13 regras para lidar com sociopatas na vida cotidiana

Trabalhando em ambientes empresariais e posteriormente no serviço público tive contato com diversas pessoas de caráter duvidoso que foram atraídas pelo poder dos cargos e utilizaram-se de suas posições hierárquicas para realizar ações com fins de lucro, interesses e prazeres meramente pessoais, abstendo-se, em contrapartida, do olhar da totalidade da organização e das necessidades da população.

Na prática clínica, ao realizar atendimento à pacientes e suas famílias, os anos de trabalho também confirmaram o que a literatura já dizia sobre os estragos provocados em pessoas que, direta ou indiretamente, tiveram suas vidas relacionadas à sociopatas.

Sabendo que um em cada 25 indivíduos é sociopata a conta deixará claro que praticamente todos nós já “esbarramos” ou convivemos com uma pessoa que, se corretamente avaliada, teria esse diagnóstico.

Como descrevi em outros artigos, eles podem ocupar qualquer profissão e dificilmente recorrem a violência, como aparece nos filmes.

Um dos traços muito frequente nesse perfil é um charme superficial- uma espécie de brilho ou carisma que, a principio, pode fazê-lo parecer mais interessante ou encantador do que a maioria dos indivíduos normais à sua volta. Destacam-se também, é sempre bom lembrar, pela superficialidade da emoção, pela natureza vazia e transitória de quaisquer sentimentos de afeto que possam alegar e por uma insensibilidade surpreendente. Eles não demonstram nenhum sinal de empatia nem interesse genuíno em se envolver emocionalmente com um parceiro. Uma vez retirada a camada superficial do charme, seus casamentos são sem amor, unilaterais e, quase sempre, de curta duração. Se o sociopata valoriza minimamente o cônjuge é porque o vê como uma posse e, se perdê-lo, ficara furioso, mas jamais triste ou culpado.

Não há culpa porque não há consciência moral, o que dá ao sociopata a mais completa liberdade para fazer o que bem quiser e com quem quiser. Para alcançar seus objetivos, sem a barreira da culpa, é só dizer às pessoas o que elas querem ouvir (manipulação) ou obrigá-las a fazer algo (coação, abuso hierárquico, etc).

Agora, o mais interessante e que me levou a escrever essa série de artigos é a dificuldade que temos em identificar pessoas com esse perfil e nos protegermos delas.

Sendo assim, seguem 13 dicas para lidar com psicopatas na vida cotidiana

1- Aceite a realidade de que algumas pessoas literalmente não tem consciência
Um dos grande erros que cometemos no dia-a-dia é achar que as pessoas enxergam e compreendem o mundo da mesma maneira que nós, o que é um pensamento absolutamente equivocado. Frente à uma mesma situação as pessoas podem ter interpretações completamente divergentes. Da mesma forma tratamos a questão da consciência. Nos sociopatas sabemos que ela é inexistente, logo não há culpa e quem não sente culpa pode fazer qualquer coisa.

2- Em caso de conflito entre seus instintos e o que espera de alguém no papel de educador, médico, líder, protetor de animais, humanista, pai ou mãe, siga seus instintos.
Querendo ou não, todos nós somos observadores constantes do comportamento humano e nossas impressões são filtradas. Muitas vezes captamos mensagens no ambiente e referentes ao comportamento de pessoas que são indicativos prévios de que existe algo errado mesmo antes que esse “algo errado” seja entendido conscientemente. Pode ser um olhar que nos dá medo, um sorriso que nos inspire falsidade.

3- Quando pensar em um novo relacionamento, seja de que natureza for, siga a REGRA DOS TRÊS com relação à afirmações e promessas que a pessoa fizer e às responsabilidades que ela tem.
Uma mentira, uma promessa não cumprida ou uma única responsabilidade negligenciada podem decorrer de um mal entendido. Duas vezes representam um erro grave, mas três ocorrências indicam que você está lidando com um mentiroso, e o engodo é a essência do comportamento de quem não tem consciência. Reduza seu prejuízo e se afaste o mais rápido possível.

4- Questione a autoridade
Mais uma vez devemos confiar em nossos instintos e ansiedades, sobretudo quando se tratar de pessoas que afirmem que a solução ideal para um problema seja dominar os outros, usar violência, recorrer à guerra ou alguma outra coisa que viole a sua consciência moral.
O mesmo deve acontecer frente à chefias abusivas. Muitos cargos de poder usam de sua posição para sair impunes de situações claras de assédio moral e sexual onde a vítima, além da tortura psicológica e física, tem que lidar com o silêncio, a vergonha e muitas vezes com a falta de ajuda dos colegas que são coniventes com o assédio pois silenciam-se também frente ao “poder” da hierarquia superior.

5-Desconfie da bajulação
Elogios são ótimos, sobretudo quando sinceros. Por outro lado, a bajulação é exagerada e agrada nosso ego de uma maneira irreal. É uma característica do charme fingido e quase sempre envolve uma tentativa de manipulação, que, às vezes, pode ser inofensiva e, em outras, sinistra.

6- Se necessário, redefina seu conceito de respeito
Muitas vezes confundimos medo com respeito e, quanto mais tememos alguém, mais o vemos como merecedor de nosso respeito. Lembremos que o respeito deveria ser uma reação automática dirigida apenas aos fortes, generosos e moralmente corajosos. A pessoa que se aproveita do medo que causa não possui nenhuma dessas qualidades.

7- Não entre no jogo
Quando trabalhava com saúde do trabalhador, sempre um dos meus maiores esforços era fazer com que as pessoas entendessem que o emprego é uma forma de vida e que não somos reféns eternos de um mesmo lugar. Por isso o fortalecimento da pessoa e a capacitação para outras atividades são tão importantes no processo.
Dificilmente haverá saúde num ambiente de intriga e manipulação política.
A intriga também é uma grande ferramenta dos sociopatas. Resista a tentação de competir com um sociopata sedutor, de enganá-lo, de analisá-lo ou mesmo de enfrentá-lo (a sua chance de perder é muito grande pois o jogo de quem não tem consciência não costuma ser justo).
Muitas vezes é mais importante concentrar-se no mais importante que é proteger-se.

8- A melhor maneira de se proteger de um sociopata é evitá-lo, recusar-se a manter qualquer tipo de contato e comunicação com ele.

Por mais que seja sofrido e difícil entender isso (todos aprendem a duras penas), a única maneira de lidar com um sociopata é impedir que ele tenha qualquer tipo de acesso à sua vida. As pessoas ao redor podem não entender, mas você não magoará ninguém. Por mais estranho que pareça e embora eles possam tentar fingir o contrário, (serão as vítimas e você o vilão ou vilã que as hostiliza) os sociopatas não sentem mágoa.
Também não se esqueça que a sociopatia é imensamente difícil de ser percebida e ainda mais difícil de se explicar. Você saberá, mas, como sociopata é muitas vezes um sedutor, algumas pessoas não acreditarão em você. Se você tiver clareza, entretanto, faça o que tiver que ser feito. Afaste-se.

9- Questione sua própria tendência a sentir pena

Lembre-se que seu respeito deve ser reservado aos generosos e as pessoas que possuem consciência moral. A “pena” é outra coisa que deve ser reservada para inocentes e para pessoas que realmente estejam enfrentando um revés da vida.
Ainda nessa linha lhe recomendo que questione seriamente a sua necessidade de ser educado em toda e qualquer situação. Para os adultos normais na nossa cultura, ser “civilizado” é um reflexo, e muitas vezes nos mostramos automaticamente corretos, mesmo quando alguém nos enfurece, mente ou nos apunhala pelas costas. Os sociopatas tiram grande proveito disso usando argumentos aparentemente convincentes para provar à você e aos próximos que é vítima de um complô ou algo do tipo.

10- Não tente recuperar os irrecuperáveis sozinho
Uma segunda (terceira, quarta e quinta) chance deve ser dada aos indivíduos que têm consciência. Se você estiver lidando com alguém sem essa característica fundamental, aprenda a engolir em seco e reduzir seus prejuízos afastando-se.
A certa altura, a maioria de nós precisa aprender a lição importante, ainda que desanimadora, de que, por melhores que sejam nossas intenções, não podemos controlar o comportamento- e menos ainda o caráter- de outras pessoas.
Do ponto de vista da justiça, acredito que as prisões-em casos extremos-são válidas. Isso porque, embora não possamos criar consciência e nem caráter em alguém, podemos educar uma pessoa para saber o peso da consequência de seus atos.

11- NUNCA concorde, por pena ou por qualquer outra razão, em ajudar um sociopata a esconder seu verdadeiro caráter.
O apelo “Por favor, não conte.”, em geral em tom choroso e rangendo os dentes, é uma marca registrada de ladrões, pedófilos e sociopatas. Não dê ouvidos ao canto da sereia. Os OUTROS merecem ser alertados enquanto OS SOCIOPATAS NÃO MERECEM QUE VOCÊ OS PROTEJA. E, lembre-se, você não deve nada à eles.
Outra coisa muito importante de ser dita é que, embora não tenham consciência, os sociopatas sabem diferenciar perfeitamente o certo do errado e entendem as normas sociais.

12- Defenda sua psique
Não permita que uma pessoa sem consciência- ou várias- convença você de que a humildade é um fracasso. A maioria dos seres humanos tem consciência e é capaz de amar.

13- Lembre-se que, apesar de tudo o que você passou, viver bem é a melhor vingança.
A mágoa e o ressentimento que nos invadem quando somos usados, manipulados ou humilhados às vezes é tão potente que o pensamento de vingança é o que prevalece. Entretanto, como dito acima, não se compete com um sociopata. Deixe que ele seja punido pela lei se a infringir e, do ponto de vista pessoal, seja feliz.

A informação é sempre a melhor prevenção

Josie Conti

Referência Bibliográfica
Livro: Meu vizinho é um psicopata
Autor: Martha Stouth, Ph.D

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Josie Conti
Blogueira e empresária. Após trabalhar anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, a Josie Conti ME e sua equipe trabalham prioritariamente na internet na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 6.5 milhões de usuários. É idealizadora da CONTI outra, o projeto inicial que leva seu nome.



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