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Quando o assunto é amor, um bom começo pode impedir o fim

Hoje em dia tudo é muito rápido, tudo é pra já. “Não temos tempo pra mistérios”, dizem uns. “A vida passa ligeiro demais pra ficar se demorando na escolha”, alegam outros. E é por conta dessa velocidade vertiginosa que os piores acidentes envolvendo o miocárdio acabam acontecendo. Cuidado com os amores velozes.

Atualmente, basta uma fuçada rápida em qualquer rede social para temos o perfil completo: quem são, o que comem e onde vivem. Dessa forma, metade do caminho acaba sendo percorrido de maneira preguiçosa e desleixada e vamos pulando etapas que são importantes.

Durante uma conversa recente que tive com Fabrício Carpinejar, uma coisa ficou clara: é preciso cuidar. Eu sei, parece papo óbvio de poeta aluado, mas não é. O cuidado é e sempre será um elemento importante.

Cuidar do outro é ao mesmo tempo cuidar de si. É dar abertura para que outra pessoa te conheça para além da superficialidade desses tempos onde se pretende resumir a vida em míseros 140 caracteres. Ouvir, descobrir coisas mínimas a cada dia. Um segredo de cada vez. Evite a síndrome do comprador que recorre às prateleiras em busca do melhor preço em detrimento à qualidade.

Melhor: evite tratar as pessoas como se fossem produtos expostos numa prateleira de supermercado. Ao invés disso, tente lançar um olhar mais demorado sobre aquilo que te interessa, que te acende, que te toca. Não busque atalhos, busque caminhos que levem sempre mais a fundo, sempre mais adentro.

O amante velocista, espécie de Usain Bolt sem linha de chegada, não tem tempo pra conversas longas. Ele precisa correr, mesmo sem saber direito pra onde, ele corre. E a gente fica lá, com cara de paisagem, se sentindo a tartaruga reumática da relação.

A coisa é que a gente desaprendeu a esperar. Não temos mais paciência para construir alicerces e por isso a casa sempre acaba caindo. Saber esperar é virtude que anda em falta. Não estou falando de ser um Jó pós-moderno que fica com a bunda colada “no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

Também não estou falando de se guardar. Pelo amor de Jeová dos Desertos, não é isso! A gente tem é que se dar mesmo, desde que isso não implique obrigatoriamente em um acordo pré-nupcial, juras de amor eterno e coisa e tal. Calma lá, coração.

Entender que cuidar é bem mais que juras e promessas, já é um começo. Um bom começo pode impedir o fim.

Jocê Rodrigues

Editor, escritor e jornalista.

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Jocê Rodrigues
Tags: Amor

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