Robert Redford se tornou um dos rostos mais conhecidos de Hollywood, protagonizou clássicos do cinema e conquistou reconhecimento como diretor. Entretanto, sua trajetória pessoal foi atravessada por duas tragédias familiares que permaneceram longe da atenção do público durante boa parte de sua vida: a morte de dois de seus quatro filhos, separados por mais de seis décadas.
O ator americano, que morreu em 16 de setembro de 2025, aos 89 anos, enfrentou a primeira perda quando ainda tentava construir uma carreira artística. A segunda aconteceu em 2020, quando já era considerado uma das figuras mais influentes da indústria cinematográfica.
Em 1959, Robert Redford e sua primeira esposa, Lola Van Wagenen, tiveram seu primeiro filho, Scott Anthony Redford. O menino nasceu em setembro, mas morreu em novembro daquele mesmo ano, com aproximadamente dois meses e meio de vida.
A causa foi a síndrome da morte súbita infantil, condição caracterizada pela morte inesperada de um bebê aparentemente saudável, geralmente durante o sono, sem que uma causa específica seja identificada mesmo após investigação.
Na época, Redford estava no início de sua carreira como ator, trabalhando em produções teatrais e tentando conquistar espaço no meio artístico. A perda aconteceu em um período de dificuldades financeiras e pouca estabilidade profissional.
Durante anos, o artista evitou expor publicamente detalhes daquele episódio. Em uma entrevista concedida à revista AARP, em 2011, contou que ele e a esposa tinham pouco conhecimento sobre a síndrome e chegaram a se sentir responsáveis pelo ocorrido.
Redford explicou que, diante da falta de respostas, era difícil não procurar alguma falha em suas próprias atitudes. O sentimento de culpa acabou se somando ao sofrimento provocado pela morte do bebê.
Em outra entrevista, publicada pela revista Esquire em 2017, ele voltou ao assunto e reconheceu que a experiência continuava presente em sua vida, mesmo depois de tantos anos. Segundo o ator, acontecimentos dessa natureza podem influenciar uma pessoa de maneiras que ela própria nem sempre consegue perceber.
O casamento com Lola continuou, e o casal teve outros três filhos: Shauna, James e Amy.
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Em 16 de outubro de 2020, Robert Redford perdeu seu filho James, conhecido entre familiares e amigos como Jamie. Ele tinha 58 anos e morreu em decorrência de um câncer nos ductos biliares do fígado.
James era cineasta, documentarista e ativista ambiental. Ao longo de sua vida, também enfrentou graves problemas hepáticos, que o levaram a passar por dois transplantes de fígado.
Segundo sua esposa, Kyle Redford, a doença hepática havia voltado a apresentar complicações cerca de dois anos antes da morte. O câncer foi diagnosticado em 2019, enquanto James aguardava outro transplante.
A notícia provocou uma manifestação pública de Robert Redford, que tinha 84 anos na ocasião. Por meio de sua representante, Cindi Berger, o ator expressou a dimensão do sofrimento da família.
Em declaração divulgada à imprensa, ele afirmou que a dor de perder um filho era imensurável e destacou que James havia sido um filho, marido e pai amoroso.
A família também pediu privacidade durante o período de luto. James deixou a esposa, com quem havia sido casado por 32 anos, e dois filhos, Dylan e Lena.
Embora fosse filho de um astro de Hollywood, James Redford desenvolveu uma trajetória independente no cinema, principalmente na produção de documentários sobre saúde, educação e questões ambientais.
Uma de suas obras conhecidas é The Big Picture: Rethinking Dyslexia, documentário de 2012 que aborda a dislexia e os desafios enfrentados por pessoas com essa condição.
Em 2005, James e Robert fundaram o The Redford Center, organização dedicada a utilizar o cinema como instrumento de conscientização ambiental.
A iniciativa passou a apoiar produções audiovisuais sobre mudanças climáticas, conservação da natureza e soluções para problemas ambientais. O projeto reunia duas áreas que tinham grande importância para pai e filho: o cinema e a proteção do meio ambiente.
Após a morte de James, seu filho Dylan Redford assumiu a presidência do conselho da organização, garantindo a continuidade da participação familiar.
O Redford Center permaneceu em atividade e, ao longo de duas décadas, apoiou centenas de filmes e projetos de comunicação voltados a questões ambientais.
Enquanto enfrentava dificuldades na vida pessoal, Robert Redford construiu uma carreira que atravessou gerações.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Butch Cassidy (1969), Golpe de Mestre (1973), Todos os Homens do Presidente (1976) e Entre Dois Amores (1985).
Como diretor, alcançou um de seus maiores reconhecimentos com Gente como a Gente, lançado em 1980. O filme, que acompanha uma família abalada pela morte de um dos filhos, conquistou quatro Oscars, incluindo melhor filme e melhor direção.
A temática da perda familiar presente na produção costuma ser relacionada às experiências pessoais do cineasta, embora Redford nunca tenha estabelecido uma relação direta e definitiva entre a morte de Scott e sua decisão de dirigir o longa.
O ator também teve participação decisiva no desenvolvimento do cinema independente americano por meio do Sundance Institute e do Festival de Sundance, que ajudaram a ampliar o espaço para produções realizadas fora dos grandes estúdios.
Em 2018, anunciou que pretendia se afastar da atuação após o lançamento de The Old Man & the Gun, conhecido no Brasil como O Velho e a Arma. A decisão não representava uma aposentadoria completa do cinema, pois Redford ainda demonstrava interesse em dirigir, produzir e apoiar novos artistas.
Redford passou seus últimos anos mantendo uma vida relativamente reservada, distante da exposição que havia acompanhado sua carreira durante décadas.
Em 16 de setembro de 2025, morreu em sua casa na região de Sundance, no estado americano de Utah, aos 89 anos. Segundo sua representante, ele estava cercado de pessoas próximas. A causa da morte não foi divulgada.
O artista deixou sua esposa, Sibylle Szaggars, as filhas Shauna e Amy e sete netos.
Entre as iniciativas familiares que permaneceram após sua morte está o Redford Center, criado em parceria com James. A organização continua desenvolvendo e apoiando projetos cinematográficos ligados à preservação ambiental, mantendo em atividade um trabalho que pai e filho construíram juntos.
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