‘Ontem comemos arroz e feijão, e tem dia que não tem nem isso’, diz pai desempregado ao falar da fome.

Exemplos de brasileiros tentando sobrevivem às condições da sociedade atual não faltam. Há poucos dias o site Psicologias do Brasil publicou uma matéria sobre um trabalhador que, para economizar com a passagem, dorme na Central do Brasil durante a semana. Hoje, contamos a história de Márcio Cesar.

Desempregado desde 2021, Márcio relata que, todos os dias, luta para trazer alimento e alimentar sua esposa e 4 filhos. Ele conta que, na última segunda, 4, a refeição da família foi arroz, feijão e “vina”, mas, ao mesmo tempo em que seus olhos marejavam, completou dizendo que nem sempre eles possuem o suficiente.

“Ontem nós comemos arroz e feijão. E tem dia que não tem nem isso dentro de casa […] devido a eu não ter um grão de arroz na minha panela, e eu falar ‘poxa, o que eu vou fazer agora?'”.

Infelizmente, Márcio é apenas mais um nome que se soma às estatísticas das famílias que vivem em insegurança alimentar. Esse nome, entretanto, tem rosto e sente fome.

Na região sul, onde mora, segundo publicado dados da 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 , a população que passa fome dobrou durante a pandemia.

Segundo a pesquisa:

População em segurança alimentar:

2020: 65,6 milhões
2021/2022: 57,7 milhões

A pesquisa também mostrou que, entre os períodos analisados, são 5 milhões de pessoas a mais com restrições na quantidade de comida, ou seja, pessoas que precisam pular refeições por falta do que comer. É a chamada insegurança alimentar moderada.

2020: 10,6 milhões
2021/2022: 15,8 milhões

Quando o recorte é sobre pessoas que passam fome, ou seja, em insegurança alimentar grave, número praticamente dobrou no Sul e no Sudeste: são 14 milhões de pessoas nesta situação.

2020: 7,4 milhões
2021/2022: 14 milhões

“E que as famílias todo dia tem que acordar, e descobrir como elas vão se alimentar. Vão correr atrás, vão pedir alimento na rua, de alguma forma tentar conseguir alimentação para seus filhos, seus pais, enfim, para todo mundo da casa. A solução vem de emprego, vem de renda, saúde, educação, mas isso demora. Enquanto isso, as pessoas precisam comer, até porque sem alimento a pessoa não estuda, não trabalha, não procura emprego”, explicou Rodrigo Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania.

***

Com informações de G1

Imagem de capa: Márcio Cesar Costa falou à RPC das dificuldades com a fome — Foto: RPC

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