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Mulher ignorou uma dor que parecia vir do sutiã e descobriu um câncer de cólon avançado

Uma dor localizada logo abaixo do seio direito parecia ter uma explicação banal para Radwah Oda: talvez o sutiã estivesse apertado demais. O problema é que aquela dor fazia parte de um conjunto de sintomas que vinha se acumulando havia meses, enquanto a norte-americana de Houston, no Texas, seguia convencida de que estava saudável demais para ter algo grave.

O caso chama atenção justamente por um motivo que costuma atrasar muitos diagnósticos: sintomas persistentes podem ganhar explicações aparentemente razoáveis no dia a dia. Constipação vira “prisão de ventre”, cansaço é atribuído à rotina, sangue nas fezes é colocado na conta de hemorroidas. Separadamente, cada sinal pode parecer pouco preocupante. Quando aparecem repetidamente, porém, merecem investigação médica.

Radwah contou sua experiência em um vídeo que viralizou nas redes sociais e relatou cinco sinais que havia ignorado antes de descobrir um câncer de cólon em estágio 4, já com metástases no fígado. Ela tinha cerca de 30 anos quando recebeu o diagnóstico, em 2021.

1. Fezes muito finas, parecidas com um lápis

Um dos primeiros sinais percebidos por Radwah foi uma mudança no formato das fezes. Elas passaram a ficar muito finas, algo que ela relacionou à constipação.

A alteração do calibre das fezes pode ocorrer por diferentes motivos e, sozinha, não significa que exista um câncer. Porém, quando representa uma mudança repentina e persistente no funcionamento intestinal, deve ser levada ao conhecimento de um médico.

O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI) inclui mudanças no hábito intestinal e no formato das fezes entre os sinais que podem aparecer no câncer de cólon. Em alguns casos, um tumor pode reduzir o espaço disponível para a passagem do conteúdo intestinal.

2. Sangue nas fezes

Radwah também percebeu sangue mais escuro nas fezes, mas acreditou que o problema estivesse relacionado a uma hérnia ou a hemorroidas.

Esse é um ponto especialmente importante: sangue nas fezes não deve ser automaticamente atribuído a uma causa benigna. Hemorroidas realmente podem provocar sangramento, mas outras doenças também podem estar envolvidas.

Além disso, a aparência do sangue não permite determinar sozinha a origem do problema. Sangramentos associados a tumores em regiões mais altas do cólon podem aparecer mais escuros, enquanto lesões próximas ao reto tendem a produzir sangue vermelho vivo. Por isso, qualquer sangramento intestinal persistente ou sem explicação precisa ser avaliado.

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3. Sensação de que o intestino nunca terminava de esvaziar

Outro sintoma relatado por Radwah era a sensação de precisar continuar evacuando mesmo depois de ir ao banheiro.

Ela descreveu a impressão de que ainda havia fezes para eliminar e esforço repetido sem conseguir concluir a evacuação. Em medicina, essa sensação pode ser chamada de tenesmo.

O NCI reconhece a sensação de evacuação incompleta como uma possível manifestação do câncer colorretal. Dependendo da localização do tumor, a pessoa pode sentir vontade frequente de evacuar mesmo sem conseguir eliminar normalmente as fezes.

4. Dor no lado direito do corpo

Foi esse sintoma que deu origem à história do “sutiã apertado”.

Radwah sentia dor no lado direito, abaixo do seio, e inicialmente acreditou que se tratava apenas do contato ou da pressão da peça de roupa. Depois, descobriu que a dor estava relacionada ao câncer que havia se espalhado para o fígado. Na época do diagnóstico, exames identificaram mais de 20 tumores no órgão.

É importante fazer uma ressalva: dor nessa região não é um sinal típico ou específico de câncer de cólon. A própria explicação médica dada ao caso destacou que a localização da dor não seria, isoladamente, uma manifestação característica da doença. O que torna o relato relevante é a combinação desse sintoma com os demais e sua persistência.

Uma dor nova, persistente ou sem uma causa clara merece avaliação, especialmente quando surge junto de alterações intestinais, sangramento, perda de peso ou cansaço intenso.

5. Cansaço extremo

Radwah relatou que estava constantemente exausta e precisava tirar várias sonecas durante o dia, mesmo dormindo à noite. Segundo ela, nem o café parecia resolver o problema.

O cansaço persistente pode ter inúmeras causas, desde privação de sono e estresse até anemia e outras doenças. No câncer colorretal, uma possibilidade é a perda de sangue ao longo do tempo provocar anemia, o que pode contribuir para fraqueza e fadiga. O NCI também relaciona fadiga ao câncer de cólon.

No caso de Radwah, havia ainda perda de peso não intencional. Ela havia emagrecido cerca de 15 libras, aproximadamente 6,8 kg, e inicialmente associou a mudança à transição de uma alimentação pescetariana para vegetariana. Perda de peso sem explicação é outro sinal que deve ser investigado.

Outros sintomas apareceram antes do diagnóstico

Os cinco sinais não surgiram todos de uma vez. Radwah também relatou episódios de vômitos e diarreia, que a levaram várias vezes ao pronto-socorro em agosto de 2021. Inicialmente, os médicos consideraram que ela estivesse enfrentando uma infecção gastrointestinal e trataram a desidratação.

Foi apenas após uma nova avaliação, com tomografia computadorizada, que o tumor foi identificado. O diagnóstico revelou câncer de cólon em estágio 4, com disseminação para o fígado.

Depois disso, ela passou por 12 ciclos de quimioterapia e três cirurgias, incluindo procedimentos para retirar parte do cólon e diferentes partes do fígado. Mais tarde, participou de tratamento experimental devido à progressão da doença.

Câncer colorretal também pode ocorrer em pessoas jovens

A idade de Radwah ajuda a explicar por que ela própria não considerou câncer entre as possibilidades. Durante muito tempo, o câncer colorretal foi associado principalmente a pessoas mais velhas, mas os casos em adultos jovens vêm recebendo atenção crescente.

Dados publicados pela American Cancer Society estimaram 153.020 novos casos de câncer colorretal e 52.550 mortes nos Estados Unidos em 2023. Naquele mesmo ano, cerca de 19.550 casos ocorreriam em pessoas com menos de 50 anos.

Atualmente, recomendações norte-americanas indicam que pessoas com risco médio iniciem o rastreamento do câncer colorretal aos 45 anos. Quem apresenta histórico familiar, pólipos prévios, doença inflamatória intestinal ou determinadas síndromes genéticas pode precisar começar antes e seguir um esquema diferente.

Outro detalhe importante: rastreamento e investigação de sintomas são coisas diferentes. Uma pessoa com sintomas não deve simplesmente esperar a idade de rastreamento para procurar atendimento. Alterações persistentes nas fezes, sangue nas evacuações, dor abdominal, perda de peso inexplicada, anemia ou cansaço intenso precisam ser avaliados. O câncer colorretal também pode existir sem sintomas nos estágios iniciais, razão pela qual o rastreamento tem papel importante.

Para Radwah, a principal mensagem ao compartilhar a história foi direta: ela acredita que teria procurado atendimento mais cedo se soubesse reconhecer os sinais. E, convenhamos, “meu sutiã está apertado” é uma explicação perfeitamente plausível para uma peça de roupa ruim. Para sintomas que continuam aparecendo, porém, não deveria ser a explicação final.

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.

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