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Ele passou décadas cantando para multidões, mas o filho contou que faltou dinheiro até no adeus

Antes de se tornar um dos cantores mais conhecidos da música popular brasileira, Reginaldo Rossi levava uma rotina bem diferente daquela que o público conheceria nos palcos. Estudava engenharia civil, dava aulas de matemática e se apresentava em pequenos estabelecimentos do Recife, onde começava a construir sua carreira musical.

Na juventude, usava cabelos curtos, tocava guitarra e tinha como referências os Beatles e Roberto Carlos. Era o início de uma trajetória que atravessaria quase cinco décadas, renderia milhões de discos vendidos e lhe daria um título que carregaria até o fim da vida: Rei do Brega.

Apesar do sucesso, seus últimos anos foram acompanhados por dificuldades financeiras que só se tornaram amplamente conhecidas depois de sua morte. Em 2017, o filho Roberto Rossi revelou que o pai havia deixado dívidas e que a família sequer tinha recursos para custear seu funeral.

De professor de matemática a cantor de rock

Nascido no Recife, em 14 de fevereiro de 1943, segundo registros biográficos publicados na época de sua morte, Reginaldo Rodrigues dos Santos Rossi chegou a cursar engenharia civil durante quatro anos, mas abandonou a graduação para seguir a carreira artística.

Enquanto estudava, trabalhava como professor de matemática e física para ajudar a se sustentar. A experiência foi confirmada pelo próprio cantor em entrevistas, nas quais recordava a época em que precisava conciliar o trabalho com as primeiras apresentações musicais.

Sua estreia aconteceu em meados dos anos 1960, quando o rock e a Jovem Guarda conquistavam os jovens brasileiros. Reginaldo começou se apresentando em bares e clubes pernambucanos, acompanhado pelo conjunto The Silver Jets.

Naquele período, fazia imitações de Roberto Carlos e cantava músicas influenciadas pelo movimento conhecido como iê-iê-iê.

Em 1966, lançou seu primeiro disco, O Pão, pela gravadora Chantecler. No ano seguinte, chegou às lojas Festa dos Pães, ainda marcado pela sonoridade de sua fase inicial.

A mudança de estilo ocorreu gradualmente. Em 1970, com o álbum À Procura de Você, o artista passou a investir no repertório romântico que acabaria definindo sua identidade musical.

O sucesso que começou no Nordeste e conquistou o país

Reginaldo Rossi já era um fenômeno de popularidade no Norte e no Nordeste quando passou a receber maior atenção do público de outras regiões.

Suas canções abordavam relacionamentos conturbados, ciúmes, separações e desilusões amorosas. As letras diretas, acompanhadas de melodias fáceis de reconhecer, ajudaram a aproximá-lo de ouvintes de diferentes gerações.

Entre seus maiores sucessos estão A Raposa e as Uvas, Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme, Leviana, Recife Minha Cidade e Garçom.

Esta última, lançada originalmente em 1987, tornou-se sua música mais conhecida. A composição ganhou nova projeção nacional no fim dos anos 1990, especialmente depois do lançamento do álbum Reginaldo Rossi ao Vivo: Grandes Sucessos, de 1998.

O disco apresentou o cantor a uma parcela do público que ainda não acompanhava sua carreira. Em 1999, ele recebeu uma homenagem musical com participações de artistas como Lenine, Zé Ramalho, Otto e Geraldo Azevedo.

Ao longo da trajetória, acumulou discos de ouro, platina e diamante. Em 2011, venceu o Prêmio da Música Brasileira na categoria de melhor cantor popular, pelo trabalho Cabaret do Rossi.

Reginaldo também ficou conhecido pela personalidade irreverente. Durante os shows, conversava com a plateia, improvisava comentários e fazia brincadeiras entre as músicas. Nunca demonstrou constrangimento com a classificação de cantor brega. Pelo contrário, incorporou o título de rei à própria identidade artística.

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A doença que interrompeu uma carreira de quase 50 anos

Em novembro de 2013, Reginaldo Rossi foi internado no Hospital Memorial São José, no Recife, depois de apresentar dores no peito e nas costas.

Durante a internação, os médicos identificaram um câncer no pulmão. O cantor passou por sessões de quimioterapia, mas seu quadro clínico se agravou, com complicações renais e necessidade de cuidados intensivos.

Reginaldo morreu em 20 de dezembro de 2013, em decorrência de falência múltipla de órgãos associada à doença.

A despedida mobilizou milhares de admiradores. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, e o sepultamento aconteceu no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

O público conhecia a dimensão de sua carreira artística. O que ainda não sabia era a situação financeira enfrentada pela família.

Filho revelou dívidas e falta de dinheiro até para o funeral

Em março de 2017, quase quatro anos depois da morte do cantor, Roberto Rossi participou do programa Domingo Show, da Record, apresentado por Geraldo Luís.

Na entrevista, contou que ele e a mãe, Celeide Neves, procuraram dinheiro nas contas bancárias do artista após sua morte, mas não encontraram recursos disponíveis.

Segundo Roberto, o pai tinha problemas com jogos e havia comprometido parte considerável do patrimônio acumulado durante a carreira.

O filho afirmou que Reginaldo chegou a vender imóveis para sustentar o hábito de apostar e gastou valores recebidos por apresentações.

Roberto também explicou que tentou assumir o controle das finanças do pai em determinado momento, mas encontrou resistência. Descreveu Reginaldo como uma pessoa centralizadora, que preferia cuidar pessoalmente dos próprios negócios.

Uma das revelações que mais chamaram a atenção foi a dificuldade para realizar o funeral.

De acordo com Roberto, a família não tinha dinheiro para pagar o sepultamento, e tanto o jazigo quanto os serviços funerários foram oferecidos como ajuda.

As declarações foram repercutidas pelo Diario de Pernambuco e por outros veículos de comunicação em março de 2017.

O patrimônio deixado pelo cantor também acumulava dívidas

Embora o filho tenha relatado a ausência de dinheiro nas contas bancárias, Reginaldo Rossi deixou um imóvel de valor significativo.

Localizada em Piedade, na Região Metropolitana do Recife, a propriedade ficava à beira-mar e havia sido planejada para abrigar uma pousada, projeto que o cantor não conseguiu concluir.

Segundo reportagem publicada pelo Diario de Pernambuco em 12 de março de 2017, o imóvel estava avaliado em aproximadamente R$ 5 milhões naquela época.

Entretanto, havia dificuldades para comercializá-lo ou viabilizar sua utilização. Roberto informou que as dívidas de IPTU e outras despesas relacionadas à propriedade chegavam a cerca de R$ 800 mil.

A existência desse patrimônio ajuda a esclarecer o relato sobre a situação financeira do artista. A família possuía um imóvel valioso, mas enfrentava falta de dinheiro disponível e obrigações financeiras que dificultavam o aproveitamento do bem.

Na época da entrevista, Roberto trabalhava como motorista de aplicativo no Rio de Janeiro para garantir seu sustento.

A esposa morreu menos de oito meses depois dele

A morte de Reginaldo Rossi foi seguida por outra perda na família.

Sua companheira de longa data, Celeide Pessoa Neves, morreu em 15 de agosto de 2014, aos 67 anos, no mesmo hospital onde o cantor havia passado seus últimos dias.

Ela estava internada desde 13 de agosto na unidade coronariana do Hospital Memorial São José, no Recife, devido a complicações cardíacas. Na manhã do dia 15, sofreu um infarto e não resistiu.

Reginaldo e Celeide haviam compartilhado aproximadamente 41 anos de vida juntos e eram pais de Roberto Rossi.

Entre a morte do cantor e a de sua esposa passaram-se apenas sete meses e 26 dias.

A perda dos dois pais em um intervalo tão curto foi uma das circunstâncias enfrentadas por Roberto antes de tornar públicas as dificuldades financeiras da família.

Anos depois, durante a reportagem exibida pela Record, ele abriu as portas da antiga residência dos pais. O local ainda guardava fotografias, objetos pessoais e prêmios recebidos pelo cantor ao longo da carreira.

A visita também revelou um dos projetos que Reginaldo deixou inacabados: a pousada que pretendia instalar na propriedade à beira-mar. Enquanto buscava alternativas para administrar o imóvel e suas dívidas, Roberto preservava ali parte das lembranças de uma das figuras mais populares da música brasileira.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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