a mesma fruta então plante outra diferente.

Até aquele amor que você sente pelo outro pode estar condicionado. Pela sua necessidade você o ama; pelo passado que vocês já tiveram você o ama; pelo seu medo você o ama… Mas agora no presente, você o ama? Encontre uma nova forma de amá-lo, antes que você descubra que talvez você nunca o tenha amado ou que isso tenha ficado no passado.

O que é o amor em relacionamentos do que poder estar na presença de qualquer um para se relacionar e ter a liberdade de escolher estar com um só? Amor e liberdade caminham juntos.

Permita-se conhecer os caminhos, permita-se se conhecer. Se você não fizer isso, você não terá opção. Você irá fazer o que sempre fez e ter os mesmos resultados…

O que escrevo aqui não é uma fórmula pronta e nem algo mensurável. Não é necessário sair medindo ou aplicando a sua liberdade, apenas tome consciência do que é realmente ser livre.

A prática propositada da meditação afeta profundamente nossa personalidade.Somos escravos do que não conhecemos; do que sabemos somos mestres. De qualquer vício ou fraqueza em nós mesmos descobrimos e entendemos suas causas e seus funcionamentos, nós os superamos pelo próprio saber; o inconsciente se dissolve quando o trazemos à consciência. A dissolução do inconsciente libera energia; a mente se sente adequada e se torna quieta — Sri Nisargadatta Maharaj

Você é livre para tomar aquela decisão?

Pense nisso. Medite, se observe e converse.

Shanti (esteja em paz)

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Virgilio Magalde
Engenheiro de Formação, que largou o mundo corporativo para seguir o sonho de ser professor na área. Filósofo, escritor e poeta de coração. Atualmente desenvolvendo o hábito de ser blogueiro. Possui formação em coaching e se interessa sobre assuntos de desenvolvimento pessoal, relacionamentos, meditação, espiritualidade e demais explicações sobre o que vemos e sentimos.



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