Ivonete Rosa

Ser culto (a) e bem sucedido (a) não garante independência emocional

Perceber uma pessoa querida vivendo um relacionamento abusivo nos causa uma série de sentimentos conflituosos. Causa muita indignação ver uma pessoa cheia de atributos intelectuais, físicos e morais sendo tratada como se fosse um entulho, pior ainda é perceber a passividade dessa vítima, aceitando tudo sem nada questionar e ainda demonstrando muito temor em perder o seu algoz a quem ela refere-se como “amor”.

As vítimas de relações abusivas, no geral, são vistas como pessoas que “não têm vergonha na cara”. Costumamos avaliar as pessoas pelo o que elas apresentam externamente. Diante de uma pessoa bonita e culta, tendemos a acreditar que ela é dona de si e que faz sempre as escolhas mais sensatas. Contudo, não é bem assim que a coisa funciona. Possuir um elevado nível intelectual não é garantia de independência emocional. Esses dois atributos, não são, necessariamente, vinculados.

Inteligência emocional e autoestima não são adquiridos nas cadeiras das universidades. Obviamente, uma pessoa esclarecida intelectualmente e com independência financeira terá menor vulnerabilidade nesse contexto, já que ela não terá a dependência econômica como um fator que venha a dificultar a ruptura de um vínculo nocivo.

A forma como uma pessoa se comporta num relacionamento afetivo é o reflexo da forma como ela se percebe, e de como ela aprendeu sobre os relacionamentos observando sua família nuclear, na prática. No geral, são pessoas oriundas de contextos familiares tóxicos. Crianças que presenciam o pai agredindo a mãe, por exemplo, tendem a internalizar que esse comportamento é aceitável entre os casais, elas vinculam o amor à dor, de certa forma. Depois de adultas, mesmo adquirindo esclarecimentos teóricos sobre a forma saudável de se relacionar, o que elas presenciaram com os pais, terá um peso gigante. Contudo, esse quadro não é irreversível, a vítima pode, sim, desconstruir o conceito nocivo de amor e adotar um conceito saudável de relacionamento, a psicoterapia é uma excelente ferramenta para auxiliar nesse processo.

A vítima de uma relação abusiva é alguém adoecido emocionalmente. A capacidade de discernimento dela está comprometida. Ela precisa de empatia, não de julgamento.

Photo by Tim Savage from Pexels

Ivonete Rosa

Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

Recent Posts

Mary Ann Bevan aceitou ser exibida em público, e o motivo tinha relação direta com seus quatro filhos

Durante boa parte do fim do século XIX e do início do século XX, pessoas…

2 dias ago

Algumas das fotos mais interessantes de Diana não são as mais famosas e contam outra parte da história

Poucas figuras públicas foram fotografadas com tanta frequência quanto a princesa Diana, né? Durante os…

2 dias ago

A inesperada ‘revelação’ de uma apresentadora da Fox surpreende os telespectadores

Holly Morris passou 25 anos diante das câmeras da FOX 5, em Washington, e construiu…

2 dias ago

Uma cena sensual virou um dos momentos mais famosos do clássico com Jamie Lee Curtis, e por um detalhe fora do esperado

Quando True Lies chegou aos cinemas, em 1994, James Cameron já tinha no currículo filmes…

4 dias ago

Diana chorou ao se despedir de Charles, mas só anos depois explicou o que tinha acontecido antes

Uma das imagens mais conhecidas do início do relacionamento entre Diana Spencer e o então…

4 dias ago

Após o parto, o silêncio na sala fez esta mãe perceber que algo estava diferente com a filha

Durante a gravidez, os exames de Eliza Bahneman não indicavam que sua filha nasceria com…

4 dias ago